Brasil cobra impostos ridículos aos ricos, diz Piketty

Economista Thomas Piketty diz que está tudo errado no Brasil

Vitor Sorano
iG São Paulo

Chegar ao topo apenas com trabalho está ficando mais difícil, aponta o economista Thomas Piketty. Ele diz que ser rico no Brasil significa pagar imposto baixo e ficar com uma fatia cada vez maior do bolo. Ainda assim, muitos dos que estão lá em cima – onde está mais difícil chegar unicamente pelo trabalho – fingem que o fato de ganharem cada vez mais que os outros é algo natural.

“A maior alíquota de Imposto de Renda aplicável a rendas mais elevadas no Brasil é bastante baixa pelos padrões internacionais. O imposto sobre herança é ridiculamente baixo, 4%, algo muito próximo de 0%”, diz Piketty, autor do best-seller “O Capital no Século XXI”, um compêndio de 672 páginas produzido após mais de 15 anos de pesquisas sobre a distribuição de renda e patrimônio no mundo.

O livro aponta que a desigualdade, após cair ao longo do século 20, voltou a crescer nas últimas décadas: o 1% mais rico da população está ficando com uma fatia cada vez maior da renda e do patrimônio disponíveis, reduzindo a fatia disponível para a classe média e para os pobres.

TAMBÉM NO BRASIL

Para Piketty, o mesmo possivelmente está acontecendo no Brasil, apesar do discurso em contrário do governo – o 1%, estima, fica com quase 60% da renda, e não com menos de 50% como indicam os levantamentos oficiais.

O País ficou de fora da obra em razão da falta de transparência dos dados sobre o pagamento de Imposto de Renda, mas o economista espera disponibilizar análises sobre o cenário nacional “nos próximos meses”.

E a fórmula para evitar o crescimento desse fosso – e permitir que o trabalho, e não um pai rico ou um salário injustificado, seja o caminho mais natural para o topo – é taxar mais os ricos e altas heranças, aliviando o imposto sobre o consumo. Afinal, a desigualdade é socialmente construída – e não um fenômeno da natureza.

“Claro que algumas pessoas no topo sempre estão tentando fingir que a desigualdade é o que de fato deveria ser”, diz o economista. “Eu consigo entender a posição delas, mas eu acho que algumas vezes é um exagero.”

4 thoughts on “Brasil cobra impostos ridículos aos ricos, diz Piketty

  1. A meu ver, o grande Economista/Escritor THOMAS PIKETTY, analisa o Brasil, com dados pré-1994 ( plano Real), quando operávamos com uma MOEDA DE ESCALA MÓVEL ( Correção Monetária ) quando tudo fica confuso, todas as estatísticas Financeiras vão logo para a casa dos Bilhões, Trilhões….Quackquilhões… e se perde completamente o noção do VALOR. A partir do plano Real ( 1994 em diante ), a situação Tributária do Brasil em relação aos demais Países sub-desenvolvidos ( renda per-capita menor que US$ 15.000 ), está bem acima da média, tanto na Pessoa Jurídica como na Pessoa Física. Existe grande desigualdade de RIQUEZA e RENDA no Brasil, mas antigamente era PIOR AINDA.
    Independente disso, a Desigualdade de Riqueza/Renda é importante, porque o CAPITALISMO ( Propriedade Privada dos Meios de Produção; Decisão Individual, do que? quanto? e para quem? Produzir; uso do Sistema de Mercados para a alocação dos Recursos e distribuição da Renda gerada), SÓ TERÁ FUTURO, se TODOS PROSPERAREM CONJUNTAMENTE. Se a maior parte da RIQUEZA/RENDA se concentrar num Pólo, por simplaes falta de DEMANDA o sistema todo entrará em colapso. Daí, FASCISMO CORPORATIVISTA/ SOCIALISMO MARXISTA á la URSS, enfim, perfeitas DITADURAS CIENTÍFICAS, com perda total da preciosa LIBERDADE.

  2. “A partir do plano Real ( 1994 em diante ), a situação Tributária do Brasil em relação aos demais Países sub-desenvolvidos ( renda per-capita menor que US$ 15.000 ), está bem acima da média, tanto na Pessoa Jurídica como na Pessoa Física. Existe grande desigualdade de RIQUEZA e RENDA no Brasil, mas antigamente era PIOR AINDA.”

