Boulos é o verdadeiro culpado pela tragédia do prédio em São Paulo

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Boulos é a prova da podridão dos movimentos sociais

Carlos Newton

Uma das circunstâncias que mais causaram revolta, no caso do prédio público que pegou fogo e desabou no Centro de São Paulo, foi o fato de os pobres moradores serem obrigados a pagar aluguel de até R$ 400 aos implacáveis coordenadores do Movimento de Luta Social por Moradia (MLSM). Foi a ponta do iceberg de um escândalo muito maior, que é a existência deste tipo de máfia social, encoberto sob o manto de um movimento supostamente político. E não é um fenômeno apenas de São Paulo, porque a manipulação dos sem teto ocorre em âmbito nacional.

De acordo com os moradores, as regras no local eram bastante rígidas. Ele relembram que o fornecimento de água só ficava liberado de madrugada e que a maioria dos portões recebida cadeados à noite, após as 19 horas.

NÃO HÁ GOVERNO – É claro que estas distorções só ocorrem porque não há governo nem existe proteção ao patrimônio público. Reportagem recente da revista IstoÉ mostra que somente o INSS possui mais de 3,5 mil imóveis, e grande número deles já está sob invasão.

Em 1995, aqui no Rio de Janeiro, eu trabalhava no Sindicato dos Músicos e fui incumbido de procurar um imóvel público desocupado que pudesse servir de sede para um abrigo destinado a acolher músicos idosos, nos moldes do famoso Retiro dos Artistas.

Consegui a listagem dos imóveis do governo estadual, eram milhares, e passei a procurar um prédio que se adaptasse à “Casa do Músico”, com que sonhavam Léo Ortiz e Helio Sena, dirigentes do Sindicato e meus amigos queridos.

USO POLÍTICO – Helio Sena, que era professor universitário, costumava ir comigo. Logo de cara, no Centro do Rio, encontramos prédios inteiros ocupados por invasores. Sem querer, eu estava fazendo uma reportagem investigativa que deveria ter publicado, mas acabei desistindo.

O mais impressionante era o uso político. À época,  a organização dos sem teto estava sendo feita pelo PCdoB, que comandava invasões e ocupações. A diferença é que não havia cobrança de aluguel aos ocupantes, como ocorria agora no prédio que desabou em São Paulo.

Anos depois surgiria o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), que rivalizou com o PCdoB e foi implantado em âmbito nacional por Guilherme Boulos, um jovem paulista da classe média alta, formado em Filosofia, com especialização em Psicanálise. Boulos é uma versão urbana de João Pedro Stédile, o economista que há décadas lidera os camponeses brasileiros.

STÉDILE E BOULOS – Trata-se de dois líderes altamente suspeitos. Stédile jamais empunhou uma enxada, instrumento que ele deve até confundir com a picareta, e Boulos nunca dormiu ao relento. Por isso, a existência do suposto Movimento de Luta Social por Moradia (MLSM), que seria um braço do MTST e cobra “aluguel” dos sem teto, é algo insuportável, intolerável e inaceitável.

O fato demonstra que, neste país, não somente os três Poderes da República apodreceram, mas até mesmo os movimentos sociais de base estão putrefatos, pestilentos e nauseabundos.

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P. S. 1 – Boulos é o grande líder dos 150 movimentos de sem teto em São Paulo. Se existe cobrança de aluguéis é porque ele permite e não adianta alegar o MTST não incentiva a repugnante prática.

P.S. 2 – E o PSOL, que se diz de esquerda, não tem vergonha de lançar para a Presidência da República um candidato como Boulos, que em última análise é o principal responsável pela tragédia do Edifício Wilton Paes de Almeida? Como dizia Tom Jobim, é a lama, é a lama. (C.N.)

