Bolsonaro exalta cloroquina e diz que reclamação sobre quarentena deve ser feita a governadores

Bolsonaro manda recado e diz que “paciente troca de médico”

Daniel Carvalho
Folha

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse nesta quinta-feira, dia 9,  que, por decisão do Supremo Tribunal Federal, não pode impedir a restrição de circulação e o consequente fechamento do comércio pelo país.

Em sua live semanal, ele orientou que as pessoas reclamassem com governadores e prefeitos. “Está na tela aqui na frente uma decisão de um ministro do Supremo Tribunal Federal”, afirmou Bolsonaro na transmissão ao vivo.

RESPONSABILIDADE – “A gente vai recorrer, mas tem um lado positivo até. Dizendo que claramente que quem é o responsável por ações como imposição de distanciamento e isolamento social, quarentena, suspensão de atividades — você que está sem trabalhar— bem como aulas, restrição de comércio, atividades culturais e circulação de pessoas, quem decide isso é o respectivo governador ou prefeito. Afastou o governo federal de tomar decisões neste sentido.”

A declaração ocorre um dia após o ministro do STF Alexandre de Moraes decidir que governos estaduais e municipais têm autonomia para determinar o isolamento social. Na live, Bolsonaro disse respeita a decisão, mas que o governo irá recorrer.

“Não vou entrar em polêmica aqui, a decisão do Supremo então. Quem decide são os governadores, são os prefeitos, e o presidente da República, no caso o chefe do Executivo federal, não posso entrar nessa área aí, tudo bem.”

MEDIDAS DE RESTRIÇÃO – Segundo Moraes, o governo federal não pode “afastar unilateralmente” as decisões de executivos locais sobre as medidas de restrição de circulação que vêm sendo adotadas durante a pandemia do novo coronavírus. E esclarece que a decisão vale “independentemente” de posterior ato do presidente em sentido contrário.

“Então, a responsabilidade, se você tem algum problema no teu estado, acha que a quarentena, as medidas tomadas pelo seu estado estão te prejudicando, o foro adequado para você reclamar é o respectivo governador, o respectivo prefeito”, afirmou nesta quinta-feira o presidente, que desde o início do enfrentamento ao coronavírus destoa da orientação de seu ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que recomenda o distanciamento social.

RECURSOS – Bolsonaro disse que o governo está gastando cerca de R$ 600 bilhões em ações de enfrentamento ao coronavírus e seus efeitos econômicos, mas que os recursos têm limite. E insistiu no que chama de isolamento vertical, no qual apenas os grupos de risco ficam afastados do convívio pessoal.

“Acredito que três meses ou quatro meses, fica complicado. A gente espera que as atividades voltem antes disso até. Por mim, quem tem menos de 40 anos já estaria trabalhando sem problema nenhum.”

PASSEIO – Antes de fazer a sua live semanal no Palácio da Alvorada, Bolsonaro foi até uma padaria em Brasília. Em imagens divulgadas pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), seu filho, o presidente aparece abraçando pessoas que se aglomeraram ao seu redor.

Moraes decidiu na ação em que a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) pede para o Supremo obrigar Bolsonaro a seguir as recomendações da OMS (Organização Mundial da Saúde).

EFICÁCIA – Segundo Moraes, a eficácia do isolamento social, da suspensão de atividades de ensino e a restrição a comércios, atividades sociais e à circulação de pessoas estão comprovadas por vários estudos científicos e seguem as recomendações da OMS.

No processo, a Advocacia-Geral da União afirmou que o Poder Executivo tem seguido todas as orientações da OMS. Bolsonaro, no entanto, tem criticado o isolamento social e defendido o que chama de isolamento vertical —apenas para pessoas em situação de risco.

FLEXIBILIZAÇÃO – A decisão é mais uma sinalização de que o Supremo está disposto a derrubar eventual decreto de Bolsonaro para flexibilizar a quarentena. Moraes afirma que a sobreposição de decisões a respeito podem criar riscos sociais e à saúde pública que justificam a concessão da liminar. A decisão tem efeito até o plenário do STF analisar a matéria.

Na live, Bolsonaro voltou a defender o uso da hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19 e, novamente, fez propaganda de uma marca do remédio, exibindo a caixa para a câmera e citando o nome do laboratório.

SEM COMPROVAÇÃO – “Você pergunta para qualquer um… o cara pode dar uma de galo até agora e falar que não. Se tua mãe, teu pai ou você, numa certa idade, tiver alguma comorbidade, uma doença outra, e você for infectado, você tomaria ou não tomaria [hidroxicloroquina]? Você tomaria? Eu também tomaria”, disse Bolsonaro.

