Bolsonaro exagera nas redes e Olavo não está fazendo bem ao Brasil, diz Alcolumbre

O presidente do Senado Davi Alcolumbre em entrevista ao Roda Viva, da TV Cultura Foto: Reprodução / Redes sociais

Alcolumbre disse que os filhos de Bolsonaro também atrapalham

Gustavo Schmitt
O Globo

O presidente do Senado Davi Alcolumbre (DEM-AP) disse que o presidente Jair Bolsonaro tem “exagerado” nas manifestações em suas redes sociais e pediu cautela nas falas dos filhos do ex-capitão, durante entrevista ao programa “Roda Viva”, da TV Cultura, na noite desta segunda-feira. O senador ainda afirmou que a influência do ideólogo de direita Olavo de Carvalho no Planalto “não está fazendo bem para o Brasil”.

Eleito presidente do Senado em fevereiro, Alcolumbre pregou diálogo e pacificação na política para a aprovação da reforma da previdência até o recesso do legislativo, em 17 de julho. Ele também disse que, embora já tenha tido a experiência como parlamentar em outros governos desde que foi eleito deputado federal em 2002, “nunca viu nada parecido” com a sucessão de crises, queda de ministros e intrigas na base aliadas em episódios que se somam nos três primeiros meses do governo.

CAUTELA – Alcolumbre ressaltou ainda a importância de Bolsonaro adotar cautela em razão da liturgia do cargo de presidência da república. O senador ponderou, porém, que o presidente sempre conduziu sua vida política falando de temas polêmicos e espinhosos. 

“A gente tem que ser cauteloso com as redes sociais. Eu acho que em alguns momentos o presidente tem exagerado. Algumas postagens têm causado desconforto na sociedade.  Mas ele (Bolsonaro) não inventou agora essas condutas” — disse Alcolumbre, após ser questionado sobre a publicação de um vídeo com cenas obscenas, gravado durante o carnaval, na conta pessoal do Twitter do presidente da República. 

FILHOS DE BOLSONARO – Para Alcolumbre, os filhos do presidente também precisam moderar o tom: “Os filhos têm toda legitimidade de falar o que quiserem como parlamentares. Mas como filhos do presidente precisam ter discernimento e responsabilidade. No momento que estamos vivendo precisamos de diálogo e, no fundo, essas coisas acabam atrapalhando” —  disse Alcolumbre, reiterando que a prioridade é a aprovação da reforma da previdência: 

“Em 17 de julho a gente vai estar com a reforma aprovada. Eu compreendo que a Câmara também está se vendo como parte desse processo de reconstrução do Brasil — disse o senador. No entanto, antes de chegar ao Senado a reforma da Previdência precisa ter o apoio de pelo menos 308 dos 513 deputados, em dois turnos de votação, já que se trata de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC). 

O presidente do Senado ainda demonstrou irritação ao ser indagado sobre os elogios feitos por Bolsonaro a Olavo de Carvalho em viagem aos Estados Unidos. Conhecido por sua verve inflamada, o escritor tem feito indicações em pastas estratégicas como o Ministério da Educação e pedido a cabeça de dissidentes e opositores.

ATAQUES DE OLAVO – De sua casa na Virgínia, onde vive nos Estados Unidos, Olavo de Carvalho costuma mandar seus petardos principalmente por sua conta pessoal do Twitter. Nos últimos dias, Alcolumbre se tornou um dos alvos dos ataques virtuais de apoiadores de Bolsonaro e de Olavo.

A ofensiva veio em meio às declarações do senador sobre um pedido de CPI para investigar o Supremo Tribunal Federal. Alcolumbre disse que não prosperaria, sob o risco de criar um embate desnecessário entre o legislativo e o judiciário. 

 

“Ele (Olavo de Carvalho) tem influenciado muito. E no nosso entendimento esse escritor não está fazendo bem ao Brasil. Não pode uma pessoa que não está no nosso dia a dia fazer essas manifestações. E jogando contra o Brasil não vamos aceitar” — disse o presidente do Senado. 

