Bolsonaro quer aproveitar a irritação dos militares para avançar no golpe de Estado

Charge Chico Caruso O Globo 6 de junho

Charge do Chico Caruso (O Globo)

Carlos Newton

É ponto pacífico que senador Omar Aziz (PSD-AM), presidente da CPI da Covid, errou feio ao dar declarações genéricas criticando a corrupção dos militares no Ministério da Saúde. Vai ser burro assim lá no meio dos presos, como se dizia antigamente. Se alguns militares se corromperam, como esse ridículo coronel Elcio Franco, com seu topete moderninho, isso não significa que os militares são corruptos.

Com certeza, um político de passado nebuloso como Omar Aziz não devia se comportar com tamanha desfaçatez, ao tocar no assunto corrupção. Precisa ser comedido, porque tem telhado de vidro.

O PLANALTO VIBRA – Era tudo o que o presidente Jair Bolsonaro e o general Braga Netto, ministro da Defesa, estavam esperando para avançar no plano de melar o jogo. A nota das militares foi urdida no Planalto, não foi uma reação isolada da Defesa e dos comandos das Forças Armadas. Portanto, todo cuidado é pouco.

O pior foi que, interpelado pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), o parlamentar amazonense subiu o tom: “Minha fala hoje foi pontual, não foi generalizada. E vou reafirmar o que eu disse lá na CPI. Pode fazer 50 notas contra mim, só não me intimida. Porque, quando estão me intimidando, vossa excelência não falou isso, estão intimidando esta Casa. Vossa excelência não se referiu à intimidação que foi feita”, disse Omar Aziz ao presidente Rodrigo Pacheco

BOLSONARO SE LEVANTA – Depois de levar vários nocautes na CPI da Covid, com essa burrice de Omar Aziz o presidente Jair Bolsonaro consegue se levantar e até se agiganta, pensando que a afirmação de um parlamentar leviano possa ser capaz de motivar as Forças Armadas a acompanharem sua aventura continuísta.

Bolsonaro quer usar a irritação dos comandantes das Forças Armadas para pavimentar um golpe de Estado, que pode até acontecer, a possibilidade de modo algum deve ser descartada. No entanto, se houver uma intervenção militar, não vai ser para mantê-lo no poder e sim para retirá-lo de lá e colocar em seu lugar o general Braga Netto, atual ministro da Defesa.

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P.S. – Em sua ignorância, Bolsonaro pensa que é o comandante-em-chefe das Forças Armadas. Mas acontece que capitão não manda em general. Ao contrário, os oficiais superiores o desprezam, apenas fingem que obedecem a ele. E assim caminha a humanidade. (C.N.)

16 thoughts on “Bolsonaro quer aproveitar a irritação dos militares para avançar no golpe de Estado

  1. No tempo de caserna do meu genitor havia uma lenda de que militar era um sujeito inconcusso, patriota, impunível e dotado doutras virtudes sobre-humanas. Ledo engano! Estávamos vivendo um outro contexto ético e também porque os quartéis eram cistos sociais bem mais herméticos do que hoje; era difícil saber o que se passava nos intramuros. Além disso, devido àqueles idos de austeridade, não se fazia raro encontrar segmentos organizados, duma casta à paisana qualquer, que também poderiam produzir a mesma impressão de “moralidade” pública à época”.
    À medida que a nação brasileira foi-se convertendo numa sociedade de corruptos e/ou corruptores, aquelas classes mais acortinadas, corporativas, autodefensivas e capazes de hostilizar;  as suas degradações morais se aceleraram mais rápidamente devido à autoconfiança, se comparadas às que são passivas de punição, porque não contam com a garantia de impunidade. Atualmente, de tão volumosas as sujeiras, para uma entidade tida como puritana outrora, ficou impossível mantê-las invisíveis debaixo do tapete.
    Desse modo, a corrupção, no Brasil, virou uma olimpíada: os atletas que contarem com os potencializadores químicos e outros handicaps, indetectáveis pelo exame antidoping, por exemplo, eles serão fortes candidatos a vincituros.
    Um caso corrente: o PMMG que fez a denuncia de uma das  compras suspeitas de vacinas, Dominguetti Pereira, responde a 37 processos. Ele sendo um cabo PM, nem sei se tem a mesma equivalência funcional de um vereador (no poder legislativo). Será se um edil, desarmado, transitório e sob o escrutínio popular, sobreviveria com tamanho rol de broncas?

  2. 1) Onde se lê “comandante-em-chefe” é possível ler “comandante-em-cheque” e aqui temos várias interpretações…

    2) E viva a Literatura que nos ensina sobre a Hermenêutica – a Ciência das Interpretações…

  3. O que os generais Santos Cruz, Rego Bastos, Fernando Azevedo tem comum?

    Porque os comandantes Edson Puyol, Antonio Bermudez, Ilques Barbosa foram retirados de seus respectivos postos?

    Quem trocou o general Pazuello?

