Bolsonaro insinua renúncia e abre uma crise política igual a de Jânio Quadros em 1961

História é vida: Jânio – entre a vassoura e a espada

Jânio era um Bolsonaro de vassoura (Foto Erno Schneider)

Pedro do Coutto

O presidente Bolsonaro, manchete principal de O Globo, e chamadas em primeira página da Folha de São Paulo e do O Estado de São Paulo, como se constata, os três maiores jornais brasileiros. As edições desta quarta-feira assinalam nitidamente a profundidade da crise que está envolvendo o governo e colocando em risco o próprio regime democrático.

Aliás, no dia de hoje fica na história universal assinalando para sempre o verdadeiro atentado praticado pelos apoiadores de Donald Trump.

DIREITA DITATORIAL – Temos, assim, duas manifestações da direita que não se conforma com os limites da legislação. E esquecem o princípio hegeliano de que a lei é a conciliação entre os contrários. Mas fiquemos no Brasil.

Jair Bolsonaro afirmou que o Brasil está quebrado e que ele não pode fazer nada, citando como exemplo seu projeto referente ao Imposto de Renda.

O presidente da República atacou frontalmente a imprensa, de modo geral, acusando-a de incentivar a pandemia do coronavírus. Absurdo total. Penso que Bolsonaro está tentando radicalizar o processo político deslocando-o para a área militar. Um desastre sob todos os aspectos.

PONTO FUNDAMENTAL – Na edição de hoje de O Globo, Merval Pereira chamou atenção para um ponto fundamental na manifestação do presidente, que busca o apoio dos militares. “Não posso fazer nada, mas têm de me engolir até 2022”. Em O Globo, a reportagem é de Daniel Gulino, Cássia Almeida e João Sorima Neto. No O Estado de São Paulo está assinada por Emilly Behnke, e na Folha de São Paulo, Ricardo Della Coletta e Bernardo Caram.

Todas as matérias destacam o caráter extremista que reúne o bloco da direita em torno de Jair Bolsonaro. Vale a pena acentuar que o comportamento de Bolsonaro explode também a candidatura de Arthur Lira. Isso porque as correntes políticas vão sentir de imediato a importância das mesas do Congresso Nacional.

O CASO DE JÂNIO – No dia 25 de agosto de 1961, Jânio Quadros renunciava e transportava o impasse da posse de Jango Goulart para o conjunto das Forças Armadas. É compreensível que as novas gerações de jornalistas deixem escapar o exemplo de 1961. Portanto, precisam estudar a história moderna do Brasil.

Em 23 de agosto de 1961, o governador Lacerda, pela TV Tupi, denunciava ter sido convidado por Jânio Quadros para desencadear um golpe no país. A denúncia teve efeito imediato deixando o Senado e a Câmara Federal preparados para um desfecho dramático.

Assim quando a comunicação da renúncia chegou ao Senador Moura Andrade, presidente do Senado, estabeleceu-se o princípio de que renúncia é um ato profundamente pessoal, não cabendo ao Legislativo examinar a comunicação do Planalto. Fica o exemplo em nossa história. Os sintomas são de uma grave crise cujas nuvens fornecem a antevisão de um temporal.

15 thoughts on “Bolsonaro insinua renúncia e abre uma crise política igual a de Jânio Quadros em 1961

  1. De todos os candidatos a presidente, dos últimos tempos, Jair Messias Bolsonaro foi o mais sincero e ilustrativo: passou 28 anos exibindo o seu “modus comportandi talis qualis”.
    Quem nele votou, talvez tivesse caído naquele enredo da esposa que levava uma surra por semana. Até que as duas famílias se reuniram e meteram o espancador na “crença”, objetivando humanizar a fera. -Glórias, agora meu marido vai agir conforme a palavra de Deus! Comemora eufórica a Amélia.
    Lá, nos estudos bíblicos, o pastor leu um trecho que diz ser o homem a cabeça da família e que a mulher deve ser submissa a ele. A partir dali, respaldado na bíblia, o esposo dobrou o número de tacas na companheira.
    Quem sabe os eleitores bolsonaristas pensaram assim: “Bolsonaro é irresponsável, porque ele é deputado; o que ele diz e faz não gera nenhuma repercussão na compliance da República. “Ah meu amigo, mas quando esse ôme sentir o peso daquela Faixa Presidencial, aí você vai ver o show de bola, meu! Tá ligado?”
    Dedução Errônea: se com a simples representatividade parlamentar, ele já pintava o cão, agora imaginem com o poder de Chefe da Nação!
    Aquela frase amordaçadora: “O presidente da República só eu”, já sintetiza tudo!

    • ((Para a advogada e deputada, Janaína Paschoal))>>>>>

      “Ele tem que lembrar que ele é o chefe da nação”, diz Janaina Paschoal sobre Bolsonaro

      A parlamentar comentou ainda sobre as conversas entre Moro e Deltan Dallagnol, opinando que elas não invalidam os julgamentos de Lula

      https://www.google.com/amp/s/www.opovo.com.br/amp/noticias/politica/2019/07/25/ele-tem-que-lembrar-que-ele-e-o-chefe-da-nacao—diz-janaina-paschoal-sobre-bolsonaro.html

    • Foi sincero sim Sr. Paulo.
      Só esqueceu de contar que é um miliciano da pesada…

      A Marielle que o diga.