“PUXADINHO” – Num dos momentos mais exaltados ao tratar do escritor e de suas indicações no governo, Alcolumbre chegou a dizer que o governo precisa entender que o parlamento não é um “puxadinho” do Planalto. 

“A independência do parlamento será colocada a prova todos os dias” — afirmou o senador. 

O presidente do Senado ainda reclamou  do discurso da base governista contra as solicitações de indicações para cargos políticos sob o argumento de que não vão aceitar a velha política do “toma lá dá cá”. Para Alcolumbre, ao indicar pessoas técnicas para cargos no Planalto, Bolsonaro causou uma ruptura, uma mudança no modelo de governar dos últimos presidentes. Para ele, essa mudança tem levado a “desencontros”. 

NOVO MODELO – “Se está havendo esses desencontros eles são frutos desse novo modelo que o presidente está adotando. O presidente tem que aceitar que os deputados querem participar, ajudar o governo, se sentir parte do processo” — concluiu. 

Sobre as denúncias que envolvem as movimentações atípicas de R$ 1,2 milhão de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), Alcolumbre afirmou que o caso “não é um problema do Senado”. Isso porque o episódio aconteceu durante o mandato de Flávio como deputado estadual pelo Rio.

“Existe uma regra no Senado em que atos cometidos fora do mandato não vão para Conselho de Ética. Eu acho que isso é uma pendência judicial. Não é um problema do Senado”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Olavo de Carvalho acertou em cheio na sua previsão de que o governo pode “acabar” em seis meses. Se Bolsonaro continuar obedecendo às sugestões do guru virginiano e de seus filhos, na verdade o governo pode acabar bem antes dos seis meses. (C.N.)

 

22 thoughts on “Bolsonaro exagera nas redes e Olavo não está fazendo bem ao Brasil, diz Alcolumbre

  1. Gostaria de saber qual é o bem que estes senadores fazem para o Brasil. Para mim poucos políticos prestam. Um destes que tenho saudade é do Senador JEFERSON PERES, que falta ele faz no oceano de mediocridade que se transformou nossos políticos

  2. Em vez de criticar o PR que ajudou a elegê-lo, esse traíra oportunista deveria combater a corrupção abrindo o processo de impedimento dos urubus supremos e a CPI da Lava Toga.

  3. Dar uma camiseta canarinho pro Trump é caso de extradição! Persona Non Grata por 7 gerações.

    Ser um cagado de medo da imprensa é igual….

    Politico da pior espécie, ruminante…

    A pouca beegonja impera no planalto…

    Alô redações de todo o Brasil, cadê a foto do Bozó com vizinho congenro que matou a vereadora do Rio?

    O cara lá, com o amarelo mais amarelo do planeta, rebaixando o Brasil….
    Solta a foto em primeira capa!

  4. Mourão, o sistema e o golpe
    Por Ipojuca Pontes – 19 de março de 2019

    Um possível golpe político dos militares que tutelam o governo do Presidente Jair Bolsonaro pode ser desfechado em questão de semanas – ou meses (por enquanto, a batata está assando). No “sistema” dos generais (da reserva) aboletados no Palácio do Planalto, a figura indicada para entrar em ação é a do general Mourão, personagem do teatro burlesco apoiado ferozmente pela mídia esquerdista, em especial os órgãos de comunicação que integram as Organizações Globo (TV Globo, O Globo, Globo News e CBN, emissoras 100% esquerdistas).

    Com efeito, Mourão não brinca em serviço: entrevistado a todo instante pela comunalha é tratado como um iluminado “popstar”, sobretudo quando trata de atacar a plataforma de governo de Jair Bolsonaro. Dir-se-ia que a predisposição da trama é tornar o Presidente eleito uma vaca de presépio para destroçar suas convicções políticas e, só depois, em caso de resistência, defenestrá-lo sob qualquer pretexto. O próprio Mourão, aliás, admitiu, em entrevista à Globo News, a possibilidade de um “autogolpe” se a coisa desandasse para a “anarquia”.

