Brasil assina acordos de defesa e quer aumentar para US$ 1 bi a exportação de armamentos para Índia

Índia é o 2° maior comprador de equipamentos de defesa do planeta

Patrícia Campos Mello
Folha

O governo brasileiro tem como meta aumentar para US$ 1 bilhão em cinco anos a exportação de armamentos para Índia, o segundo maior importador do mundo de produtos de defesa. Neste sábado, Brasil e Índia anunciaram a assinatura de 15 acordos comerciais.

Segundo afirmou à Folha Marcos Degaut, secretário de produtos de defesa do Ministério da Defesa, o Brasil está na fase final de negociação de dois acordos de defesa com a Índia, que serão assinados nos próximos meses pelo ministro da pasta, Fernando Azevedo.

FUNDO – Um deles prevê um fundo para financiar projetos estratégicos, produção e exportação de produtos resultantes. O outro é para cooperação no desenvolvimento e comercialização de equipamentos de defesa.

“A base industrial de defesa do Brasil quer ter acesso ao gigantesco mercado indiano e, por conseguinte, ao mercado asiático, além de formar de parcerias estratégicas para desenvolvimento tecnológico, captar investimentos e desenvolver instrumentos de financiamento à exportação”, diz Degaut.

Ao lado do secretário da defesa da índia, Ajay Kumar, Degaut abrirá nesta segunda-feira, dia 27, o Primeiro Diálogo da Indústria de Defesa Brasil-Índia. Uma delegação de empresários de dez grandes empresas de armas, munição, vigilância e aviação (Altave, Atech, Avibras , CBC, Condor, Embraer, Iveco, Macjee, Omnisys e Taurus) acompanha a comitiva do presidente Jair Bolsonaro na visita oficial à Índia.

NEGOCIAÇÃO – A Taurus, empresa brasileira que é uma das três maiores produtoras de armas leves do mundo, está em fase final de negociação de uma joint-venture com a siderúrgica indiana Jindal Quando concretizada a joint-venture, a Taurus passará a fabricar revólveres e pistolas   para os mercados civil e militar do país. Para o mercado militar, também vai participar de licitações para armas táticas.

Segundo disse à Folha o presidente da Taurus, Salésio Nuhs, o acordo se encaixaria no programa Make in India do primeiro-ministro Narendra Modi, que estimula a substituição de importações e instalação de indústrias no país, com transferência de tecnologia. No acordo, a Taurus seria dona de 51% da nova empresa, e a Jindal, de 49%.

EXPORTAÇÕES – Hoje, o Brasil exporta para a Índia um valor muito pequeno em produtos de defesa: em 2019, foram apenas US$ 427 mil. Segundo Degaut, um dos principais obstáculos para o aumento de vendas é a escassez de mecanismos de financiamento à exportação no Brasil, incluindo instrumentos de seguro e crédito.

A Índia é o segundo maior comprador de equipamentos de defesa do planeta, atrás apenas da Arábia Saudita, e tem o quarto maior orçamento militar do mundo.

Segundo Degaut, o Brasil poderia exportar aeronaves como o Super Tucano e o KC-390 —ambos da Embraer—, sistemas de artilharia e de defesa aérea, de controle de tráfego aéreo e monitoramento de fronteiras, blindados e veículos de combate, helicópteros, submarinos classe Scorpène, embarcações leves, armas e munições e equipamento não-letais.

INCENTIVO – O projeto faz parte de um plano do governo brasileiro de facilitar e incentivar o setor de equipamentos de defesa. Em 2019, o Brasil registrou aumento de 30% nas autorizações de exportações de produtos de Defesa, em relação a 2018 — um salto de US$ 915 milhões para US$ 1,3 bilhão (cerca de R$ 5,4 bilhões).

7 thoughts on “Brasil assina acordos de defesa e quer aumentar para US$ 1 bi a exportação de armamentos para Índia

  1. Que as munições para essas armas venham tecnologicamente adaptadas para facilitar a identificação do responsável por uma “bala perdida” ou de crimes até aqui, tidos como insolúveis, conforme:
    ” José guilherme Schossland @ 2009-07-14 15:38

    Diante do que segue, minha sugestão se resume a elaboração de um Decreto Presidencial ou Projeto de Lei, concedendo prazo determinado para que Fabricantes de Armas e Munições em Território Nacional ou suas filiais em outros Países, se adaptem a Tecnologia abaixo transcrita. Esse modelo deverá ser seguido concomitantemente por outras Nações, para fechar o ciclo com êxito total. Será o Brasil, com esse “Coringa”, a expor mundialmente suas consequentes “Cartas na Mesa”.
    A ânsia é tamanha de “identificar= marcar” o ser humano que esquecem de “chipar” um mero projetil, fato esse alcançado que viria a resolver a questão de armas até no tocante à balas perdidas em tiroteios a êsmo e irresponsavéis. Ao buscar e implementar a injeção de um micro-chip em projetil, cuja munição seria fabricada sob encomenda com todos os dados correlatos (do fabricante, do vendedor e do comprador), tanto seu portador como os demais estariam identificados perante os Orgãos Fiscalizadores, pois qualquer arma ou munição portada sem essas características denotaria infringência à Lei então estabelecida. Esse projetil “identificador e responsabilizador” transportaria a atual prova de balística à Idade da Pedra. A uns 10 anos venho insistindo com essa simples mas objetiva idéia e obtenho como resposta o mutismo ou uma alegada perda de lucratividade pelo fabricantes, pois essa medida viria a extirpar o comércio ilegal de armas e munições em qualquer parte do Mundo.
    Há que se buscar essa “proteção dos dados=chip” inserido no projetil e por cujas polaridades “adentraram” todos os dados correlatos, como soe acontecer com as seguras caixas-pretas posteriormente “dissecadas=lidas”. O chip poderá encontrar no próprio projetil como invólucro, sua resistente caixa-preta. No mais, como “auxílio e incentivo” aos Fabricantes e Governos há que se convocar “Pardais” e “Lampadinhas”, e o resto é moleza digo, dificuldades para toda espécie de ilegalidade que até aqui envolve e resulta da questão “Armas”.”
    Extraído, de: https://pelalegitimadefesa.org.br/nblog/?p=287

  2. Adendos, em: “A Hitachi anunciou o desenvolvimento do menor chip RFID do mundo.” “Medindo apenas 0.15 x 0.15 x 0.0075 mm, a etiqueta eletrônica é menor que o ponto final em um texto impresso. O chip contém uma ROM de 128 Bits, que pode armazenar uma sequência de até 38 caracteres, que serve como “número de série” do item no qual o chip foi colocado. Ele não precisa de uma fonte de energia, nem de nenhum componente adicional: a energia elétrica necessária para o seu funcionamento vem das ondas de rádio emitidas pelo aparelho usado para ler o número gravado.

    Etiquetas RFID são populares como alternativas ao código de barras em sistemas de controle de estoque: podem armazenar o mesmo tipo de informação (um identificador numérico), mas não necessitam de contato direto com o leitor e são muito menores. Alguns países, como os EUA, estão adicionando chips RFID aos passaportes, para armazenamento digital de informações sobre o passageiro, e até mesmo às notas de dinheiro, como medida contra falsificação.”
    https://olhardigital.com.br/noticia/hitachi-desenvolve-o-menor-chip-rfid-do-mundo/3874

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