    O que dizer da matéria abaixo:
    Bolsonaro troca chefe do Estado-Maior e outros 32 generais
    https://oglobo.globo.com/epoca/guilherme-amado/bolsonaro-troca-chefe-do-estado-maior-outros-32-generais-24329610

    Realmente Capitão não manda em general, mas Presidente da República sim! Se Bolsonaro fez todas mudanças acima, seria por ser ele o comandante supremo das Forças Armadas?

    • Quer saber o que eles têm em comum, seu Eliel? são idosos irrealizados. Quando na ativa seus erros e fraquezas eram disfarçados pelo poder da autoridada que tinham – eles mandavam e sempre acertavam mesmo que errassem. Quando vem a idade e as estrelas saem dos ombros para as gavetas das recordações, eles enxergam o que sempre foram: caras normais, sem menos nem mais.

  4. Dizem que o Diabo é chifrudo. Rabudo também. E tem pés de bode, arrebatam.

    Dizem que o Diabo não se importa se importa de ser chamado de “rabudo” ou “bode velho”. Até gosta!

    … Mas se chamá -lo de “chifrudo” – põe fogo por todos os orifícios!!!

    Coisa semelhante está ocorrendo com os generalecos e almirantecos quando chamados de “chifrudos”, ops!, digo:

    CORRUPTOS!

  5. Realmente não se pode generalizar. Porém o Estado Maior das FFAA não vem fazendo o dever de casa.
    São muitos os oficiais hoje alocados em funções civis. Logo qdo “pega um pega geral”.

  6. O Boçal foi um péssimo soldado e é imbecil ao ponto de acreditar que que um cabo possa dar ordens a um general. Nenhum ser normal pode acreditar numa besteira dessas !!! Ele vai sair da presidência sim! Um civil decente ocupará seu lugar. Espero que Ciro Gomes. Se for um militar, será uma pessoa que tenha o juízo no lugar e não um despreparado idiota como ele.

  7. Olha o Omar Aziz criticou uma parcela dos militares sem generalizar, no exercício parlamentar, e tem imunidade constitucional pelas suas palavras e votos no desempenho do mandato parlamentar. Enquanto houver tutela militar sobre as instituições republicanas jamais haverá democracia plena no país. O Presidente está criando mais uma crise institucional jogando as Forças Armadas, a parte que é submissa a ele, contra o Congresso para ter um pretexto para fechar o regime, porque sabe que no voto será difícil vencer. É situação em termos institucionais muito parecida com a do pretexto para o fechamento do Congresso na crise de dezembro de 68 que redundou no AI 5 causada por um discurso irrelevante do então deputado Márcio Moreira Alves, e a Câmara não se vergou. E o acovardamento do Supremo diante daquele tweet do General Vilas Boas em setembro de 2017 foi decisivo para que chegássemos ao ponto em que estamos hoje.

  8. Se tivéssemos que “perdoar”: entre os militares e os eleitores de Bolsonaro, sem sombra de dúvidas, “perdoaríamos” os eleitores; ambora o capitão, há 28 anos já viesse prenunciando de modo ostensivo – como deputado federal – aquilo que ele poderia aprontar revestido de um cargo de mando. E tudo se passava a distância sob a perspectiva televisiva, o que sugere um histrionismo de marketing politiqueiro.
    Os colegas de farda, ao contrário, já conheciam o Jair Messias de perto e sabiam do que ele seria capaz de perpetrar contra as pessoas e instituições, inclusive, aquela sagrada para ele, a qual ele a utiliza para afrontar e hostilizar a tudo e a todos – o EXÉRCITO!

  9. Parabéns caro C.N., estou com você, se as Forças Armadas derem um golpe com certeza o mito será o grande perdedor, depois da sociedade brasileira. E se acontecer mesmo o tal “golpe de estado”, os milicos não vão se perpetuar no Poder como fizeram no passado Nenhum país que se pretenda sério é tomado por ditadura mas sim por democracia. O país voltando à normalidade democrática terá então sido “desaparelhado” neste período de transição, e o Judiciário com certeza terá uma composição diferente da que tem hoje, porque é insuportável viver sob o tacão dos onze sinistros da suprema corte.

  10. Prezado Carlos Newton, tu estás arrependido; envergonhado, eu diria, pelo apoio que dispensastes com este blog à candidatura e ao inicio do Governo deste assassino? Mesmo quando sabe-se que és conhecedor profundo do que era e é Jair Bolsonaro?

  11. Sr. Carlos Newton, muito boa noite!

    Apenas um lembrete: “Queiramos ou não, gostemos ou não, quer seja simpático ou antipático”, o Sr. Jair Messias Bolsonaro, não se encontra sentado na cadeira mor do Poder Executivo como capitão, mas sim como Presidente da República Federativa do Brasil, eleito democraticamente por mais ou menos cinquenta e três milhões de brasileiros, a quem. até mesmo os srs. generais, almirante e brigadeiros também devem obediência. Afinal: estamos ou não em um Estado Democrático de Direito?

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