    Mas quem está por trás de Mourão? Quem procura detonar as propostas do governo – propostas de mudanças pelas quais Bolsonaro foi eleito com quase 60 milhões de votos? O exército brasileiro? Os milhares de militares, graduados ou não, que votaram no então Deputado Federal (mais votado do Brasil) e ajudaram a elegê-lo? Não, de maneira alguma. Quem está por trás de Mourão é um ínfimo grupo de generais (da reserva), entre eles, em destaque, Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Eduardo Villas Boas (tido como estrategista do “sistema”, vítima de degenerescente esclerose lateral amiotrófica, que o mantém em cadeiras de rodas e atado a um respirador), Santos Cruz (Secretaria de Governo) e Floriano Peixoto Neto, substituto do indecifrável (por enquanto) Gustavo Bebiano na Secretaria Geral da Presidência. Em comum, prevalece o fato de terem sido chefes das forças militares em missão da ONU no Haiti vitimado por terremoto.

    (Abro aqui espaço e peço vênia ao leitor para explicitar duas entradas do “Aurélio” sobre a abrangência da palavra “sistema”, no sentido aqui exposto. Diz o dicionário: “Sistema – Reunião de elementos da mesma espécie que constituem um conjunto intimamente relacionado”. E ainda: “Conjunto de meios ordenados tendente a um resultado, plano, método”).

    De minha parte, acredito piamente que uma possível ascensão do general Mourão à Presidência da República poderá levar o País a transtorno sem precedente. Por um motivo elementar: as teses expostas e defendidas por ele, por vezes ambiguamente, projetam um receituário que associa a heresia do “politicamente correto” (bolado nos obscuros corredores da ONU vermelha e terceiromundista) até a mais inaceitável autoritarismo. Ou totalitarismo, se assim preferem. Por exemplo: o general, como já repetiu inúmeras vezes, propugna pela convocação de uma Constituição escrita não por pessoas eleitas democraticamente, mas por uma “comissão de notáveis” – na qual, quem sabe, ele mesmo (ou seus pares), sempre a ditar regras, seja um desses “comissários”.

    De resto, Mourão, enquanto presidente interino, enviou ao Congresso decreto assinado por ele que permite a ocupantes de cargos comissionados, alguns sem vínculos permanentes em cargos públicos, passarem a classificar dados do governo como secretos e ultrassecretos – o que poderia ser traduzido, ao gosto do freguês, como mais burocracia, sigilo ou caixa preta a esconder os atos do governo.

    Recentemente, o general ganhou manchetes explosivas nos jornais amestrados por criticar a anulação do ato de nomeação indevida da “cientista política” Ilona Szabó para o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária. O fato é que Ilona, para além de pinimbar pelo desarmamento da população – que, por sinal, votou num referendo em favor da manutenção e do uso de armas – é uma velha aliada de George Soros, megaeseculador do capitalismo selvagem e financiador da subversão comunista internacional, recentemente banido da Hungria por “ingerência indevida” – coisa que o general omite ou desconhece.

    Por sua vez, Mourão, que já se manifestou partidário da intervenção militar, considera o 13º Salário uma “jabuticaba brasileira”, para horror e protestos dos trabalhadores, sempre mal pagos. E, a julgar pelo que diz, é favorável à liberação ao aborto, considerado crime pela nossa legislação. Ademais, o general – que é maçom, pouco fala em Deus e foi adido militar na Venezuela do ditador Hugo Chávez – está a anunciar uma viagem à China, país comunista que está comprando o Brasil a preço de banana (vide Delfim Neto). A China, comandada pelo ditador Xi Jinping (reabilitador do genocida Mao Tse Tung, o “Timoneiro da Revolução Cultural”), vem sendo acusada por alguns países africanos de impor na área uma espécie de neo-colonialismo, violento, usurpador e implacável.

    Por fim, nas páginas de O Globo, jornal que a cada dia perde mais assinantes, a engajada articulista Miriam Leitão pergunta: “Será bom ou ruim para as Forças Amadas emprestarem seu prestígio e terem tamanha simbiose com o governo?”

