Brasil, campeão em dívida pública

Vicente Nunes
Correio Braziliense

O economista André Perfeito, da Gradual Investimentos, não esconde a preocupação com a grave situação das contas públicas, especialmente em relação à dívida pública bruta, que engloba todos os truques contábeis do governo. Os débitos do país alcançam 66,3% do Produto Interno Bruto (PIB), quase o dobro da média das economias emergentes, de 34,5%.

O índice só é menor que o registrado pela Índia, de 66,7%. Não à toa, ressalta, a questão fiscal será variável preponderante para que o governo, seja quem for o presidente eleito, resgate a credibilidade do país a partir de 2015.

POUCO LIGANDO

Já o economista Carlos Thadeu de Freitas Gomes, ex-diretor do Banco Central, ressalta que o quadro fiscal do país só não é pior graças à sobra de dinheiro no mundo. Com os juros nas alturas, 11% ao ano, os investidores estão pouco ligando para o desarranjo nas contas públicas. Querem apenas ter a garantia de que vão poder levar o dinheiro de volta para casa quando desejarem. E com um ótimo retorno.

“Ao que tudo indica, esse quadro favorável se manterá até o próximo ano, diante da possibilidade de o Banco Central Europeu injetar recursos na economia mundial, por meio da compra de títulos em poder dos bancos, como fez o Federal Reserve (Fed), o BC dos Estados Unidos”, diz.

Carlos Thadeu, por sinal, participará de um seminário na Alemanha, em 20 de maio próximo, sobre como resolver o problema do grande endividamento dos países europeus. Os anfitriões querem ouvir experiências da América Latina, que se atolou em dívidas nos anos de 1980 e 199

 

7 thoughts on “Brasil, campeão em dívida pública

  1. Tem razão o economista Carlos Thadeu. O movimento de alta da taxa Selic conduzido pelo Banco Central, manteve o fluxo de dólares positivos em relação à economia brasileira, salvaguardando o nosso colchão de reserva internacionais.

    O problema é que esse fluxo de “capital motel” ou “capital gafanhoto” no curto prazo retornará aos países de origem depois de garfarem suas remunerações aqui no Brasil. E isto implica numa maior saída de dólares a curto e médio prazos, caso o Banco Central decida frear o ciclo de aumento da taxa básica de juros.

    Quanto à dívida bruta global hoje em R$2,8 trilhões, demandará no próximo ano um volume ainda maior do orçamento. Mais do que os atuais 42,04%. Ou seja, praticamente a metade de toda a arrecadação tributária paga pelo cidadão brasileiro.

    Nesses quase 12 anos de governo petista a dívida saiu de R$1,048 trilhões e pulou para R$2,835 trilhões, até agora. Isto é, um aumento de 271% no período.

    Isto significa que, para administrar o país os governos de Lula e Dilma formaram R$1,8 trilhões em dívidas que deverão ser pagos em algum momento, já que, até agora, estamos apenas pagando parte dos juros.

    Nenhum governo endividou mais o país do que o governo petista.

    Evolução da Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG):(Fonte: Banco Central)

    2002: R$994,0 bilhões
    2003: R$1,048 trilhões
    2004: R$1,101 tri
    2005: R$1,215 tri
    2006: R$1,337 tri
    2007: R$1,543 tri
    2008: R$1,741 tri
    2009: R$1,973 tri
    2010: R$2,011 tri
    2011: R$2,243 tri
    2012: R$2,583 tri
    2013: R$2,779 tri
    março de 2014: R$2,835 trilhões, ou 57,5% do PIB.

  2. Boçalidade desse jornalista de aluguel
    Primeira grande estupidez. A divida do Brasil não esta nem entre as 20 maiores em percentual do PIB
    A maior divida do mundo é a dos Americanos que devem de 107% do seu PIB mais de 14 trilhoes, enquanto devemos 2,3 trilhoes
    O Japao deve 236% do seu PIB.
    Se formos calcular a nossa divida liquida, pois temos a 3ª maior reserva em moedas do mundo, a nossa divida cai para menos de 37%
    Como podem esses jornalistas de aluguel, viver disseminando as mentiras vergonhosas dos maus caracteres.

  3. Política Fiscal

    NOTA PARA A IMPRENSA – 30.4.2014

    I – Resultados fiscais

    O superavit primário do setor público consolidado alcançou R$3,6 bilhões em março. O Governo Central apresentou superavit primário de R$3,2 bilhões; os governos regionais, superavit de R$482 milhões; e as empresas estatais, deficit de R$64 milhões.

    O superavit acumulado no ano alcançou R$25,6 bilhões. Considerando-se os fluxos acumulados em doze meses, o superavit primário atingiu R$86,2 bilhões (1,75% do PIB), comparativamente a R$86,1 bilhões (1,76% do PIB) em fevereiro.

    Os juros nominais, apropriados por competência, alcançaram R$16,6 bilhões em março, comparativamente a R$11,6 bilhões em fevereiro. Contribuiu para esse aumento o resultado menos favorável das operações de swap cambial, que alcançou ganho líquido de R$6,2 bilhões no mês, ante R$8,3 bilhões em fevereiro. No acumulado no ano, os juros atingiram R$58,6 bilhões, comparativamente a R$62,3 bilhões no mesmo período de 2013. Em doze meses, os juros nominais totalizaram R$245,2 bilhões (4,97% do PIB), reduzindo-se 0,1 p.p. do PIB em relação ao registrado em fevereiro.