20 thoughts on “Boulos é o verdadeiro culpado pela tragédia do prédio em São Paulo

  1. Discordo! Culpados são vários, pode-se, assim, dizer. Contudo, a maior culpa sempre cairá sobre os ombros do Estado, e governos. São estes quem definem a Política Pública Habitacional. Quem regula, ou não, o mercado (imobiliário, inclusive), deixando-o livre, a maior ou menor sabor de limites. Temos hoje população recebendo um salário mínimo de miséria. Não paga um aluguel em moradia decente, em local com infraestrutura. Quem vive de salário mínimo (que deveria assegurar moradia, alimentação, vestuário etc. segundo a Constituição da República) está fadado a morar como pode: no barraco, em ocupação irregular, na favela ou prédios abandonados. Mas até neste, não se consegue sem organização. Vai uma família invadir um imóvel abandonando… Chegam os contratados para escorraçar dali. Daí alguns desses movimentos surgiram. E fatalmente iriam para política. A atuação de qualquer forma é política pois está relacionado a ela.

        • Daniel
          Tua razão está ligada a ideia de que “ao estado todas as obrigações”! e aos cidadãos todos os direitos.
          Tente resolver um problema desses com bom senso! Não conseguirá.
          por que? Simples. as pessoas querem “tudo de grátis”. Os lideres são extra-movimento, ou seja, lideram a coisa dos outros, que os outros deveriam liderar. E mais: por trás sempre os interesses de grupos partidários. cada movimento destes, tem em si, vários movimentos. os utilizados são sempre os mesmos: os pobres.
          As melhores soluções mão são aceitas por quem tem interesses em tudo, menos em resolver os problemas.
          Fallavena

  2. Concordo com tudo que está no texto. Guilherme Boulos é sim o maior responsável por essa desgraça que acaba de acontecer no centro de São Paulo. Ele e mais a covardia de governantes e do Ministério Público que até hoje não tiveram coragem de oferecer denuncia contra esse vagabundo e por pedidos de reintegração de posse de prédios públicos que em última análise é de todos nós e deveria estar sendo cuidados e preservados como em qualquer lugar civilizado do mundo.
    E além de tudo é um covarde querendo tirar da reta dizendo que a organização criminosa responsável pela invasão do prédio incendiado não era comandada por ele. Tal como o Lullarápio ele é mais que isso, ele é a própria idéia ou ideologia que justifica toda essa bandidagem das invasões. CADEIA NELE!

  3. Vamos lembrar o que diz a Constituição Federal de 1988 sobre moradia:

    TÍTULO II
    DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

    CAPÍTULO II
    DOS DIREITOS SOCIAIS
    Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição. (Artigo com redação dada pela Emenda Constitucional nº 90, de 2015)

  4. A responsabilidade do Estado pode ser medida pela sua política.
    Num país onde:
    1- pessoas físicas e jurídicas (e tem matérias em revistas e jornais) possuem dezenas e centenas de imóveis (em prédios residenciais) colocados para alugar por temporada (através de aplicativos, ou não) em oposição ao fim que deveria revestir uma propriedade com fins residenciais;
    2 – onde o imposto sobre a herança é irrisório (em comparação com outros países) especialmente sobre bens imóveis (um diferencial justamente na política contra o acúmulo de riquezas está aqui. Alguns taxam em 40%).
    3 – que tem ociosidade de bens públicos e privados em oposição à demanda (ignorando a finalidade social da propriedade mais uma vez).
    Não é um país a ser levado a sério na questão política habitacional!

  5. Grande Newton.
    Assinar embaixo de um comentário assim, é um ato de responsabilidade.
    Parabéns pelo texto, pelas verdades e, principalmente, pela coragem.
    Faltam homens sérios e sobram canalhas em nosso país!
    Podes ter perdido o bonde da ocasião mas não a história!

    Falhamos todos nós diante deste problema e das soluções adotadas. por vezes, para que nada temos com coisas assim. isto é fruto de nossa total impossibilidade de mostrar as saídas.

    É claro que as soluções existem. mas os lados que se digladeiam não as querem e não as permitem.

    Por fim, só existem movimentos sociais de minorias e comandados por bandidos , São entidades com origem mas sem legalidade. Mesmo entidades com registro são utilizadas para fins espúrios. Veja o caso das estudantis, dos movimentos sem terra, sem casa.