E seguiu parodiando Mandetta, que afirmou que um médico não abandona o paciente ao comentar se pediria pediria demissão do cargo em meio ao processo de fritura a que vinha sendo submetido.

“Minha mãe está com 93 anos de idade. Está na cara que ela vai tomar [hidroxicloroquina]. Democraticamente, ela vai tomar. Sem problema nenhum. Lógico, vai consultar o médico, né, e se o médico… com toda certeza o médico vai ser favorável, tenho certeza disso. Que o médico não abandona o paciente, mas o paciente troca de médico”, afirmou Bolsonaro.

KALIL – O presidente voltou a citar o cardiologista Roberto Kalil Filho, do Hospital Sírio-Libanês, parabenizando-o por ter declarado que foi medicado com a hidroxicloroquina. Na menção, aproveitou para criticar o coordenador do comitê de controle do coronavírus em São Paulo, o médico David Uip, alvo de críticas de bolsonaristas por não responder se usou a cloroquina em seu tratamento contra o coronavírus.

“Eu havia conversado com doutor Kalil, ele estava em situação crítica, confessou, falou que usou a cloroquina, diferentemente daquele outro cara, daquele outro colega lá que é ligado ao governador [de São Paulo, João Doria (PSDB)], e obviamente deu força a isso daí”, declarou o presidente.

“E doutor Kalil mesmo, numa das entrevistas, que eu achei muito bacana porque ele falou que usou [cloroquina] e que também ministrou a pacientes. Ele falou o seguinte: ‘não dá para esperar. Se eu for esperar que os estudos científicos estejam comprovados, vai levar um ou dois anos. Quem está aqui acometido da doença, não pode esperar. Vai morrer, a grande maioria vai morrer”, disse Bolsonaro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
Bolsonaro segue com a política de polemizar e colocar seus “adversários” na berlinda, se eximindo de qualquer responsabilidade. Aposta na cloroquina sem base científica. Só ele a descobriu e tem garantias, ao contrário do resto do mundo e de toda uma infinidade de pesquisadores. Ao mesmo tempo, quebra protocolos e diz que os mais jovens podem sair para trabalhar e “se molhar” na chuva pandêmica. E o que os mesmos fazem quando retornarem aos seus lares e dividirem espaço com seus pais e avós ? Ao invés de ter soluções estratégicas e pensar (?) em ser verdadeiramente um governante, aposta em balelas e joga na conta do Abreu a dificuldade que tem em administrar um país. Apostar em remédio sem comprovação e mandar tudo voltar ao normal é rubricar o atestado de milhares de pessoas que terão suas vidas colocadas sob risco. E ainda tem fanático dizendo que tudo isso é exagero para tentar derrubar o “mito”. (Marcelo Copelli)

37 thoughts on “Bolsonaro exalta cloroquina e diz que reclamação sobre quarentena deve ser feita a governadores

  1. A exaltação de Bolsonaro pela cloroquina corresponde à realidade de que ela tem salvo vidas.
    Depoimentos em vídeos de médicos, que até contraíram a tal gripe mostram que se curaram com ele e em dezenas de seus pacientes.

    Pronto, coloquei um fato concreto e a lixarada da esquerda aqui presente vai berrar que eu sou bolsonarista.

    Sabe como é essa gente, por ser adepta de um credo político, age como robôs, pois todo credo programa seus crentes para agir segundo seus dogmas.

    Não que o outro lado valha alguma coisa, mas nele, por não ser um credo, uma religião politica, e por isso não tendo dogmas para aprisionar ninguém, ainda pode-se encontrar alguém com um mínimo de bom senso.

    • Errata:no lugar de “pois todo credo programa seus crentes para agir segundo seus dogmas.” é “pois em* todo credo programa seus crentes *tem que agir segundo seus dogmas.”

  2. Governados pelo PT, os Estados do Ceará e Piauí vão adotar um protocolo médico com uso de medicações à base de cloroquina e hidroxicloroquina para tratamento da covid-19. Os Estados pretendem usar as substâncias na fase inicial da doença, como estratégia para evitar para que os casos evoluam para infecções respiratórias graves.
    Abandonaram a ala obsessiva ideológica e pensaram nas pessoas. Parabéns!

    https://valor.globo.com/politica/noticia/2020/04/09/governados-pelo-pt-ceara-e-piaui-adotarao-protocolo-com-substancia.ghtml

  3. “comprovadas por vários estudos científicos e seguem as recomendações da OMS”

    Os estudos que embasam as recomendações da OMS são elaborados segundo o consenso do PCC e as ordens do seu tiranete. O iluminismo científico do Xixi tornou-se unânime entre a bandidocracia tupiniquim e seus lacaios. Nelson Rodrigues errou; aqui, a unanimidade não é burra … é a luz divina.

