Brani, secretário de luxo de Palocci, agora se tornou a peça-chave na Lava-Jato

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Brani vai confirmar as revelações de Palocci?

Deu em O Globo

O sociólogo Branislav Kontic passa seus dias em casa, na zona oeste da capital paulista, com uma tornozeleira eletrônica presa à perna, relendo pensadores clássicos como Max Weber. Assessor do ex-ministro Palocci, Brani, como o filho de iugoslavos é conhecido, tem se tornado uma figura chave para a Operação Lava-Jato. Ele passou a figurar com cada vez mais frequência e importância nas delações de executivos da Odebrecht. Em seu depoimento, Marcelo Odebrecht o apontou como o responsável por operar a conta “Amigo”, que abasteceria o ex-presidente Lula. Brani teria inclusive, no relato do empreiteiro, levado R$ 13 milhões em espécie ao petista, acusação que Lula reputa de “surreal”.

Com pouca atuação dentro do partido e abatido por uma depressão que o levou a uma tentativa de suicídio, por ingestão excessiva de remédios, no fim do ano passado, quando ainda estava preso, Brani se tornou foco de pressões. Em audiências judiciais, mantém os ombros encurvados, a cabeça baixa.

VULNERABILIDADE  -“Os investigadores perceberam a vulnerabilidade e têm jogado pesado para que ele fale” — afirmou um dirigente petista que o conhece desde que militava na organização trotskista Liberdade e Luta (Libelu) e era estudante de filosofia da USP. Foi naquele momento, no fim dos anos 1970, que ele e Palocci, também integrante da Libelu, se conheceram.

Ao fim da faculdade, Brani passou a trabalhar com o pai — com quem costumava falar em sérvio — em uma malharia da família na região do Brás, centro de São Paulo. O negócio cresceu nos anos 1980. Ele assumiu a direção da malharia, incorporou a ela uma tinturaria, viajava para a Europa a cada estação para copiar das vitrines de lá o que seria tendência aqui. No começo dos anos 1990, seu plano empresarial foi traído pela conjuntura econômica: os produtos têxteis chineses inundaram o mercado brasileiro e o Plano Real equiparou o real ao dólar. Brani faliu.

TESE DE DOUTORADO – A falência marca o retorno dele à vida acadêmica e à atividade política. Da experiência empresarial, produziu sua tese de doutorado, “Inovação e redes sociais: a indústria da moda em São Paulo”, sob a orientação do ex-presidente do IPEA Glauco Arbix, outro ex-colega da Libelu e amigo de Palocci.

Em 2000, quando Marta Suplicy ganhou a prefeitura de São Paulo, ele foi alocado no gabinete dela e produziu um projeto urbanístico para a zona leste, que ainda hoje rende votos a Marta. Em 2007, foi trabalhar para Palocci, eleito deputado federal. Em 2006, o até então todo poderoso ministro de Lula tinha sido abatido pelo escândalo da Casa do Lobby.

Brani continuava ao lado de Palocci quando ele retomou a posição de poder, como ministro-chefe da Casa Civil de Dilma, e não o deixou na nova queda do petista, quando se converteu em seu “secretário de luxo”, como definem amigos, na consultoria empresarial. A lealdade do assessor aprofundou a relação de confiança entre ambos.

ERA O MAIS “POBRE” – Ao juiz Sergio Moro, Brani afirmou receber entre R$ 8 mil e R$ 15 mil mensais enquanto trabalhou para Palocci. Na consultoria, dizia atuar pontualmente, em projetos de urbanismo ou em temas que lhe fossem afeitos. Mas circulava entre os donos da caneta e os donos do dinheiro e tentava influenciá-los. Buscou convencer a Odebrecht a investir em infraestrutura na Sérvia, sem sucesso. Emplacou o mesmo projeto com a Andrade Gutierrez, a mando de quem teria feito duas viagens ao leste europeu.

Entre seus amigos, no entanto, há a convicção de que a atividade não o levou à riqueza. Quando as contas dele, de Palocci e dos demais acusados na ação penal foram congeladas, Brani era o mais “pobre”: tinha R$ 1,5 mil na conta corrente. Conhecidos relatam que ele vive pressionado pela preocupação com o sustento da família caso passe muito tempo preso.

SERÁ CONDENADO – Com a certeza de que será condenado, Brani afirma aos amigos que acreditava fazer parte de uma consultoria para empresários que queriam ter sucesso na relação com a máquina pública. Considerava-se um lobista, prática não regulamentada no Brasil. Nega que soubesse da obtenção de propinas em contratos públicos.

