Bolsonaro se recusa a enquadrar filho, e a crise com Mourão continua em aberto

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Carlos Bolsonaro está ajudando a desestabilizar o governo do pai

Igor Gielow
Folha

As novas e mais incisivas críticas de Carlos Bolsonaro ao vice-presidente, Hamilton Mourão, reabriram a crise que o núcleo militar do governo via como ultrapassada na noite de segunda (dia 22). O problema, apontam generais que atuam como bombeiros no episódio, é que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) se recusou a incluir o filho vereador pelo PSC carioca na leve reprimenda que fez ao escritor Olavo de Carvalho, o guru da ala que se diz ideológica do bolsonarismo, pelo vídeo em que Mourão e os militares são criticados.

A peça foi postada no canal do YouTube de Bolsonaro durante o fim de semana, só sendo retirada no fim de domingo. Carlos também a repostou em seu próprio canal. Os militares, especialmente os da ativa, viram nos fatos um recado à movimentação política fluida de Mourão, que a família de Bolsonaro vê como interessado em derrubar o presidente.

COM ACESSO – Segundo a Folha apurou com integrantes do governo, o presidente também manteve inalterado o acesso de Carlos às suas redes sociais. Bolsonaro costuma ter primazia sobre sua conta no Twitter, mas o Facebook e o YouTube são canais em que o filho reina quase sozinho.

Para oficiais generais que buscam apaziguar a mais explosiva crise interna do bolsonarismo no poder, a saída ideal seria o presidente declarar que o filho tem direito à sua opinião, mas que ela não reflete o que pensa o pai. Mas a nota lida pelo porta-voz, Otávio do Rêgo Barros, apenas tratou de dizer que Olavo, elogiado como patriota, talvez atrapalhasse o governo com suas declarações.

Bolsonaro foi intransigente, lembrando o que já disse em público: que considera Carlos um dos principais responsáveis por sua eleição, ao comandar sua estratégia digital, e que o filho mereceria uma cadeira no ministério.

Mourão tem agido com cautela no episódio. Tratou de criticar Olavo, mas não Carlos, publicamente. No fim de semana, falou ao telefone sobre amenidades com o presidente e, na manhã desta terça-feira (dia 23), participou ao lado dele de reunião ministerial no Palácio do Planalto.

ALINHAR O DISCURSO – No encontro, ninguém tocou no episódio. Bolsonaro apenas pediu genericamente alinhamento de discurso entre as várias instâncias do governo, agindo mais como animador de torcida em um dia crucial para a área econômica, com a votação da admissibilidade da reforma da Previdência na Câmara.

O vice-presidente tem se movimentado como alguém em busca de protagonismo, liderando encontros com empresários, investidores e embaixadores. Foi aos EUA para um giro no qual participou do evento pelo qual foi criticado agora por Carlos, já comandou delegação negociando a crise venezuelana.

Tal visibilidade fez interlocutores frequentes de Mourão, como o general Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), recomendar mais discrição ao vice. Heleno assim repetiu seu papel de intermediário já exercido durante a campanha eleitoral, em especial após a facada de 6 de setembro em Juiz de Fora que tirou Bolsonaro das atividades públicas.

VELHA DÍVIDA – A resistência de Bolsonaro a enquadrar o filho é vista como um assunto delicado de família pelos militares. Muitos consideram que o presidente tem uma dívida com o filho que remonta à campanha eleitoral municipal do Rio em 2000.

Ali, ele lançou o então adolescente Carlos, de 17 anos, para barrar a ida de votos no sobrenome Bolsonaro para sua ex-mulher, Rogéria, que buscava a reeleição na Câmara local. Além disso, como o presidente sempre lembra, foi Carlos quem coordenou sua presença em redes sociais de forma efetiva nos anos que antecederam a campanha de 2018.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A matéria do excelente Igor Gielow está correta, como sempre. Só fica uma dúvida quanto à informação de que Carlos Bolsonaro continua comandando as redes sociais do pai. Desde domingo, ao que parece, agora o vereador carioca fala em nome próprio e não mais em nome do pai, do filho e do Espírito Santo. As redes sociais do pai parecem meio paradas. Carlos Bolsonaro continua tendo as senhas, mas não está utilizando. Vamos aguardar, pois o próprio Igor Gielow mais adiante poderá confirmar. Ou não, como diz Caetano Veloso.  (C.N.)

18 thoughts on “Bolsonaro se recusa a enquadrar filho, e a crise com Mourão continua em aberto

  1. Ministro de Bolsonaro oferece R$ 40 mi para deputados aprovarem reforma, diz jornal
    Luis Macedo/ Câmara dos Deputados
    11:56 24.04.2019(atualizado 12:00 24.04.2019)
    O ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), ofereceu R$ 40 milhões em recursos extras, repassados por emendas parlamentares até 2022, para que deputados votem a favor da Reforma da Previdência, segundo informações do jornal Folha de S. Paulo.

    À publicação, líderes de cinco partidos confirmaram a oferta feita pelo articulador do presidente Jair Bolsonaro (PSL), em um movimento que lembra governos anteriores – nas redes sociais, a manobra descrita pela Folha foi chamada de “Mensalão 2.0”, em referência ao esquema protagonizado pelo PT na era Lula.

    A proposta de Lorenzoni, segundo o jornal, foi feita durante um encontro na semana passada na casa do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ). De acordo com os líderes partidários, a proposta do ministro eleva em 65% manejo do Orçamento por congressistas para obras e investimentos de infraestrutura em seus redutos eleitorais………….

