Brasil derrota Uruguai e arrebata a Taça do Futuro

Pedro do Coutto

Foi brilhante a vitória da Seleção Brasileira de jovens de menos de vinte anos, derrotando por goleada histórica o Uruguai e conquistando a Taça do Futuro, que assim podemos chamar  pensando na Copa de 2014 e nas Olimpíadas de 2016.  Futebol, como aliás todos os esportes, se renova e se realimenta na fonte da juventude, eterno tesouro, título de filme de Ingmar Bergman. Seis a zero. O time bem treinado e plantado taticamente por Ney Franco, já no início da madrugada de domingo demonstrava grande superioridade, toque rápido de bola, facilidade de passar da defesa à ofensiva, meio campo trocando poucos passes para chegar à área uruguaia. Bons lançamentos à distância, segredo de tantas vitórias, pois é claro que a bola corre mais do que os jogadores. Atletas bem colocados na frente prendendo os zagueiros.

Um show de futebol no rumo do futuro próximo. Assim é o futebol. Principalmente o de hoje que tem na velocidade seu instrumento principal, uma vez que os espaços do campo são muito mais velozmente ocupados que os de ontem. Ontem, as equipes atuavam com 11 peças. Hoje atuam com 15. Surpresa? Talvez.

Mas o fato é que os dois laterais têm que ser tanto zagueiros como pontas. E pelo menos dois homens de meio de campo obrigatoriamente têm de recuar permanentemente, tanto para fechar o espaço do sistema defensivo, quanto para completar as alternativas no plano ofensivo. Assim o Brasil goleou o Uruguai a partir do final do primeiro tempo. Era mais ou menos, uma hora da manhã. Viramos com dois a zero.

O país do futebol, com a transmissão da Globo e da Sport TV, adormeceu campeão sul-americano e acordou classificado para os Jogos Olímpicos de Londres. Foi portanto uma bela alvorada, o início de uma nova viagem para o amanhã. Menção especial a Lucas, autor dos dois  primeiros gols no final da primeira fase, a Neymar, já consagrado como craque, ao lateral Alessandro.

Mas a equipe inteira foi brilhante. Alternativas rápidas do meio campo para a frente, sentido tático de cobertura do meio para trás. Havia sempre um homem na sombra na defesa, alguém chegando em velocidade ao campo adversário. A atuação perfeita. O Uruguai não encontrou espaço para jogar. Sempre marcado, inclusive na saída de bola, pressionado pelo nosso ataque. Na verdade, em função do movimento, atuamos quatro-quatro-dois defendendo, dois-quatro-quatro atacando. Ney Franco fixou um comportamento para  quando o time estava com a bola, outro quando a bola estava nos pés do Uruguai. Mas pelo nosso desempenho, os uruguaios não puderam caminhar.

Glória eterna aos jovens campeões. Um exemplo para a Seleção de Mano Menezes que ainda não conseguiu decolar e foi derrotado tanto pela Argentina quanto pela França. Não encontrou até agora um esquema tático eficiente. Dificilmente achará se não escalar pelo menos um homem de frente que acosse os zagueiros. Só com jogadores que vêm tocando de trás e são obrigados a trocar passes  em demasia para conseguir chutar em gol, não dá. Assim, a bola pode rolar bonito. Mas a cada instante, pelo maior caminho a percorrer, a Seleção de Ouro fica mais longe do gol. E facilita a defesa adversária que obtém mais tempo para se organizar e nos bloquear. Chega de passado, entremos na trilha do futuro. Ele está perto.

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