“A princípio, ele não é um sujeito que faria uma delação. Mas chegou ao limite. Numa situação dessas, qualquer pessoa pode fazer qualquer coisa” — relatou um ex-colega de trabalho.

O PT monitora o estado de espírito de Brani por meio do advogado dele e de Palocci, José Roberto Batochio. Enquanto o defensor estiver presente, o partido sabe que Brani não irá delatar. Na semana passada, no entanto, Palocci incluiu na defesa o escritório de Adriano Bretas, especialista em colaboração premiada. O movimento detonou uma nova leva de pressões. Procurado, ele não quis falar ao Globo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Batochio agora só defende a famiglia Lula e Guido Mantega. E o quadro mudou, porque Palocci precisa da delação de Brani, para confirmar suas revelações à força-tarefa da Lava Jato. A fila está andando e as defesas de Lula e Mantega estão ficando cada vez mais complicadas. E será que Mantega também não está pensando em seguir o exemplo do “Italiano”, na condição de “Pós-Itália”? Tudo é possível? Mas terá de ser livrar de Batochio. (C.N.)

7 thoughts on “Brani, secretário de luxo de Palocci, agora se tornou a peça-chave na Lava-Jato

  1. Caro Alex Cardoso,
    Você realmente acredita nestas pesquisas realizadas pela Folha de São Paulo?
    Pois eu não acredito.
    Faço um DESAFIO ao caro leitor e comentarista da TI, vamos convidar o Sr. Luiz Inácio (Lula) da Silva a caminhar conosco em um dia útil na Av. Paulista em São Paulo e na Av. Rio Branco no Rio de Janeiro, para testarmos essa sua afirmação de que Lula segue firme em 1º lugar no cenário eleitoral.
    A propósito, está viralizando nas REDES SOCIAIS um vídeo feito na Av. Paulista, só não sei se foi na manifestação da última sexta-feira ou outro dia, que mostra um carro de som da CUT (vinculada ao PT e ao Lula) em que um sindicalista ao microfone afirma que o Sr. Lula é um LADRÃO e os que estavam presentes nesta manifestação concordaram com o referido sindicalista e ainda entoavam “LULA LADRÃO, SEU LUGAR É NA PRISÃO”.
    Portanto, não são os coxinhas, não são as elites, não são os de direita, nem são os liberais que entoavam tal jargão, mas aqueles que seguiam Lula.
    Mas não esqueça da minha proposta convide o seu líder para que nós três façamos essa caminhada em dia útil naquelas duas e grandes avenidas das maiores metrópoles brasileiras.

  2. Os institutos de pesquisa apenas captam, naquele momento, a percepção do eleitor.

    E todos convergem, como o Ipso (França), para a mesma constatação: Lula é o político mais bem avaliado do Brasil.

    “em um contexto no qual praticamente todos os políticos são vistos como mais do mesmo, Lula tem a seu favor o fato de ter sido presidente e de ter deixado um legado para uma parcela da população, que vem avaliando sua imagem de maneira positiva”

    Por outro lado, o Ipso tambem apontou que Moro e Barbosa são os mais populares. https://goo.gl/lcUUKB

    Não adianta negar a realidade que os institutos revelam: as acusações contra Lula atá agora são frágeis. Lula seria destinatário de favores (como o triplex, um favor não consumado) depois que saiu da presidência. Até opositores ferrenhos de Lula reconhecem isso.

    Agora, certas realidades demoram a ganhar evidência, mas vai se tornando cada vez incontestável:

    Ex-embaixador britanico: A notícia mais importante hoje é a greve geral no Brasil contra o ultra-corrupto regime, nascido de um golpe da CIA. A mídia não vai te dizer isso https://goo.gl/lIijZq

    • Caro Alex Cardoso,
      O Lula de quem o leitor e comentarista da TI nutre enorme apreço e a sua agremiação política chamada PT quando vieram a público como uma alternativa para o povo brasileiro, se diziam PALADINOS da ÉTICA e da MORAL.
      No entanto, de acordo com o registro da leitora Regina Passarelli do Rio de Janeiro (jornal O Globo), com o qual estou de pleno acordo, abaixo o transcrevo.
      “REFORMAS DO PT
      Ao assumir o poder, o PT prometeu realizar as reformas POLÍTICA, FISCAL, TRABALHISTA, AGRÁRIA e da PREVIDÊNCIA. Após 13 anos no poder realizou apenas duas reformas: as do TRÍPLEX do Guarujá e do sítio de Atibaia.”

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