    O resultado nominal, que inclui o resultado primário e os juros nominais apropriados, foi deficitário em R$13 bilhões em março e R$33 bilhões no primeiro trimestre do ano. No acumulado em doze meses, o deficit nominal alcançou R$159 bilhões (3,22% do PIB), comparativamente a R$161,9 bilhões (3,31% do PIB) no mês anterior.

    No mês, destacaram-se as expansões de R$19,4 bilhões na dívida mobiliária e de R$3,3 bilhões nas demais fontes de financiamento interno, que incluem a base monetária, contrabalançadas parcialmente pelas reduções de R$9,4 bilhões na dívida bancária líquida e de R$227 milhões no financiamento externo líquido.

    II – Dívida mobiliária federal

    A dívida mobiliária federal interna, fora do Banco Central, avaliada pela posição de carteira, totalizou R$1.990,1 bilhões (40,3% do PIB) em março, registrando acréscimo de R$15,3 bilhões em relação ao mês anterior. O resultado refletiu resgates líquidos de R$3,2 bilhões, decréscimo de R$0,3 bilhão em razão da apreciação cambial e incorporação de juros de R$18,8 bilhões.

    Destacaram-se os resgates líquidos de R$42,4 bilhões em LFT; e as emissões líquidas de R$28 bilhões em LTN, de R$8 bilhões em NTN-F e de R$3,6 bilhões em NTN-B.

    A participação por indexador registrou a seguinte evolução, em relação a fevereiro: a porcentagem dos títulos indexados a câmbio permaneceu em 0,4%; a dos títulos vinculados à taxa Selic, reduziu-se de 16% para 14,4% pelos resgates de LFT; a dos títulos prefixados elevou-se de 30,5% para 31,9%, pelas emissões líquidas de LTN e NTN-F; e a dos títulos indexados aos índices de preços evoluiu de 28,5% para 28,8% pelas emissões líquidas de NTN-B. A participação das operações compromissadas manteve-se em 24,1%, apresentando compras líquidas de R$1,3 bilhão.

    Em março, a estrutura de vencimento da dívida mobiliária em mercado era a seguinte: R$295,7 bilhões, 14,9% do total, com vencimento em 2014; R$361,2 bilhões, 18,1% do total, com vencimento em 2015; e R$1.333,2 bilhões, 67% do total, vencendo a partir de janeiro de 2016.

    A exposição total líquida nas operações de swap cambial alcançou R$197,6 bilhões. O resultado dessas operações (diferença entre a rentabilidade do DI e a variação cambial mais cupom) foi favorável ao Banco Central em R$6,2 bilhões.

    III – Dívida líquida do setor público

    A dívida líquida do setor público alcançou R$1.685,7 bilhões em março (34,2% do PIB), elevando-se 0,5 p.p. do PIB em relação ao mês anterior. Contribuiu para essa elevação a valorização cambial de 3,0% no mês, com impacto equivalente a 0,5 p.p. do PIB

    No ano, a relação DLSP/PIB elevou-se 0,6 p.p. O superavit primário e o crescimento do PIB nominal contribuíram para reduzir a relação com 0,5 p.p. e 0,7 p.p. do PIB, respectivamente. Em sentido contrário, os juros nominais apropriados e a valorização cambial de 3,4% no ano contribuíram para elevar a relação, na ordem, em 1,2 p.p. e 0,5 p.p. do PIB.

    A Dívida Bruta do Governo Geral (Governo Federal, INSS, governos estaduais e governos municipais) alcançou R$2.835,8 bilhões em março, 57,5% do PIB, reduzindo-se 0,1 p.p. do PIB em relação ao mês anterior.

    (Transcrito do site do BACEN)

    • Em números absolutos, pois é o que interessa, já que toda relatividade é enganosa e os juros incorrem em cima do volume total da dívida, o PT é campeão invicto no endividamento público. R$1,8 trilhão até agora em seu governo.

      Só de juros, implacáveis juros anuais, são R$245,2 bilhões (4,97% do PIB)!

      Com a gastança desenfreada do governo mais perdulário da história do país, ano após ano, não se consegue pagar nem a metade dos juros incorridos anualmente. O superávit fiscal é pífio e demonstra a irresponsabilidade do governo com a economia do país e a as finanças públicas.

      Nunca antes na história deste país os bancos lucraram tanto com os títulos da dívida pública!

  4. Me digam algo que eu ainda não sei…
    Na minha modesta opinião, o que ainda está servindo de guarda-chuvas para a economia brasileira se deve ao nosso colchão de dólares como reservas.
    Mas, se o governo não cuidar com mais seriedade de seus gastos, infelizmente, mantidos em nível além do razoável, também vamos acabar entrando na espiral da emissão doe títulos de dívida pública, ou seja, no endividamento propriamente dito…
    No nosso caso, quem garante que os administradores da nossa política econômica já não possam estar de olho, na possiblidade de entrar nas reservas, “´por conta”?… Afinal, pelo que sabemos, contamos com menos de 50% da receita líquida para investimentos. Muito pouco…
    Aliás, as reservas são sempre o argumento maior do ministro Guiido Mantega, quando questionado sobre os gastos públicos,
    Muito arriscado…
    Tombini : olho no Guido…

  5. “Boçalidade desse jornalista de aluguel”.

    Gosto de ver o nível, tanto de educação quanto de lógica, desses doidivanas que culpam o carteiro por entregar a carta com notícias ruins.

    Independentemente disso, eu não gosto de ser injusto.

    Se em 2002 a dívida bruta do governo era de R$ 994,0 bilhões, ela representava 75,3% do PIB e se hoje ela é de 57,5% do PIB, é claro que melhoramos, portanto não é por aí que se pode criticar a gestão do PT.

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