    Este trecho faz parte do equilibrado( como sempre), comentário do senhor Flávio José Bortolotto, sobre o artigo do jornalista Vitor Sorano , do IG São Paulo – que apropria em rápida análise, trecho do livro do badalado Thomas Pikety – provavelmente, feita à época da correção monetária.
    Na minha modesta opinião, o senhor Botolotto se reportou e explicitou a questão da desigualdade de renda no Brasil, de maneira totalmente convincente no passado, detendo-se no presente, e ainda mandando previsão futura, igualmente pertinente e até ideológica.
    Parabéns, senhor Bortolotto.

    Finalmente,quanto a observação final do texto do Vitor Soran, atribuída ao economista Piketi:
    “Claro que algumas pessoas no topo sempre estão tentando fingir que a desigualdade é o que de fato deveria ser”, diz o economista. “Eu consigo entender a posição delas, mas eu acho que algumas vezes é um exagero.”

    Eu diria: desigualdade, exagero, é o Estado absurdamente taxar o cidadão assalariado brasileiro em quase metade do seu salário anual, recolhido como tributos, com quase nenhuma retribuição. …

  3. Corretíssimo Piketty a respeito do Brasil.

    Somos um país com um sistema tributário injusto, regressivo. Onde os mais pobres sustentam a maior parte da carga tributária e os mais ricos a menor. É um sistema bizarro que não foi e não está sendo corrigido. Ainda que a aclamação para isso seja enorme e vir de longa data.

    Além do mais, o sistema corrobora para que os grandes fujam do compromisso com o fisco e promovam evasão e elisão fiscal. Não é raro encontrarmos especialistas afirmando que “quem paga tributo em nosso país é o pequeno, não o grande”.

    Justamente por isso o país conta com uma sonegação monstruosa – segundo levantamento do SINPROFAZ (Sindicato dos Procuradores da Fazenda Nacional) -, no montante de R$425,0 bilhões! O correspondente a 10,3% do nosso PIB!

    Para se ter uma ideia desse montante sonegado, ele corresponde a 64% de todo o orçamento da Seguridade Social que é de R$666,0 bilhões.

    E, seguramente, com a entrada desses recursos sonegados tanto a Previdência Social quanto toda a Seguridade Social deixariam de ter um orçamento deficitário, o que corroboraria para haver a necessária reforma da Previdência e a contemplação da correção justa e necessária das aposentadorias dos segurados acima da inflação, promovendo mais justiça social.

    Mas, parece que falta vontade política para o governo promover a tão sonhada reforma tributária.

    Sobre a injusta carga tributária que aprofunda a injustiça social embutida na má distribuição da renda no Brasil, o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) divulgou sua pesquisa a respeito do assunto, a qual podemos observar logo abaixo. Refere-se à carga de um trilhão de reais em tributos (impostos, taxas e contribuições) suportada pela sociedade brasileira.

    Arrecadação do R$ 1 Trilhão por Faixa de Renda

    FAIXA SALARIAL………………….POPULAÇÃO……..%………….ARRECADAÇÃO…………%

    ATÉ 3 SALÁRIOS MÍNIMOS……159.620.400…..79,02%…537.937.743.190,66…..53,79%
    DE 3 A 5 SALÁRIOS MÍNIMOS…20.482.800……10,14%…126.459.143.968,87…..12,65%
    DE 5 A 10 SALÁRIOS MÍNIMOS..15.352.000……7,60%….166.342.412.451,36…..16,63%
    DE 10 A 20 SALÁRIOS MÍNIMOS..4.848.000……2,40%….96.303.501.945,53……..9,63%
    MAIS DE 20 SALÁRIOS MÍNIMOS..1.696.800…..0,84%….72.957.198.443,58……..7,30%
    ————————————————————————————————————————–
    TOTAL……………………………………202.000.000….100%…..1.000.000.000.000,00…..100%

    Pode-se ver o massacre que o sistema tributário exerce sobre a população, analisando a tabela acima, o que corrobora para a acentuação das desigualdade sociais, verificando que 53,79% da carga tributária brasileira é suportada pela população que recebe até três salários mínimos.

    Já os que recebem mais de vinte salários mínimos assumem apenas 7,30% da carga tributária.

    Urge, pois uma reforma ampla, geral e irrestrita sobre o sistema de tributação brasileiro.

    É premente a necessidade de reformular os impostos que recaem sobre o consumo (ICMS e IPI), principalmente, a fim de retirar de sobre o consumo da população de baixa renda a elevada carga desses impostos indiretos e regressivos que tornam o quadro da desigualdade social, ainda, mais dramático.

    Está certo Piketty.

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