    Vigaristas como os mencionados na matéria, infiltrados nos movimentos – não fazem parte da “classe” dos movimentos, usam e abusam da ignorância e fragilidade de pobres, em todos os sentidos.

    Cumprimento-o por tudo, mas principalmente pela coragem e dicernimento.

    Abraço fraterno.

    Fallavena

  6. A hipocrisia desmoronou no largo do Paissandu, escreve Edney Cielici Dias

    Ora, ora a tal responsabilidade…
    A tragédia era mais que evidente

    EDNEY CIELICI DIAS

    O chamado “mercado”, dizem, decretou a falência dos centros de diversas cidades brasileiras, justamente os locais que incorporam o simbólico, a história e as tradições da urbe. As imagens do desmoronamento da torre no largo do Paissandu, em São Paulo, chocam a todos e colocam a nu a incapacidade do poder público de, minimamente, tratar da questão. De quem é, afinal, a responsabilidade? Ao ruir o edifício, caiu a máscara dos omissos e dos oportunistas.
    O mal, está evidente, não é apenas da especulação imobiliária, mas também de um poder político disfuncional e de atores sociais preocupados primordialmente com a pilhagem. O problema habitacional é premente, com o deficit nacional estimado de 7,8 milhões de domicílios em 2015 (FGV). As áreas centrais são, por sua vez, algo particular nessa problemática: a vida urbana sem o centro valorizado é, no mínimo, manca.
    Falar do Paissandu significa tocar no sentimento de incontáveis paulistanos. “Meus pés enterrem na rua Aurora/ No Paiçandu deixem meu sexo”, escreveu Mário de Andrade na Lira Paulistana. Obra da arquitetura tecnocrática e envidraçada dos anos 60, a torre Wilton Paes de Almeida foi transferida para o patrimônio da União, sediou a Polícia Federal e virou ocupação. Foi por anos a fio a imagem obscena de degradação predial e humana, sendo agora enterrada metaforicamente como o sexo do poeta.
    O Paissandu me recoloca como estudante universitário, jovem jornalista nos anos 80, entre um chope escuro e um claro, entremeados por um bauru. Muito depois, descobri que esse hábito de mesclar chopes ao saborear o sanduíche no Ponto Chic era também do escritor João Antônio, com quem, provavelmente, esbarrei sem me dar conta e sem saber que estávamos abraçados a perplexidades muito próximas no labirinto chamado São Paulo.
    Passei a nutrir, como estudioso da cidade, especial carinho pela Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, no centro do largo, uma pequena joia. Lembro, ela me foi apresentada por Moisés –“o samba pede passagem”– da Rocha, da Rádio USP. Templo de singeleza, não se entenderá a gente humilde e sofrida sem passar por ela.
    Mais recentemente, passava com frequência em frente ao edifício Paes de Almeida, entre gente apressada, sujeiras diversas e noias da pós-era. O Ponto Chic, por um período, começou a cerrar as portas ao cair da noite por questão de segurança. Por coincidência, olhei para torre desafortunada pela última vez na véspera do incêndio, quando fui almoçar no Sujinho ali perto, na Rio Branco com a Ipiranga.
    A impotência política é assim: o maior e mais rico município brasileiro mal consegue ter uma política habitacional digna desse nome. O governo do Estado, a despeito do esforço de criar polos culturais e de concentrar prédios da administração no centro, não conseguiu nem de longe reverter a degradação galopante. O governo federal concentra recursos da habitação, mas o poder de fogo será sempre limitado sem a sinergia com os demais níveis de governo, uma vez que a política habitacional é constitucionalmente partilhada, com papel central dos municípios na formulação de diretrizes e políticas.
    Estou certo de que há gente séria envolvida nos movimentos de moradia –vi isso em minhas pesquisas–, mas este não é o primeiro caso em que pessoas extremamente necessitadas são expostas a riscos, com alto custo financeiro, para viver em condições sub-humanas, na mais total indignidade e desrespeito às leis. As entidades têm que se monitorar entre si e é obrigação da Prefeitura se fazer presente nesse acerto.
    O centro de São Paulo é pleno de infraestrutura e deve estar disponível à população. Nas metrópoles, a terra é escassa e a propriedade urbana funciona muitas vezes como reserva de valor dos proprietários, sem ocupação. As prefeituras precisam, enfim, implantar os instrumentos do Estatuto das Cidades para que o espaço urbano cumpra sua função social –para isso há zoneamento diferenciado e imposto progressivo para propriedades sem uso.
    É necessário inovação na coordenação das esferas de governo e na apreciação dos processos pelo Judiciário, um fator agravante de altíssimo atraso. Em um contexto de retomada da atividade econômica e do emprego, a iniciativa privada deve obrigatoriamente fazer parte do processo de requalificação do território, criando-se oportunidades de investimento e receitas públicas específicas para a política social de moradia.
    Fundos habitacionais poderiam ser criados com lastro de imóveis sem uso da União, Estados e municípios. Sugestão aos candidatos a presidente que abracem a causa das cidades: coloquem uma instituição do porte do BNDES nisso, seguindo os bem-sucedidos passos do KfW, banco desenvolvimento alemão que, entre muitas outras coisas, atuou no combate ao déficit habitacional tanto no pós-guerra como na reunificação alemã.
    Eleições servem para abrir horizontes, enriquecer agendas. O Brasil está carente de comprometimento e de alma. Recuperar as cidades é resgatar a cidadania. Saravá!
    Edney Cielici Dias
    Edney Cielici Dias, 55 anos, doutor e mestre em ciência política pela USP, é economista pela mesma universidade e jornalista. Escreve semanalmente, aos domingos.

