Bolsonaro faz economia desabar e Barroso diz que falta de compostura envergonha o país

Nas cordas, Bolsonaro agora tenta se agarrar ao fiapo de defesa que lhe resta

Pedro do Coutto

Os ataques que o presidente Jair Bolsonaro desfechou contra o ministro Alexandre de Moraes, contra o Supremo Tribunal Federal e a favor do não cumprimento de sentenças judiciais fizeram a economia desabar imediatamente no dia seguinte à data da Independência. A Bolsa de Valores recuou, o dólar subiu, a inflação acelerou e os preços dos alimentos, até nas feiras livres do Rio de Janeiro, aumentaram acentuadamente, inclusive como demonstrou a reportagem da TV Globo no início da tarde de ontem.

Também ontem, reportagem de Vitor da Costa, Stephani Tondo e João Sorima Neto, O Globo, assinala a falta de rumo no mercado em consequência do agravamento da crise política que atingiu o seu ponto máximo, aliás como escrevi ontem. Na Folha de S. Paulo, Daniele Madureira destaca a reação negativa do pronunciamento de Bolsonaro nas classes empresariais que sustentaram que o presidente da República deve se empenhar, isso sim, para a retomada econômica do Brasil e não perder o rumo político da situação nacional.

RUMOS DA DEMOCRACIA – Na minha opinião, o desabamento causado por Bolsonaro só não atingiu a extrema-direita, mas alcançou duramente os próprios setores conservadores que estão preocupados com os rumos da democracia e com as eleições de outubro de 2022. Na Folha de S. Paulo, o economista Sérgio Lazzarini, em entrevista ao repórter Douglas Gavras, assinala que as ameaças de Bolsonaro jogam fora as perspectivas de recuperação da economia brasileira em um quadro tumultuado em que investimentos importantes, com reflexo no mercado de empregos, terminam não se realizando.

Enquanto escrevo esse artigo, há a notícia de que Bolsonaro recuou e diz que tudo foi dito no calor do debate. No fim da tarde de ontem, o presidente da República divulgou texto recuando praticamente de forma total em relação às ofensas dirigidas ao ministro Alexandre de Moares, buscando retratar-se em relação a sua participação nas manifestações do dia 7 de setembro.

Bolsonaro atribuiu tudo ao calor do debate e o seu recuo foi assim total, um rendimento político às forças que se uniram contra ele que tenta, com isso, ganhar tempo para sobreviver. Se ele recuou é porque espera um período que julga suficiente para respirar e sair das cordas. Mas os ataques feitos ao Supremo continuam e o teste definitivo será, sem dúvida, quando Bolsonaro cumprir as decisões do ministro Alexandre de Moraes e do STF.  O presidente, na minha opinião, ficou sem espaço e como última tentativa deixa o ataque e passa para a defesa. Quanto tempo durará essa defesa é a pergunta que se pode fazer.

DURO DISCURSO – O pronunciamento de Luís Roberto Barroso, antes da declaração de Bolsonaro no fim da tarde de ontem, foi sem dúvida o mais duro e frontal feito por um magistrado contra a falta de rumo e de legitimidade de propósitos demonstrada pelo presidente da República, e que deveria ser o primeiro a defender as leis e as instituições.

Barroso atacou duramente o presidente Bolsonaro, acusando-o de falsificar fatos e manter um comportamento marcado pela falta de compostura, situação que está envergonhando o Brasil perante o mundo, acusando sem provas, repetindo seguidamente inverdades e não enfrentando os verdadeiros problemas nacionais, como o desemprego, a pandemia, a queda do poder de compra e a falta de perspectiva para a sociedade brasileira.

O desfecho da crise instaurada está gerando uma paralisia econômica e social, cujos reflexos são negativos. Na minha impressão, o país só retomará as suas atividades normais a partir do momento em que Jair Bolsonaro deixar a Presidência da República.

FLAMENGO NÃO JOGA SOZINHO – Atendendo pedido do Flamengo, a Prefeitura do Rio decidiu permitir que os jogos do time possam ter acesso de público pagando os seus ingressos. Dezenove clubes e a CBF estão recorrendo contra a decisão. Surpreendentemente, o prefeito Eduardo Paes não se pronunciou até o momento. É preciso considerar um fato que se sobrepõe a qualquer outra interpretação: o Flamengo não joga sozinho, por isso os seus adversários participam da receita decorrente dos ingressos.  