    Aqui, é preciso acentuar que os generais da reserva que compõem parte do governo Bolsonaro não representam obrigatoriamente o conjunto das Forças Armadas. Depois, ao diminuto grupo de oficiais sempre haverá o recurso de não mais “emprestar o seu prestígio” ao governo eleito de Jair Bolsonaro. De minha parte, creio que ao lado da população que o elegeu levada por suas idéias, caráter, valores e compromissos assumidos Bolsonaro sempre encontrará o apoio necessário para fazer as mudanças que o País aspira e quer – muito longe da agenda enxundiosa de O Globo e periféricos.

    PS – Recebo de leitor ampla reportagem do jornal espanhol El País (de 07/08/2018, assinada por Marina Rossi e Felipe Betin) em que o coronel da reserva Rubens Pierrotti Junior acusa o general Mourão de favorecer empresa em contrato do Exército. A matéria trata de suspeitas de irregularidades em contratos que envolvem militares, uma empresa da Espanha e um lobista. A investigação da denúncia envolve um dossiê de 1.300 páginas, ao qual El País teve acesso através da BrasilLeaks, uma plataforma on-line de denúncias anônimas ao estilo da WikiLeaks.

    Contestando com veemência a denúncia de corrupção feita pelo coronel Pierrotti sobre a concorrência e desenvolvimento de um Simulador de Apoio ao Fogo (ocorridas entre 2012 e 2016), o general Mourão disse que iria processá-lo por difamação, ao tempo em que o considerou um “psicopata” e “ressentido”.

    (*) Ipojuca Pontes, ex-secretário nacional da Cultura, é cineasta, destacado documentarista do cinema nacional, jornalista, escritor, cronista e um dos grandes pensadores brasileiros de todos os tempos.

    (site Ucho.Info)

    • É muito provável e existe uma aura para isso! Todo vazio atrai um conteúdo.
      Como estariam pensando, diante desse estado de engessamento e perplexidade: um general, um almirante é um brigadeiro patriotas: “Poxa, foi justamente para esse “camaleão”, que emprestamos a credibilidade verde-oliva, que a população ainda deposita em nós. Agora, corremos o risco de ser desmentido todo o nosso propósito que tínhamos para com os nossos compatrícios, graças a incompetência generalizada desde moço.
      Mas ainda há tempo de lavarmos a nossa honra: vamos destituí-lo já, e materializar a intenção, a qual nos levou a acessar ao poder pela via eleitoral” Time is up!

  5. Oh Deus, oh dia oh azar, isso não vai dar certo.
    As penas delirantes é que não vão aguentar 6 meses, e é só na cabeça deles que o Olavo do carvalho é um guru, é ser muito imbecil, achar que só uma pessoa é detentora de um sentimento comum a uma imensa massa de pensadores.
    E só um imbecil completo e sem a minima capacidade de pensar por si,é capaz de dizer que os outros o fazem.

  6. “PUXADINHO” – Num dos momentos mais exaltados ao tratar do escritor e de suas indicações no governo, Alcolumbre chegou a dizer que o governo precisa entender que o parlamento não é um “puxadinho” do Planalto.

    O nobre senador tem a mente muito fraca, quem tratava o parlamento como capacho vendido era o pt e companhia .

  7. O Brasil está cagando e andando pra esse detalhe. Sobre essa tal de Marielle, o povão quer saber como vai terminar o ‘barraco’ pra ver quem fica com a herança: a ‘marida’, a filha ou os pais?

      • mariele á aquela do PSOL, partido que defende bandido, assegurando-lhes tratamento humano e com todos os direitos constitucionalmente garantidos, dando-lhes dignidade. Além de que o PSOL repudia a prisão do ser humano, defendendo a liberdade inclusive do criminoso, pois a prisão não resolve! Portanto, em memória de mariele, defensora dessas idéias, que os rapazes suspeitos de tirar-lhe a vida, tenham tudo isso GARANTIDO! Prisão não resolve! Soltem!

  8. Congresso bom era com Lula, não era puxadinho, era como a mulher de Cesar, honesto e mostrava ser honesto, foi o berço das almas mais puras talvez um reduto de Catões, probos.
    Os governos anteriores estavam prenhes de Varões de Plutarco, de homens probos, cheio de serviços à pátria, e por isso comparável aos gregos e romanos biografados por Plutarco.

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