Bolsonaro só repassou a “meia dúzia de pessoas” o texto sobre país ingovernável

O presidente Jair Bolsonaro vem até a entrada do Palácio da Alvorada, e conversa com crianças e posa para fotos.

Bolsonaro deu essa informação ao receber crianças no Alvorada

Gustavo Maia
O Globo

O presidente Jair Bolsonaro afirmou neste sábado que “apenas” encaminhou para “meia dúzia de pessoas” o texto em que o Brasil é descrito como um país “ingovernável” fora dos “conchavos políticos”. Ele foi questionado sobre o envio da mensagem pelo WhatsApp depois de cumprimentar alunos de uma escola que visitaram o Palácio da Alvorada.

— O texto, pergunta pro autor. Apenas passei para meia dúzia de pessoas — declarou Bolsonaro, na única resposta que deu aos jornalistas que estavam na frente da residência oficial do presidente.

LEITURA OBRIGATÓRIA – O artigo foi escrito pelo servidor público Paulo Portinho, que trabalha na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Ao compartilhá-lo com os contatos no aplicativo de mensagens, conforme revelou o jornal “O Estado de S.Paulo”, Bolsonaro comentou que tratava-se de “um texto no mínimo interessante e que a leitura é obrigatória”.

Portinho é filiado ao Novo, partido pelo qual concorreu a vereador nas eleições de 2016 no Rio de Janeiro. Endossada pelo presidente, a mensagem dele apresenta um tom de desabafo sobre as dificuldades de se conseguir governar, e encerra com a preocupação de que o governo seja “desidratado até morrer de inanição”. A ideia principal é que Bolsonaro sofre resistência de “corporações”, e que o Congresso o impede de aprovar medidas.

COM CRIANÇAS – Bolsonaro deixou a residência pouco antes das 11h, quando um grupo de estudantes de 4 a 12 anos da Escola Classe SRIA, do Guará, região administrativa do Distrito Federal, gritou por seu nome nos portões do palácio.

Ele estava acompanhado pela primeira-dama, Michelle Bolsonaro, e pelo ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno. Em mais de 10 minutos de interação com as crianças, ele colocou algumas delas no colo, posou para fotos e disse que poderia ir até a escola para hastear a bandeira do Brasil, antes do início das aulas, às 7h. Segundo a vice-diretora, ele informou que a assessoria da Presidência entraria em contato.

No meio de um grupo de alunos, o presidente questionou qual era o melhor país do mundo e eles responderam, em uníssono, que é o Brasil. Bolsonaro também perguntou quais deles torciam para o Flamengo, e grande parte levantou as mãos e gritou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Conforme O Globo registrou ao divulgar o texto reproduzido sexta-feira (dia 17) por Bolsonaro, a mensagem de Paulo Portinho fora publicado pela “Tribuna da Internet” no dia anterior, quinta-feira, dia 16, sem título e atribuída a “autor desconhecido”, exatamente da forma como o artigo foi depois postado no WhatsApp pelo chefe do Governo. Se vocês acreditam em coincidência, o fato é um prato feito. (C.N.)

20 thoughts on “Bolsonaro só repassou a “meia dúzia de pessoas” o texto sobre país ingovernável

  1. “Primeiro la Pátria, despues el movimiento, y por ultimo los hombres. Permitan me un momento de humor feminista. Primeiro la Pátria, despues el movimiento, y por ultimo una mujer”. Fantástica, Cristina Kirchner faz na Argentina o que Lula devia ter feito aqui, atualizando uma célebre frase de Jan Domingo Perón dita em 1973 quando também se colocou discreto numa disputa que, no caso dele, nem podia disputar porque ainda estava no exílio. Assim aprendemos aqui, com Leonel Brizola: Primeiro o país, depois o partido e dentro dele as aspirações legítimas de cada um. https://www.facebook.com/cirogomessincero/videos/340052073368388/UzpfSTEwMDAwNjE4ODQwMzA4OToyMjg2Mjc5MDE0OTIxNjkw/

  2. Uma boa notícia!

    GloboNews amarga queda de audiência pelo 4º mês seguido.

    “A GloboNews amargou uma queda na audiência pelo quarto mês consecutivo. A Kantar Ibope Media faz o levantamento dos dados mensalmente, que foram compilados nas 15 maiores regiões metropolitanas do Brasil.” (JCP NOTÍCIAS).

  3. Qual era o melhor país do mundo é a pergunta que fizeram ao Tom Jobim em vida, à qual, à época, ele respondeu que os EUA era bom , mas era uma merda viver lá, e que o Brasil era uma merda, mas era bom viver aqui. Era. Deu merda geral, continuou bom viver aqui só para as elites vampiras, os políticos e empresários larápios, esquemosos, porque viver aqui na moral, honestamente, ficou osso, impossível. Quanto ao Bolsonaro e o Congresso ambos se merecem, devem estar apenas fazendo charminho um para o outro, para esquentar a amizade, até porque um é puta velha do outro. O diabo é que as mudanças que Bolsonaro quer fazer são do tipo 171, é só merda, nada de novo de verdade, é só colocar azeitonas nas empadas dos ricos e ferrar os pobres que já estão mais quebrados do que arroz de terceira e quase mortos. Assim não dá, assim não é possível, como diria o FHC. Todavia, se o Bolsonaro tivesse aquilo roxo e coragem para abraçar o Projeto Novo e Alternativo de Política e de Nação, ai sim teria como se impor ao congresso, mas apenas com blá-blá-blá, sofismas e bravatas não vai chegar a lugar novo nenhum, e, a exemplo de Collor e Dilma, vai ser defenestrado tb, virou bagaço o establishment arremessa para o lixão da história.

  4. Uma das poucas declarações verdadeiras de ex-presidente presidiário sobre a política brasileira, numa confissão reservada ao ex-presidente do Uruguai, José Mujica:

    “Neste mundo tive que lidar com muitas coisas imorais, chantagens […] Essa era a única forma de governar o Brasil”, disse Lula, de acordo com relato de Mujica…. – Livro: Uma ovelha negra no poder.

    Este relato extremamente verdadeiro vem de encontro ao texto publicado por Bolsonaro, que tanto incomodou a grande imprensa e as “ïnstituições”, tais como legislativo e judiciário.
    Bolsonaro tem as suas limitações, mas de bobo nem tem nada. Viveu e usufruiu de um alto padrão de vida proporcionado pelo legislativo.
    Eu simplesmente votei nele para tirar o PT do poder. Ponto.
    Após a eleição, esperava que ele e o Mourão, como primeira medida sanitária, fechassem os três antros apodrecidos do poder, ou seja, STF, senado e câmara. Poderiam, inclusive, sob o meu ponto de vista, prenderem todos estes indivíduos e depois investigá-los. Com certeza, teria o apoio maciço da população.
    Como a democracia anda por via tortas, o Brasil vive um grande dilema: ou mantemos o “modus operandi tropicalis” de toma lá da cá para subirmos alguns meros degraus ou tentamos, aos poucos, desmanchar este câncer, chamado corrupção, que opera com o nome de governabilidade.

    • Concluindo:
      O problema do povo é quando esta gente se entende, quando dão as mãos, com aquele sorriso irônico nos lábios. Aí , com certeza, vem chumbo para os bolso dos contribuintes.
      No frigir dos ovos, a grande divergência deste tipo de gente é o percentual que vão te cobrar no imposto de renda: os mais estatolatras vão querer 27,5% e os mais moderados 27,0%.
      No mais, são farinha do mesmo saco, tais como abutre, vivem do que é confiscado da inciativa privada.

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