Bolsonaro não é mais o mesmo, nem parece comandante supremo da Forças Armadas…

Bolsonaro à solta, outra vez - TIJOLAÇO

Charge do Nani (nanihumor.com)

Carlos Newton

Comecei a escrever este artigo às 18 horas de ontem. Fiquei esperando uma declaração dura do presidente Jair Bolsonaro contra a decisão do Supremo Tribunal Federal, que no placar de 8 a 2 destruiu o esquema de compra de votos no Congresso, através das emendas parlamentares do chamado orçamento secreto.

Foi um duríssimo golpe na sua campanha pela reeleição, que depende agora da votação da PEC dos Precatórios pelo Senado, com obrigatoriedade de conseguir apoio de 49 dos 81 senadores, em duas votações separadas, o que não é nada fácil, e próprio presidente já admitiu: “Vamos ter problemas no Senado”, disse segunda-feira, em entrevista à Rádio Jovem Pan de Curitiba.

SILÊNCIO DE BOLSONARO – Bem, na noite de terça-feira, a Câmara aprovou a PEC em segundo turno, uma grande notícia para o chefe do governo, mas ele não fez nenhum comentário, porque ao mesmo tempo circulava a informação de que o Supremo tinha arrebentado o orçamento secreto, uma péssima notícia para o governo, que o presidente também não comentou.

Afinal, o que está acontecendo? Mudou o Natal, mudei eu ou Bolsonaro é que mudou? Como silenciar, num momento decisivo como este, que o general logístico Eduardo Pazuello certamente classificaria de dia D e hora H?

Bem, eu não mudei, continuo morando no Edifício Zacatecas, e o Natal será dia 25 de dezembro, igualzinho ao ano passado, com muito consumismo e pouca religiosidade. Então, só pode ter sido Bolsonaro que mudou…

VELHO CAPITÃO – O fato concreto é que Bolsonaro mudou muito. Não mais que de repente, no dia 8 de setembro, o velho capitão (desculpe, Assis Chateaubriand, por lhe roubar o apelido) desapareceu do mapa, tragado pelos acontecimentos, e surgiu em seu lugar um modelo recauchutado, exibindo os antigos defeitos de fabricação, mas com escapamento menos ruidoso.

Funciona do mesmo jeito, aos solavancos, porém não faz mais tanto ruído, o motor não pode rodar com a descarga aberta, fazendo barulho por nada. Desde 8 de setembro, não deve mais reclamar do Supremo nem ameaçar descumprir suas decisões. Pelo contrário, tem de entubá-las tipo endoscopia ou colostomia.

Também não pode mais falar nas quatro linhas, no artigo 142, nem se autoproclamar comandante-supremo das Forças Armadas para ameaçar as instituições. Tudo isso, é claro, não ocorreu voluntariamente, mas atendendo a pedidos, digamos assim.

TUDO MUDOU – Realmente, o Carnaval ainda não começou, mas vivemos uma nova realidade política. De tal maneira que o general Hamilton Mourão já se sente à vontade para esculhambar o outrora rancoroso Bolsonaro. Nesta quarta-feira, o vice não somente apoiou a intervenção do Supremo no orçamento secreto, como alinhou as justificativas:

“Acho que os princípios da administração pública, a legalidade, a impessoalidade, a moralidade, a publicidade e a eficiência não estavam sendo respeitados nessa forma de execução orçamentária”, disse Mourão, com aquela sinceridade de aço inoxidável.

E ai de Bolsonaro se tentar responder às colocações seu vice, porque Mourão está sem amarras e vai desancá-lo impiedosamente.

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P.S.
Aliás, ao falar de mudanças, lembrei também a antiga personalidade do ministro da Defesa, general Braga Netto. Era arrogante e ostentava um comportamento intimidador. Não mais que de repente (olha o Vinicius de Moraes aí de novo…), desde 8 de setembro o chefe militar saiu de cena e entrou num mutismo constrangedor. O que estará ocorrendo? Mudei eu, mudou o Natal ou mudou o general Braga Netto? (C.N.) 

4 thoughts on “Bolsonaro não é mais o mesmo, nem parece comandante supremo da Forças Armadas…

  1. BROXAnaro não mudou “nadica” de nada

    … continua o mesmo criminoso apoiador das NARCOmilícias das últimas décadas

    … o clima político/ socioeconômico é que mudou drasticamente.

    Infelizmente esse clima de mudança ainda não chegou à presidência da câmara baixa

    … e nem aos eleitores “arrependidos” do criminoso coiteiro de milicianos

    – que buscam “ingenuamente” candidatos salvadores da pátria até ontem sinistros desse governico –

    que dariam continuidade ao plano de desmanche do Estado brasileiro.

  2. O pessoal do Forte Apache não só mandou um recado para o mito e para o chefe das FFAA, não aceitam nenhum tipo de aventura. E isto vale para o próximo presidente , quem quer que seja, se tentar dar um golpe de estado fica falando sozinho. Ou vai em cana e sem data para sair dela.

  3. Desde o início do mandato Bolsonaro só vem armando barracos. E Barracos sem um propósito! Barracos contra seus apoiadores. Só se junta com quem lhe beije a mão. E mesmo assim a possibilidade de um pé no traseiro pode ocorrer sem motivo!
    Como pode dar certo?
    Impossível governar sozinho.

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