    • A opção paulistana de urbanização do setor financeiro, governamental e empresarial dispersa do centro, como a Paulista, Faria Lima, Morumbi e Berrini, além dos shopping centers, contribuiu muito para a derrocada do coração da cidade. Os diversos prédios da União, Estado e Município, poderiam estar ocupados pelo setor público, ou alocados, gerando receita originária. A revitalização do centro da cidade, hoje, fica muito custosa e de difícil realização.

    • Belo comentário. O discurso é fácil de fazer. O problema é a prática, a adoção.
      nada contra as informações.

      Cabe uma pequenina pergunta: como fiscalizar isto tudo?

      É preciso entender, DEFINITIVAMENTE, que o ser humano precisa de limites. isto não é “cerceamento de liberdade” mas são limites com responsabilidades.
      Animais vivem soltos, livres pois utilizam somente instintos. Dos seres humanos se espera raciocínio! A não ser que ainda os que são primatas.

      Nada funciona quando grupos fazem da maneira que entendem melhor. Identificar problema; analisá-lo; levantar sugestões, opiniões, etc. decidir o melhor e realizá-lo, , MESMO QUE NÃO ATENDA A TODOS.
      Depois fiscalização, permanente.

      É difícil entender isto? Se é, o problema será sem solução.

      É só tentar ver o que está acontecendo e deduzir os caminhos escolhidos.

      Quando coisas assim acontecem, faltou tudo.

      Soluções existem, só precisa tomá-las e corretamente.

      Fallavena

  7. Será que não existe neste Páis, um General, um Delegado da Polícia Federal, um Juiz, para colocar esse criminoso e sua quadrilha atrás das grades., junto com os cúmplices do Partideco Corrupto PSDbandido.???

  8. Excelente artigo. Boulos é uma espécie de agenciador, incentivador, ou até cafetão dessas invasões.

    Ele vive de comandar massas de manobras compostas por miseráveis, na ponta, mas também por capitães-do-mato contemporâneos, que o ajudam no controle dessas manadas.

    Se fôssemos um país sério, Boulos já estaria na cadeia. Mas neste ele faz o que faz e fica por isso mesmo.

    Afinal, quem se importa???

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