Bolsonaro rompe com PSL, partido que o levou da planície ao Planalto nas urnas de 2018

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Bolsonaro “queimou” Bivar usando apenas uma frase

Pedro do Coutto

Os quatro maiores e principais jornais do país – O Globo, Valor, O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo – publicaram com destaque nas edições de quarta-feira as declarações do presidente Jair Bolsonaro feitas em frente ao Palácio Alvorada a um grupo de apoiadores, pedindo que esqueçam o PSL e acentuando que o presidente da sigla, Luciano Bivar, está queimado.

O presidente da República mostrou-se, portanto, insatisfeito com os rumos da legenda, em foco pelas acusações do uso de laranjas para obter recursos financeiros no fundo eleitoral.

CONTRADIÇÃO – Na minha opinião, entretanto, há algo de contraditório no posicionamento que adotou. Isso porque se de um lado ele mantém no governo o ministro Marcelo Alvaro Antonio, acusado pela Justiça Eleitoral, de outro lado revela abominar o comportamento da direção partidária. Portanto, sobre as razões da crítica direta feita ao PSL, o chefe do Executivo ainda está devendo uma explicação concreta.

Mas a questão não se esgota aí. A História está cheia de casos em que candidatos vitoriosos rompem com os que o apoiaram quando candidatos e depois se afastaram quando ingressam na sala do poder.

Cito agora alguns casos desse fenômeno que começa com o afeto recíproco e termina com o afastamento surpreendente.

CASO DE JÂNIO – Vamos ver alguns episódios. Jânio Quadros, por exemplo, teve como seus dois principais apoiadores o jornal O Estado de São Paulo e o líder da UDN, Carlos Lacerda. Eleito nas urnas de outubro de 60, em março de 61 já empossado rompeu tanto com o jornal da família Mesquita quanto com o então governador da Guanabara Carlos Lacerda.

Outro caso: em 1950 o governador Adhemar de Barros elegeu Lucas Nogueira Garcez como seu sucessor em São Paulo. Nogueira Garcez à frente do governo estadual rompeu com Adhemar e se tornou o maior apoiador de Jânio Quadros contra o mesmo Adhemar de Barros que o levar ao Executivo do estado. Nogueira Garcez assegurou a vitória de Jânio sobre Adhemar em 54.

Existem inúmeros outros exemplos, mas estes que cito são suficientes.

TRANSFORMAÇÃO – Trata-se de um processo bastante forte que o apoiado de ontem transforma-se no adversário de hoje. Mas esta é outra questão. O fato essencial é que me parece um processo de libertação de quem atendia os telefonemas de campanha e passou a não atender os telefonemas da vitória. E assim desenvolve-se a cena política em todos os níveis e me parece que não vai mudar. Bolsonaro, sem que se analise suas razões, na verdade estava encontrando dificuldades para obter uma legenda para disputar a presidência da República na sucessão de Michel Temer.

Na undécima hora, apareceu a flâmula do PSL, partido que o transportou à vitória para o Planalto. Jair Bolsonaro dessa forma pôde alçar seu voo vitorioso, tornando-se um dos maiores fenômenos eleitorais brasileiros.

Vejam só os leitores aqueles que ele consegui eleger sob sua imagem. São governadores, senadores deputados. Como fenômeno eleitoral, na minha visão Bolsonaro situa-se ao lado de Jânio Quadros e Getúlio Vargas para ficar só nesses exemplos. Como compôs Chico Buarque, o tempo passou na janela da opinião pública.

6 thoughts on “Bolsonaro rompe com PSL, partido que o levou da planície ao Planalto nas urnas de 2018

  1. (…) Como fenômeno eleitoral, na minha visão Bolsonaro situa-se ao lado de Jânio Quadros e Getúlio Vargas para ficar só nesses exemplos. (…)

    -Ji-zuis! O grande estadista GV, deve ter se revirado todo na cova, como diz o matuto!

    Com o treslocado Jânio vá se lá, mas com Getúlio…

    Tenho dito… E sempre!!!

    Em tempo: Não sei nem o que venho fazer aqui…

  2. Foi Bolsonaro que levou o PSL ao sucesso eleitoral, não o contrário. O partido serviu só para cumprir a formalidade do registro da candidatura, já que nosso sistema não admite candidaturas avulsas, sem filiação. Ninguém sabia nada desse tal PSL, sem sabe grande coisa hoje, além das trambicagens comuns à toda política brasileira.
    Não digo isso para defender o atual presidente, que não tem feito por merecer que alguém faça esse trabalho.

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