    • Mensalão não tinha nada a ver com emendas parlamentares. Aquilo lá era injeção direta no bolso dos corruptos.Ou pagamento de conta de TV a cabo, como justificou o corrupto João Paulo Cunha, pelo cinquentão que mandou a mulher receber no banco, ou pagamento de dívidas de campanha, como todos os corruptos alegaram.

  2. De novo essas fofocas.

    O filho de Bolsonaro, além de ser seu filho, também é um parlamentar e por isso tem o direito e também a obrigação de discorrer sobre qualquer assunto que diz respeito ao funcionamento da máquina pública.

    Afinal, o blog agora vai se dedicar a colocar essas fofocas da Folha, Globo e estadão?

  3. Hamilton Mourão não afronta apena Jair Bolsonaro:

    “Deputados do PSL mandam recado a Mourão: “aborto não será legalizado””

    “Algumas declarações do vice-presidente Hamilton Mourão têm causado mal-estar no PSL. A principal dela parece ter sido sua fala, na semana passada, afirmando ser favorável que sejam ampliadas as possibilidades de interrupção da gravidez.”

    “Trata-se de um discurso na contramão do que defendem os deputados do partido do presidente Jair Bolsonaro, que também se manifestou abertamente contrário sobre o tema na campanha eleitoral.”

    https://www.gospelprime.com.br/filipe-barros-psl-general-mourao-aborto-legalizado/

    ===> Mourão o queridinho dos vermelhinhos.

  4. O fato é que o Mourão tem tido postura de presidente e o Bolsonaro nem de capitão, aliás, está mais para capetão do que para capitão. O pai que em termos de soldo, aposentadoria e salário já custa mais de R $ 60 mil, por mês, ao contribuinte, que trate de trabalhar como presidente, ao invés de ficar nas redes sociais falando josta o tempo todo. E o filho que tb faça a mesma coisa, que vá trabalhar como vereador pelo RJ que, aliás, continua uma lástima, com tiroteios, balas perdidas e corruptos saindo até pelo ladrão.

    • Caro Mário … falta ao General Mourão cumprir o que a CIDADÃ estabelece para o Vice … está lá:

      http://carlosnewton.com.br/constituicao-obriga-temer-a-atender-ao-convite-de-dilma/

      “Art. 79. Substituirá o Presidente, no caso de impedimento, e suceder-lhe-á, no caso de vaga, o Vice-Presidente.

      Parágrafo único. O Vice-Presidente da República, além de outras atribuições que lhe forem conferidas por lei complementar, auxiliará o Presidente, sempre que por ele convocado para missões especiais.”
      … … …
      QUAL MISSÃO ESPECIAL BOLSONARO DEU A MOURÃO??? ??? ???

      Um aperto de mão.

      • Se liga, Lionço Chegamais. Bolsonaro já deu várias missões a Mourão, que chefiou a delegação do caso Venezuela, por exemplo, e tem negociado com diplomatas árabes e chineses, a pedido de Bolsonaro.

        Abs.

        CN

        • Tudo bem, caro CN … o que me preocupa é que o Mourão é de aparecer muito … e remendando declarações do Presidente … nunca vi coisa igual!!!

          Não acho que Mourão esteja provocando o impedimento de Bolsonaro … já comentei que quem provoca é o Paulo Guedes e o Banco Central ao pegarem dinheiro emprestado do bancos num overnight sem autorização do Congresso … até o Senador Álvaro Dias já anda alertando também!!!

  5. “As novas e mais incisivas críticas de Carlos Bolsonaro ao vice-presidente, Hamilton Mourão, reabriram a crise que o núcleo militar do governo via como ultrapassada na noite de segunda (dia 22).”

    ===> Premissa do articulista que não corresponde à realidade, pois Mourão com seu comportamento desleal e conspirador não tem sequer acesso ao núcleo militar do governo tanto que seu “gabinete” é fora do Palácio do Planalto.

    “Mourão queria uma sala no Planalto, mas ficou com gabinete no anexo”

    https://oglobo.globo.com/brasil/mourao-queria-uma-sala-no-planalto-mas-ficou-com-gabinete-no-anexo-23390834

    • O Palácio do Planalto é mínimo, não há espaço para nada, Eduardo Areal. Por isso Mourão teve de ficar na sede da Vice-presidência, que fica no Anexo. Não é nenhum demérito.

      Abs.

      CN

      • Caro Carlos Newton

        Admiro sua predileção pelo Hamilton Mourão mas seu desprestígio no núcleo duro (maioria de militares) do governo Bolsonaro é evidente e está até na matéria do link acima:

        “A sala que o vice almejava permite um acesso direto ao presidente e geralmente é ocupada pelos chefes de gabinete, como Gilberto de Carvalho (no governo do ex-presidente Lula), Giles de Azevedo (Dilma Rousseff) e Nara de Deus (Michel Temer). Também ficam no Planalto, mas no andar de cima, Casa Civil, Secretaria de Governo, Secretaria-Geral e Gabinete de Segurança Institucional (GSI). No organograma de poder palaciano, não escrito, mas sempre lembrado por velhos servidores, ter gabinete dentro do palácio é algo bem diferente de ter sala nos anexos. É uma questão de status.”

        “O anexo em que fica a “VPR” abriga assessorias técnicas, além de terminais bancários e um restaurante estilo bandejão. Além disso, o local era constantemente criticado pelos assessores de Temer por problemas de segurança. Em 2013, por exemplo, no estacionamento da vice, ladrões furtaram duas rodas de um carro que estava a metros da sala de Temer. O carro era justamente de um auxiliar do então vice.”

        Abraços!

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