      Reconheço que o Sr. é muitíssimo bem informado e tem um jeito peculiar de escrever. Diria único.
      Parabéns!

      Dito isto, tenho uma pergunta cabal pro Sr. que é antenadíssimo.
      Pergunto: Sabe porque o carlos bolsonaro não cumprimentou a ex companheira da Marielle no evento da posse na Alerj?

      Tem alguma opinião formada?

      Um forte abraço e respeitoso abraço.
      JL.

      • Bom dia, Espectro! Desculpe-me, somente agora vi seu post. Obrigado pela unicidade que me atribuiu. Você sim, é um comentarista nota 10:
        A meu ver, entre ambos, já preexistia um clima de animosidade, por conta dos escárnios e “vilipêndios” que a família Bolsonaro vinha fazendo contra a memória da extinta Marielle.
        Outro motivo, seria o fato de a Câmara Municipal do Rio ter, possivelmente, servido de bunker, a família de Bolsonaro, para tramar crimes com vereadores ligados às milícias e com os próprios milicianos.
        Assim sendo, uma vereadora desafeta encrustada naquela Câmara representará um forte desconforto ao grupo mafioso, já que ela ali, poderá contar com uma visão mais clara daquilo que estiver sendo tramado para cometimento de outros crimes. Ou mesmo ter acesso a “vestígios” que possam consubstanciar provas sobre o assassinato nebuloso da Marielle.
        Ou seja: Jair Bolsonaro deve ser daquele tipo que mostra o que maltrata, para passar por autêntico e transparente, mas esconde o que mata!

  2. Senhores, Senhoras,

    Assistam ao filme “O Dilema das Redes”, lançado pela Netflix, em 9 de setembro de 2020. O filme analisa o papel das redes sociais e os danos que elas causam à sociedade.

    ASSISTAM AO UM MINUTO EM QUE O BOZÓ E O BRASIL SÃO MENCIONADOS, entendam de a vez por todas o risco que estamos correndo nesse momento extremamente crítico para a Humanidade.

  3. Felipe Quintas (via Facebook)

    A Odebrecht foi destruída por supostamente superfaturar contratos. Mas agora os mesmos que incentivaram o desmanche da maior empresa de engenharia do país e da América Latina (leia-se grande mídia) quer que os governos comprem seringas superfaturadas alegando que a especulação de preços faz parte do tal “mercado”. Observe-se que as maiores fabricantes de seringas para vacinas são empresas dos EUA, da Europa e do Japão, como a Becton Dickinson, a B. Braun Melsungen e a Terumo, entre outras. Para elas não tem Lava-Jato. Elas podem. Elas mandam.

    Se eu sou contra a vacinação? De forma alguma, mas não é essa a questão. O que eu sou contra é fazer da vacinação um meio de espoliar ainda mais países como o Brasil, que lamentavelmente não desenvolveu um complexo industrial nacional de saúde que o permita ter soberania nessas questões de vacinação e outras. Pelo jeito nem vai ter tão cedo, pois isso não é algo que se crie de um ano para o outro.

    Então o Bolsonaro está certo em não querer comprar seringas superfaturadas? Está. Não faz sentido torrar as reservas de dólar do país e nos jogar de pires na mão pro FMI por uma campanha de vacinação que por vários motivos ainda vai se arrastar por muitos anos em TODOS os países (para se ter uma ideia, os países que mais vacinaram até agora foram o Reino Unido, só 1,39% da população; EUA, 1,28%; a Rússia, 0,55%; China 0,31%. A Argentina, “que tem um presidente”, só 0,07%). Além disso, de qualquer forma, a vacinação não acabará com as medidas de confinamento pois elas fazem parte de um plano maior, o Grande Reset, que já cansei de explicar.

    “Mas o Bolsonaro é um entreguista”. É. E pelo visto a oposição a ele é mais ainda, e por isso que ocorre toda uma pressão para tirá-lo, porque os donos da festa já encontraram gente ainda mais entreguista que ele para acelerar a destruição do país.

    https://www.facebook.com/felipe.quintas.1/posts/1497553383775244

      • O presidente disse que o país está quebrado. Pois bem, a repercussão foi catastrófica para o país
        Guedes interrompeu suas merecidas férias para apagar o incêndio. O que ele disse: “o presidente quis dizer, que é o setor público e as empresas estatais, que estão falidos”.
        Jogou mais lenha na fogueira. Esse Guedes, além de incompetente na condução da Economia demonstrou falta de argumentação e lógica.
        Agora todo mundo fica sabendo, principalmente os investidores, que o país está quebrado mesmo.
        Guedes trabalha para isso, só dar isenções fiscais, exatamente como a Dilma cansou de fazer, ao isentar as concessionárias de aeroportos, do pagamento de 15 bilhões do valor de outorga do ano de 2020.
        Espero que em 2022, essa turma não incentive a invasão do Congresso, como Trump acaba de fazer.
        Quem dúvida disso?

    • Bom dia,
      jovem Renato.
      Se os acusadores dessem alternativas aos problemas apresentados.
      O Brasil seria o país das maravilhas.
      Alguns patriotas, masoquistas o são.
      Por ex. o caso do jornalista preso incomunicável sem crime.
      Aos poucos patriotas uma sugestão.
      Vou-me embora pra Pasárgada [Manuel Bandeira] .
      ou peguem o banquinho e saiam de fininho.

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