Bolsonaro pede que governo evite tratar de ação contra Flávio em público

Bolsonaro acreditava que operação ficaria apenas para 2020

Gustavo Uribe
Talita Fernandes
Folha

O presidente Jair Bolsonaro já esperava que o Ministério Público do Rio de Janeiro deflagrasse uma operação que envolvesse o senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ). Ele, no entanto, acreditava que ela ficaria apenas para o ano que vem.

Nesta quarta-feira, dia 18, quase dois anos após o início das investigações contra o ex-assessor Fabrício Queiroz, foram cumpridos mandados de busca e apreensão contra 24 alvos, incluindo ele. A apuração, de responsabilidade do Ministério Público do Rio, corre sob sigilo.

ABATIMENTO – Nas últimas semanas, deputados e senadores que conversaram com o presidente relataram à Folha que o presidente demonstrava sinais de abatimento com o receio de que a investigação contra o seu filho mais velho tivesse novas reviravoltas.

O assunto, segundo eles, era o que mais incomodava Bolsonaro neste fim de ano. Nas palavras de um aliado do presidente, desde o fim de novembro, Bolsonaro temia uma possibilidade de prisão e, “de cada dez assuntos que discutia, dois se referiam à situação do filho”. Na semana passada, o presidente disse que em breve viriam outras acusações contra seus parentes, mas não deu detalhes do que se tratava.

REUNIÕES – Ele se reuniu dois dias seguidos com o advogado Frederick Wassef, que responde tanto pela defesa de Bolsonaro como de Flávio. Um dos encontros foi no sábado, dia 14, no Palácio do Alvorada. Na segunda-feira, dia 16, à noite, foi a vez de Flávio ir ao encontro do pai na residência oficial. E, nesta quarta-feira, dia 18, após a deflagração da operação, o senador voltou a se reunir com o presidente na residência oficial.

Segundo aliados de Bolsonaro, desde o fim de novembro, quando o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), liberou a retomada da investigação contra o senador, ele tem se queixado de que o cerco a seu filho tem como objetivo tentar atingi-lo. Diante do receio do presidente, a ordem repassada à equipe ministerial na quarta-feira foi para que evitem tratar do assunto em público.

INSTABILIDADE – A preocupação é que o tema seja explorado politicamente pelos partidos de oposição, gerando uma “instabilidade desnecessária”, como definiu um aliado do presidente. O ministro da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos, disse à Folha que existe “zero possibilidade” de a operação afetar o governo. “Negativo, zero possibilidade”, ressaltou Ramos.

Na mesma linha, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, afirmou que “de jeito nenhum” ela pode prejudicar o andamento da máquina pública. Na manhã desta quarta, após a deflagração da operação, Bolsonaro evitou responder a perguntas dos veículos de imprensa na entrada do Palácio do Alvorada, onde parou para cumprimentar um grupo de eleitores.

IMPRENSA  – “A imprensa vai ficar esperando ali. Quem sabe à tarde eu falo com vocês? Quem sabe à tarde?”, questionou o presidente, ignorando pergunta sobre a operação do Ministério Público.

Ao longo do dia, fez questão de continuar evitando a imprensa. Ele participou de um evento religioso à tarde, mas chegou e saiu do local sem passar pela área onde estavam os jornalistas. Na sequência, não fez discurso em cerimônia do Palácio do Planalto e saiu do salão nobre evitando a região reservada à imprensa.

MANDADOS – Nesta quarta, agentes foram a endereços de Queiroz e seus parentes no Rio de Janeiro e de outros ex-assessores do senador. Entre eles, parentes de Ana Cristina Valle, ex-mulher do presidente, alguns que moram em Resende (RJ). Eles cumpriram mandados de busca e apreensão.

Queiroz é pivô de uma investigação que tem como alvo o próprio senador e outras 101 pessoas físicas e jurídicas, que tiveram os sigilos bancário e fiscal quebrados. A Promotoria suspeita de um esquema conhecido como “rachadinha” no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro no período em que foi deputado estadual e manteve Queiroz como seu funcionário (2007-2018).

A prática consiste em coagir servidores a devolver parte do salário para os deputados. Estão sendo investigados crimes de peculato, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e organização criminosa.

6 thoughts on “Bolsonaro pede que governo evite tratar de ação contra Flávio em público

  1. Bolsonaro pede que se evite tratar de ação contra Flávio em público. Finalmente esta ação contra Flávio irá, para desespero do presidente, ser tratada em público. É mais do que a hora porque esta ação contra Flávio já ficou muito tempo tratada em privado. E roubo de dinheiro público tem de ter não só processo, mas é inevitável a ampla divulgação pela mídia, porque os brasileiros têm o direito de saber quando o dinheiro dos impostos que o povo paga, não é usado para fins públicos, mas sim para enriquecimento privado de pessoas corruptas.

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