Mas como dividir essa receita se a Prefeitura se refere apenas ao Flamengo? No futebol não existe exibição sem adversário e sem competição. Não é possível assim atribuir-se um tratamento a um clube por mais popular que ele seja sem que tal decisão interfira no interesse dos demais. O futebol é um espetáculo para as multidões, seja pela TV ou pelo público presente. Mas em nenhuma situação pode se levar em conta o privilégio deste ou de outro time em relação às equipes que dão vida aos campeonatos.

17 thoughts on “Bolsonaro faz economia desabar e Barroso diz que falta de compostura envergonha o país

  1. Como já havia dito em outra postagem, guerra se resolve com diplomacia ou força .

    Bolsonaro como democrata radical fez o que um estadista faria , usou a diplomacia para estancar a crise que não iniciou .

    Chamou o maior amigo do principal inimigo para mediar o conflito e costurar um acordo .

    Agora com o acordo feito a bola está com o outro lada se deixar cair, não tem volta .

    Sabe os inimigos que a maioria está do lado dele e não é uma boa colocar combustível nessa fogueira de vaidades.

    ” recuar não é retroceder “

    • Comentaram que o Bolsonaro estava aterrorizado com a idéia de o seu filho, envolvido com rachadinhas e a milícia, fosse preso pelo min Alexandre de Moraes. Daí se acovardar, voltar atrás e pedir desculpas.
      Outra suposição é a de que o min Moraes talvez não puna o filhinho rachador do presidente em troca pela paz entre os poderes. Isso seria um grande erro do ministro e desmoralizaria ainda mais o STF.

  2. Lei do mandante, o flamengo fica com toda a renda.

    O “Barrose” falar em falta de compustura? Kkk…kkk…kkk…kkk…kkk…kkk…kkk… o advogado inocentador de terrorista não se enxerga não?

  3. O dolar continua caindo, o que mostra que os investidores estão certos do fim do Bozo. Mas que não fique por isso mesmo: os seus filhotes têm que ser presos (se incriminados).

  4. Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele, para que não aconteça que o adversário te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao oficial, e te encerrem na prisão.

    Mateus 5:25

  5. Vamos entender o que aconteceu. A quarta feira foi um dia de ressaca para o Mito, passado o efeito dos remédios ingeridos na terça e da excitação proveniente da triunfante vista de milhares de acólitos enlouquecidos, amanheceu o dia um tanto confuso sobre o que tinha acontecido e, aí, sabiamente, convocou seu ministério para informá-lo e confortá-lo.
    Mas…as notícias não eram boas, os efeitos mais catastróficos da Luta pela Independência persistiam, os caminhoneiros, acreditando seguir os anseios do Grande Líder, fechavam estradas em diversos estados gerando pânico e incalculáveis prejuízos à economia, o Capital estava apavorado, a bolsa derretia e o dólar disparava, enfim, a conclusão do Conselho de Ministros: O tiro saiu pela culatra!
    De volta à luz do dia e dos fatos, o pior, partidos opositores se coordenavam para posicionar-se sobre o impeachment, e…uma tragédia, o PMDB sentava à mesma mesa.
    O Ciro Nogueira foi despachado urgentemente às compras, mas voltou com o saldo do talão de cheques a zero e sem contrato de garantia.
    Mais um revés, o Ministro Luiz Fux peita e enquadra o elemento e a reação ao desvario presidencial se alastra pelos círculos influentes na política, economia e opinião pública.
    Mais uma noite a base de ansiolíticos e calmantes, para enfrentar uma reunião dos Brics, morrendo de medo de ser espinafrado pelo seu comportamento insano. A solução, mais remédios e bajulação à China, Rússia e até Cuba que aparecesse.
    Nessas alturas, com o libelo do Barroso nas costas e a chamada dos “patrões” a solução que surge é…adivinhem…Michel Temer. Por que?
    Porque além de ser o rei do conchavo, o dono do PMDB, ameaça explícita ao seu mandato, é amigo e padrinho do Xandão, sim daquele que parece ser o único macho em toda comédia absurda em que se transformou o Estado Brasileiro e poderia se transformar em ameaça física ao Mito.
    O recuo covarde e humilhante, com toda certeza será transformado em “tática brilhante” lá mais para a frente, pelos acólitos a soldo, mas única realidade, HOJE, é que recuou. além da conveniência política, por pura covardia, como recuou diante dos moleques que lhe levaram a moto e a pistola, como recuo depois de esbofeteado pelo marido da Ana Cristina, como recuou ante a publicação das sua mentiras de comando do exército.

  6. “Compostura”, o roto falando do rasgado, não esquecemos sua ardorosa defesa de Cesare, assassino e terrorista, condenado a pérpetua na Italia, cumprindo pena.

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