Bolsonaro se transformou num “governante pirotcnico”, diz o general Rgo Barros, seu ex-porta-voz

Poltica - Sem citar nomes, ex-porta-voz Rgo Barros critica Bolsonaro em  artigo

Rgo Barros passou para a reserva para apoiar Bolsonaro

Antonio Fallavena

Na noite desta segunda-feira, dia 26, antes do cansao me derrubar, eu assistia a um vdeo de O Antagonista, quando recebi informaes sobre um artigo demolidor, escrito pelo general de diviso Rgo Barros, ex-porta-voz da Presidncia da Repblica, sob o ttulo Memento mori (Lembra-te que s mortal) e o subttulo ”A populao, como rbitro supremo da atividade poltica, ser obrigada a demarcar um rio Rubico cuja ilegal transposio por um governante piromanaco ser rigorosamente punida pela sociedade”.

Postado no Correio Braziliense, maior jornal de Braslia, o artigo um chute na traseiro do presidente Bolsonaro, desferido por um general altamente respeitado, Doutor em Cincias Militares, que fatalmente seria promovido a general de Exrcito, com quatro estrelas, se no tivesse ido para a reserva para servir ao governo.

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MEMENTO MORI

Otvio Santana do Rgo Barros

Legies acampadas. Entusiasmo nas centrias extasiadas pela vitria. Estandartes tomados aos inimigos so alados ao vento, trofus das picas conquistas. O general romano atravessa o lendrio rio Rubico. Aproxima-se calmamente das portas da Cidade Eterna. Vai ao encontro dos aplausos da plebe rude e ignara, e do reconhecimento dos nobres no Senado. Faz-se acompanhar apenas de uma pequena guarda e de escravos cuja misso sussurrar incessantemente aos seus ouvidos vitoriosos: Memento Mori! lembra-te que s mortal!

O escravo que se coloca ao lado do galardoado chefe, o faz recordar-se de sua natureza humana. A ovao de autoridades, de gente crdula e de muitos aduladores, poder toldar-lhe o senso de realidade.

Infelizmente, nos deparamos hoje com posturas que ofendem queles costumes romanos. Os lderes atuais, aps alcanarem suas vitrias nos coliseus eleitorais, so tragados pelos comentrios babosos dos que o cercam ou pelas demonstraes alucinadas de seguidores de ocasio.

MERA PUBLICIDADE… – doloroso perceber que os projetos apresentados nas campanhas eleitorais, com vistas a convencer-nos a depositar nosso voto nas urnas eletrnicas, so meras peas publicitrias, talhadas para aquele momento. Valem tanto quanto uma nota de sete reais.

To logo o mandato se inicia, aqueles planos so paulatinamente esquecidos diante das dificuldades polticas por implement-los ou mesmo por outros mesquinhos interesses. Os assessores leais escravos modernos que sussurram os conselhos de humildade e bom senso aos eleitos chegam a ficar roucos.

Alguns deixam de ser respeitados. Outros, abandonados ao longo do caminho, feridos pelas intrigas palacianas. O restante, por sobrevivncia, assume uma confortvel mudez. So esses, seguidores subservientes que no praticam, por interesses pessoais, a discordncia leal.

Na boa inteno – Entendam a discordncia leal, um conceito vigente em foras armadas profissionais, como a ao verbal bem pensada e bem-intencionada, s vezes contrria aos pensamentos em voga, para ajudar um lder a cumprir sua misso com sucesso.

A autoridade muito rapidamente incorpora a crena de ter sido alada ao olimpo por deciso divina, razo pela qual no precisa e no quer escutar as vaias. No aceita ser contradita. Basta-se a si mesmo. Sua audio seletiva acolhe apenas as palmas. A soberba lhe cai como veste. V-se sempre como o vencedor na batalha de Zama, nunca como o derrotado na batalha de Canas.

Infelizmente, o poder inebria, corrompe e destri! E se no h mais escravos discordantes leais a cochichar: Lembra-te que s mortal, a estabilidade poltica do imprio est sob risco.

IMPERADOR IMORTAL -As demais instituies dessa repblica parte da trade do poder precisaro, ento, blindar-se contra os atos indecorosos, desalinhados dos interesses da sociedade, que adviro como decises do imperador imortal.

Devero ser firmes, no recuar diante de presses. A imprensa, sempre ela, dever fortalecer-se na tica para o cumprimento de seu papel de informar, esclarecendo populao os pontos de fragilidade e os de potencialidade nos atos do Csar.

A populao, como rbitro supremo da atividade poltica, ser obrigada a demarcar um rio Rubico, cuja ilegal transposio por um governante piromanaco ser rigorosamente punida pela sociedade. Por fim, assumindo o papel de escravo romano, ela dever sussurrar aos ouvidos dos polticos que lhes mereceram seu voto: Lembra-te da prxima eleio!

https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2020/10/4884811-memento-mori.html

2 thoughts on “Bolsonaro se transformou num “governante pirotcnico”, diz o general Rgo Barros, seu ex-porta-voz

  1. Ora, seu Rgo, quem pariu Mateus que cuide dele – vocs esto dando corda a um homem perigoso para a nossa democracia e para o bem estar do povo. Se o Brasil for para o buraco, os militares sero os principais culpados. Esse parece ser o sentimento geral.

  2. Mais um que saiu atirando.
    Afinal no Brasil para que oposio?
    Toda hora JB se desfaz de aliados de amigos de seguidores de apoiadores. Mais dois anos e ficar s com os filhos.

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