Bolsonaro faz novo ataque ao voto eletrônico para justificar a entrega da Casa Civil ao centrão

Foto: Reprodução/Redes Sociais

Bolsonaro diz que mandou investigar sobrepreço no Butatan

Daniel Carvalho e Danielle Brant
Folha

Em mais uma tentativa de desacreditar o sistema eleitoral brasileiro, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse nesta quinta-feira (22) que não pode admitir que “meia dúzia [de] pessoas, de forma secreta” contabilizem os votos no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

​”Eu não estou acusando servidores do TSE. Eu não posso admitir que meia dúzia de pessoas tenham a chave criptográfica de tudo, e essa meia dúzia depessoas, de forma secreta, conte os votos numa sala lá do TSE. Isso não é admissível”, disse Bolsonaro em entrevista à rádio Banda B, de Curitiba.

SEM DÚVIDAS – “A própria Constituição fala em contagem pública dos votos. O que que nós queremos? Olha o que que eu estou querendo. Estou querendo transparência. Nada mais além disso. Não podemos terminar as eleições de 2022 e o povo aí ficar na dúvida. ‘Será que este cara ganhou? Será que o processo foi limpo, foi transparente?'”, afirmou o presidente.

Bandeira do bolsonarismo, o voto impresso quase foi derrotado em reunião na sexta-feira (16) em uma comissão especial da Câmara, mas uma manobra de governistas adiou a votação para 5 de agosto, depois do recesso parlamentar, que vai de 18 a 31 de julho.

O tema tem sido usado insistentemente por Bolsonaro para fazer ameaças golpistas contra as eleições de 2022. Ele já afirmou, várias vezes, que, se a mudança não ocorrer, não haverá eleições. Uma reação de 11 partidos, porém, virou o jogo e, até a última sexta, garantia uma maioria para rejeitar a proposta.

QUORUM ESPECIAL – Mesmo que avance na comissão especial, para aprovar uma PEC são necessários ao menos 308 votos na Câmara (de um total de 513 deputados) e 49 no Senado (de um total de 81 senadores), em votação em dois turnos. Para valer para as eleições de 2022, a proposta teria que ser promulgada até o início de outubro.

Ou seja, as chances de a proposta prosperar para o próximo pleito eram consideradas remotas mesmo antes de fala de Bolsonaro admitindo a provável derrota.

Nas últimas semanas, Bolsonaro provocou uma crise institucional ao afirmar que as eleições de 2022 podem não ocorrer caso não seja adotado uma modalidade de voto confiável — na visão dele, o impresso.

NÃO HÁ PROVAS – Sem apresentar provas, Bolsonaro alegou mais uma vez ter indícios de fraude na eleição presidencial de 2014, apesar de o próprio derrotado no segundo turno daquele ano, o hoje deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG), ter declarado não acreditar que tenha existido essa irregularidade naquela disputa.

O mandatário também já afirmou —de novo sem provas— que houve fraude na eleição de 2018, quando ele derrotou Fernando Haddad (PT). A alegação de Bolsonaro é que ele teria recebido mais votos do que os que foram computados. Ele nunca apresentou evidências dessa acusação.

Nesta quinta-feira, o ministro da Defesa, general Walter Braga Netto, fez coro a Bolsonaro e disse em nota que existe no país uma demanda por legitimidade e transparência nas eleições.

VOTO AUDITÁVEL – Segundo ele, mais uma vez levantando uma bandeira bolsonarista, a discussão sobre o “voto eletrônico auditável por meio de comprovante impresso é legítimo”.

“Acredito que todo cidadão deseja a maior transparência e legitimidade no processo de escolha de seus representantes no Executivo e no Legislativo em todas as instâncias”, afirmou o militar.

Também nesta quinta-feira, no início desta tarde, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), publicou no Twitter uma mensagem na qual afirma que as decisões sobre o sistema político-eleitoral cabem ao Congresso e que as eleições são inegociáveis.

“Seja qual for o modelo, a realização de eleições periódicas, inclusive em 2022, não está em discussão. Isso é inegociável. Elas irão acontecer, pois são a expressão mais pura da soberania do povo​”, escreveu.

Na entrevista desta quinta-feira, Bolsonaro ainda confirmou o nome do senador Ciro Nogueira (PP-PI) para comandar a Casa Civil e justificou a troca de um militar por um líder do centrão na reforma ministerial que decidiu conduzir agora, momento de fragilidade do governo.

“Quando eu coloco um militar dentro do governo, há críticas também: ‘Mais um militar’. Boto um parlamentar: ‘Ah, um parlamentar’. Pessoal, se você tem críticas a deputados do centro, não vote mais nesses candidatos por ocasião das eleições do ano que vem. É simples a coisa”, afirmou Bolsonaro.

