Bolsonaro estava conseguindo ficar quieto, mas de repente voltou ao desequilíbrio normal

Depois da facada, não vai ser "uma gripezinha que vai me derrubar ...

Como diria o senador Romário, “Calado, Bolsonaro é um poeta” 

Carlos Newton

Para um homem com a personalidade de Jair Messias Bolsonaro, especialmente na posição de presidente da República, é muito difícil ficar em quarentena médica ou política, até porque ele se julga responsável por tudo, a ponto de dizer, dia 20 de abril: “Eu sou a Constituição”.

Apresentou-se assim ao respeitável público, como nova versão do rei francês Luiz 14, que morreu em 1715, a quem se atribui a célebre frase “O Estado sou Eu”.

APÓS O FORTE APACHE – A despropositada frase constitucional foi dita após Bolsonaro criticar duramente o Supremo e o Congresso, no dia seguinte à mais provocativa das manifestações já realizadas por seus admiradores, diante do famoso Forte Apache, o quartel-general do Exército Brasileiro.

 Nesta altura do campeonato, em meio a fricotes e faniquitos. Bolsonaro, os três filhos e seus áulicos previam abertamente que haveria um golpe militar para fechar Supremo e Congresso e dar ao presidente poderes inconstitucionais e arbitrários.

Mas os comandantes da Forças Armadas (leia-se o general Eduardo Pujol) tiveram o bom senso necessário para dizer não ao aprendiz de ditador e lhe impuseram um sigilo estratégico, que Bolsonaro vem cumprindo desde então, recolhido a uma quarentena política.

BOLSONARO ZEN – De lá para cá, o presidente fez lembrar dois líderes políticos que já se foram – Antonio Carlos Magalhães, o ACM Ternura, que faz tempo passou dessa para a melhor, e o Lula Paz e Amor, ainda entre nós, mas politicamente sepultado pela Lei da Ficha Limpa, sancionada por ele mesmo em 2010.

Assim, no final do mês passado, atendendo a insistentes pedidos superiores, o verborrágico Bolsonaro se recolheu à sua insignificância e se transformou num túmulo. Coincidentemente, logo a seguir pegou a covid-19, teve de ficar também em quarentena médica, e o país respirou aliviado. O presidente passou a ser uma ausência que preenchia uma lacuna, como se dizia antigamente

De repente, a surpresa: Bolsonaro não resistiu e decidiu comprar nova briga com o STF, ao determinar que o ministro da Advocacia-Geral da União ingressasse com Ação de Inconstitucionalidade contra um ato do ministro Alexandre de Moraes, que é respaldado por dez dos onze integrantes da Suprema Corte.

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P.S. 1
 –Com isso, desvirtuou o papel constitucional da AGU, que não pode defender interesses pessoais ou políticos do presidente. Além disso, passou recibo e mostrou seu empenho em proteger atitudes ilegais de criadores de fake news que funcionam como seus cabos eleitorais.

P.S. 2 – Acredito que essa seja a primeira e última tentativa do Alto Comando do Exército para ajudar Bolsonaro a levar seu mandato adiante. Se sair da quarentena política para criar caso e botar banca, seu destino será outro. Com diz o mais novo ministro, Fábio Faria, “ninguém aguenta briga todo dia”. (C.N.)

11 thoughts on “Bolsonaro estava conseguindo ficar quieto, mas de repente voltou ao desequilíbrio normal

  1. #BOBJEFF No entendimento da Câmara, uma busca e apreensão no gabinete de parlamentares “coloca claramente em risco o pleno e regular exercício do mandato”.
    O engraçado é que esse entendimento só surgiu agora, quando a PF bateu no gabinete de uma deputada do PT.

  2. aqui no NE havia e há os profetas da chuva, quando castigados somos pela estiagem; como profeta nauseabundo, já havíamos dito e repetindo: getúlio e jânio se foram em agosto; esse mês já está adentrando… será que a sina vai se repetir? quem viver, verá!

  3. O boçal não consegue segurar as suas ideias imbecis, acolitado só por imbecis como ele toma decisões como esta, de se meter a defender o indefensável. Quem deve estar dando ótimas risadas é o vice, enquanto um pensa antes de falar, o outro não pensa e só fala besteiras, assim o tão sonhado “golpe” fica mais fácil de dar, e será dado pelo Congresso mais dias menos dia.

  4. De repente, eu também tive uma surpresa. Mesmo após a minha espontânea despedida da Tribuna da Internet, o editor não resistiu e caluniou a mim e a outros leitores em sua coluna. Agora, resiste em publicar uma simples resposta aqui na área de comentários.

    Não imagino o que ele deseja evitar. E você, leitor?

  5. O que acontecerá quando Bolsonaro indicar um ministro do STF e esse ministro fazer igual ao Alexandre, mandando FECHAR o Tribuna da Internet? Vocês vão ficar chorando?

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