Bolsonaro vai participar de evento com quilombolas para reduzir sua rejeição

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Bolsonaro agora se arrepende de suas afirmações

Eduardo Bresciani
O Globo

Denunciado por racismo pela Procuradoria-Geral da República (PGR), o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) vai participar de um evento com quilombolas no próximo dia 13 em Parauapebas (PA). A ação é uma tentativa do candidato de minimizar impactos negativos que o tema possa ter na sua campanha. A denúncia contra o presidenciável tem como base uma declaração de abril do ano passado, quando Bolsonaro disse que visitou um quilombo e que os moradores do local “não fazem nada” e “nem para procriar servem mais”.

— Isso vai mostrar que aquela história de racismo é na cabeça do pessoal da esquerda, que está fazendo trabalho contra mim — disse Bolsonaro ao Globo, sobre o evento no Pará.

VÍDEO DE APOIO – O evento de apoio a Bolsonaro está sendo organizado por Paulo Quilombola, que já gravou um vídeo em defesa do candidato. Ele lidera uma entidade denominada Federação das Comunidades Quilombolas do estado do Pará. Seu grupo apoiava Alvaro Dias (Podemos), mas decidiu migrar para Bolsonaro.

Paulo Quilombola é questionado por entidades que não o consideram um representante legítimo do movimento. Em abril, a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas divulgou uma nota assinada por dez entidades do Pará com críticas a Paulo.

“Isto posto, as entidades do movimento negro e quilombola do estado do Pará, abaixo nominadas, manifestam o seu repúdio às práticas aviltantes desse senhor exteriorizadas pelos seus discursos de ódio contra muitas de nossas lideranças quilombolas, entre outras, tendo como pessoal e único interesse (o que nos parece o mais grave) desmantelar todo o processo político até aqui construído por instituições sérias do nosso movimento”, afirma a nota.

QUER MUDANÇAS – Em vídeo no qual declara apoio a Bolsonaro, Paulo Quilombola afirma que o presidenciável pode fazer mudanças no movimento negro. O Globo não conseguiu contato com ele.

Segundo o deputado Éder Mauro (PSL-PA), a interlocução para o evento é feita por grupos de direita do sul do Pará que apoiam o presidenciável. Ele afirmou que os representantes do movimento entregarão a Bolsonaro uma pauta de reivindicações. Éder Mauro não soube informar quantos quilombolas deverão participar do ato.

SETE ARROBAS – Ao participar, na quarta-feira, de um evento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília, Bolsonaro atacou políticas de meio ambiente, indigenista e de apoio aos quilombolas. “Os quilombolas querem uma nova Lei Áurea” — disse.

Em 2017, Bolsonaro fez uma palestra no Clube Hebraica, no Rio, e, segundo o MPF, ofendeu e depreciou a população negra e indivíduos pertencentes às comunidades quilombolas. No Hebraica, o deputado disse, por exemplo, que visitou uma comunidade quilombola e “o afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É claro que isso não vai dar certo. Bolsonaro (PSC) foi condenado pela Justiça Federal do Rio de Janeiro a pagar R$ 50 mil a comunidades quilombolas e à população negra por danos morais. Agora, o candidato quer passar a borracha e apagar seu passado recente. Não conseguirá. Seria melhor seguir em frente, sem esse tipo de armação, que não leva a nada. (C.N.)

9 thoughts on “Bolsonaro vai participar de evento com quilombolas para reduzir sua rejeição

  1. -Depois da derrota para a Bélgica, um amigo meu me disse, resignado:

    “Nunca devemos ser fanáticos em três coisas: Religião, futebol e política.”

    -Creio eu que não devemos ser fanáticos em nada, pois o fanatismo nos tira a liberdade de mudar de opinião na hora que bem entendermos, no momento que julgarmos oportuno.

    Abraços.

  2. Ao chegar lá no QUILOMBO, vai passando um negão de 18 arrobas, Bolsonaro olha nele e diz: ” QUE LOMBO prefeito pra uma chibata!”

  3. -Essa curiosidade é para o Virgílio, o Indultado, que anda descontente com a “fábrica de insegurança pública”, conforme ele mesmo já afirmou aqui:

    “O policial civil do DF que reagiu a uma tentativa de assalto em um drive-thru na madrugada desta quinta-feira conseguiu dar apenas dois tiros com a arma da corporação (pistola Taurus), depois ela travou. A informação é do delegado Ronney Matsu, da Coordenação de Repressão aos Crimes Patrimoniais.”
    (…)
    “De acordo com o delegado Ronney, Alluan – que foi preso ainda na quinta-feira – responde a dez processos na Justiça por crimes como formação de quadrilha, homicídio, latrocínio e roubo com arma.”

    -No vídeo dá pra ver que após a arma travar, o policial teve que dar chutes pela janela no bandido… cuja arma (provavelmente também fabricada na mesma fábrica de lixo da Taurus) também engasgou…

    https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/arma-de-policial-que-reagiu-a-assalto-no-df-travou-diz-policia-civil.ghtml

    (-Êta país bom para ser bandido. Seja bandido rico, seja bandido pobre!)
    Abraços.

    • A Taurus deveria ser proibida de vender armas até tomarem vergonha na cara.
      Faz um tempo uma submetralhdora disparou os 21 tiros no rosto de uma PM do RN , mesmo estando travada e no modo sequencial.
      Por que as FFAA e a PF não usam essa josta ?

  4. Pelo que observo se Jair Bolsonaro vai ao encontro de quilombolas no Pará, pau nele. Se não vai, pau nele. É o centro das atenções. Lidera pesquisas e vence em muitos cenários. Tá com cara de ser o futuro presidente.

  5. Caro Carlos Newton,

    Concordo com seu comentário.
    Acho extremamente desnecessário o Bolsonaro (a esta altura do campeonato) tentar uma aproximação com entidades por ele pré-julgadas.
    Deus nós deu dois ouvidos e uma boca, que é para escutarmos mais e falarmos menos.
    Como diz o Romário, calado é um poeta.
    Confesso que até o início do ano passado, estava inclinado em votar no Bolsonaro, mas percebi que ele é tão “sem noção” (com suas palavras) quanto o “Ciro”.
    Nossas opções para presidente, estão cada vez mais difíceis de serem escolhidas.
    Acredito que o 2º turno será entre Marina e Alckim, com vitória da Marina (melhor candidata e apoiada pelo Pedro Simon e Heloísa Helena).
    Nobre Carlos Newton, gostaria de ter a honra de obter seu contato pessoal, para lhe sugerir temas relacionados a indústria de petróleo (ao qual faço parte).

  6. Não sei. Quero saber a opinião dos próprios quilombolas e não dos supostos defensores deles.
    Sempre parto do pressuposto que não se deve pressupor a opinião de ninguém.
    Claro que a história tem outros enlaces. É possível que Bolsonaro realmente consiga algum resultado favorável (ou que a situação degringole de vez).

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