GENTE BOA – Diante das críticas por se aproximar ainda mais do centrão, o mandatário disse ter nascido do grupo de partidos conhecido pela troca de apoio por cargos e emendas.

“Todo e qualquer partido tem gente boa e gente que não está muito interessada em fazer a coisa certa. Agora, eu tenho e pretendo, dentro das quatro linhas da Constituição, buscar apoio dentro do Parlamento.”

Bolsonaro disse que a reforma ministerial é algo “praticamente certo”. “Vamos botar um senador aqui na Casa Civil que pode manter um diálogo melhor com o Parlamento brasileiro”, afirmou Bolsonaro​.

CONVITE ACEITO – O mandatário disse já ter conversado com o senador e que o convite foi aceito. Ele o encontrará na segunda-feira (26) para o acerto final.

“Não vamos ter problema nenhum no tocante a bem conduzirmos as questões afetas à Casa Civil. E a Casa Civil é o ministério mais importante nosso, é o que trata da coordenação entre os ministérios. Então, é uma pessoa que nos interessa pela sua experiência, que pode, no meu entender, fazer um bom trabalho aqui”, declarou.

Bolsonaro minimizou o descontentamento do atual titular da Casa Civil, o general Luiz Eduardo Ramos, que será deslocado para a Secretaria-Geral, um ministério que tem menos relevância, apesar de ficar fisicamente localizado próximo ao presidente, no Palácio do Planalto.

CONTINUA MINISTRO – “Na área militar é assim, a gente costuma tomar algumas decisões sem ouvir muita gente. Se bem que o Ramos está todo dia aqui, cinco, seis vezes comigo. Ele sabe qual é o comportamento e a nossa intenção”, disse Bolsonaro.

“Ele não saiu. Ele continua sendo ministro, um ministério importante que ele ocupa também, chama-se ministro palaciano, está o tempo todo em contato conosco. E esses ministros palacianos sempre trazem informações de outros ministérios.”

Bolsonaro também confirmou que o atual chefe da Secretaria-Geral, Onyx Lorenzoni, vai ocupar o Ministério do Trabalho e Previdência, que será recriado a partir do desmembramento de duas secretarias do ministro Paulo Guedes (Economia). “Esse que é o quadro pintado aqui agora. Nenhuma mudança drástica no meu entender. Acho que melhora a interlocução com o Parlamento e nós continuamos dentro da normalidade aqui, conduzindo o destino da nação”, afirmou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Com essa mudança no Planalto, o governo fica como o enigma do ovo e da galinha, porque não se sabe se o centrão controla o governo, ou se o governo é controlado pelo centrão. Na entrevista a maior piada foi a denúncia sobre o Butantan. “A empresa que fabrica a Coronavac, a matriz que fornece o IFA na China, ofereceu para nós agora essa vacina a 5 dólares. Eu pergunto a você, por que o Butantan vende a 10 dólares?”, disse o presidente, como se não houvesse custo de produção. (C.N.)

10 thoughts on “Bolsonaro faz novo ataque ao voto eletrônico para justificar a entrega da Casa Civil ao centrão

    • E aí, jumentinhos borxonaristas?

      Tão gostando de ver o capitãozinho se assumindo como Tchutchuquinha do Centrão??

      Mudou o quê desde o discurso do Bananinha???

      O Centrão não mudou né não, vagabundinhos???

      kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk xD

      • “Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiinnnnnnnnnnnnn, num fala mal do meu Mitozinho querido que eu fico loucaaaaaaaaaaaaaa!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!”

        (Escrito em MODO JUMENTINHO BORXONARISTA)

      • DE: Bolsonaro

        PARA: Centrão

        Amada Amante
        (Roberto Carlos)

        Esse amor demais antigo
        Amor demais amigo
        Que de tanto amor viveu

        Que manteve acesa a chama
        Da verdade de quem ama
        Antes e depois do amor

        E você amada amante
        Faz da vida um instante
        Ser demais para nós dois

        Esse amor sem preconceito
        Sem saber o que é direito
        Faz a suas próprias leis

        Que flutua no meu leito
        Que explode no meu peito
        E supera o que já fez

        Neste mundo desamante
        Só você amada amante
        Faz o mundo de nós dois
        Amada amante

        E você amada amante
        Faz da vida um instante
        Ser demais para nós dois

        Esse amor sem preconceito
        Sem saber o que é direito
        Faz a suas próprias leis

        Que flutua no meu leito
        Que explode no meu peito
        E supera o que já fez

        Neste mundo desamante
        Só você amada amante
        Faz o mundo de nós dois
        Amada amante

  1. Boa noite , leitores (as):

    Que autoridade moral o Presidente Jair Messias Bolsonaro tem , em falar de ” TRANSPARÊNCIAS ” ,se ele mesmo mandou esconder do povo por 100 anos , a falsa punição do ex-ministro da saúde / general Eduardo Pazuelo ?

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