    • Bem lembrado.

      Para não esquecer também , o dinheiro americano sustenta muitas organizações como essa OMS pelo mundo a fora e Trump já avisou que vai cortar esse dinheiro que se destina a ela.

      Um fato irrefutável na esquerda é que ela sempre combate aqueles que não compartilham de seu credo político, conhecido como socialista, mas não rasgam o dinheiro que recebem deles.

  4. A ultima do “mito”:

    “Médico não abandona paciente, mas paciente troca de médico’, diz Bolsonaro em live no Facebook”.

    Ou seja, sempre querendo tumultuar.

    É um despreparado. Coitado do povo deste país, excluindo, claro, os “ridículos fanáticos” ou “fanáticos ridículos”, que defendem esse incompetente.

  5. “Diálogo sugere que Onyx vê Bolsonaro fraco e sem pulso, indica traição e cria climao”.

    Demorou pra descobrir que o “mito” é fraco.

    Antes tarde do que nunca.

  6. O Bolsonaro é ímpar: nem em ficção alguém imaginaria uma pessoa tão confusa, tão invejosa, tão belicosa. Ele não pode ser normal e não pode também ser normal termos uma pessoa assim como presidente. E o pior é que essa abnormalidade é transmissível! (vejam os filhos)

  7. Em vez de dar graças a Deus que a tarefa de descascar o abacaxi da decisão de declarar quarentenas esteja nas costas de governadores e prefeitos, o presidente aumenta o tom da polemica. Com relação ao aumento dos gastos e consequentemente da divida pública isso foi uma contigencia prevista em lei e na constituição por motivos de calamidade pública, logo ele não corre nenhum risco de ser “impichado” por causa disso.
    Mas ele faz questão “de atravessar a rua para escorregar na casca de banana que não está no seu caminho”, quando incentiva milhares,talvez milhões de pessoas a ignorarem as normas de evitar aglomerações. Se houver provas futuras de que pessoas vierem a falecer ou ficaram muito debilitadas por conta de terem sido infectadas por causa dessas aglomerações, e as mesmas ou em caso de morte seus parentes entrarem na justiça acusando-o, o Presidente Bolsonaro, poderá se ver em maus lencois, aí sim o impeachment, passa a ser uma possibilidade real, apesar de no meu ponto de vista, inadequada. Mas quem vai decidir isso vai ser o Congresso que não está nada amigável com o Presidente da República.
    Se seguisse o velho conselho de que em situações dificeis, cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém, escaparia de ter de enfrentar muitos dissabores futuros.

    • Aliás se ele se declarasse a favor de ser ministrado caldo de galinha, com certeza a polemica seria muito menor que que receitar cloroquina. Caldo de galinha não tem nenhuma contra indicação com certeza, nenhum médico iria condenar a velha receitinha da vovó. E remédios é coisa que tem que ser receitada por médicos e não por curiosos, isso a maioria esmagadora das pessoas concordam

  8. “A reitoria da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) publicou uma nota na quinta-feira (9) em que diz que as manifestações de apoio ao uso da cloroquina ou da hidroxicloroquina contra a Covid-19 – a doença causada pelo coronavírus – “se baseiam em evidências frágeis”, e não em investigações sólidas e fundamentadas em ensaios clínicos controlados.”

    Têm que convencer o “mito” da medicina.

  9. Iniciada pelo editor uma nova rota de fuga para aqueles que não tem capacidade e coragem para enfrentar um debate sério, por falta de argumentos com correspondência na realidade dos fatos.

    Essa rota de fuga consiste em classificar de robôs aqueles com quem não se tem coragem de enfrentar num debate.

  10. Senhor editor, a pedido de um comentarista ofendido, sugiro não mais chamar os “ridículos fanáticos” do mito de robô.

    Sei que devemos nos dirigir às pessoas de acordo como elas se apresentam, mas, tendo em vista que a donzela vestiu a carapuça, devemos, também, repensar, pois esse estigma poderá leva-lo à depressão.

    Tadinha!

  11. O mais divertido e ridículo é ler “o remédio de Bolsonaro”.

    Apesar das orientações médicas quanto ao uso desta droga, cloroquina, os adeptos do presidente, admiradores e seguidores, deverão começar a tomar o remédio como e fosse o antigo Biotônico Fontoura.

  12. Por favor Bendl, não distorce a informação. Esses remédios são todos por prescrição médica. O presidente só citou o remédio, não disse como toma-lo. Bendl vc é melhor que isso. abraços.

  13. “Estados e municípios podem decidir sozinhos sobre quarentena e isolamento, determina Alexandre”

    Deveria concluir com o corolário: … e que arquem com os ônus e bônus de suas decisões.

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