Brasil joga partida fora: Copa, agora, só em 2014

Pedro do Coutto

A Seleção Brasileira, sem a menor sombra de dúvida, jogou a partida de ontem fora, como se costuma dizer no esporte quando uma equipe esquece repentinamente sua técnica, sua arte, seu estilo, e se transforma em coadjuvante do adversário. Foi exatamente o que aconteceu ontem contra a Holanda no estádio de Porto Elizabeth.

Fizemos um primeiro tempo brilhante, a defesa era absolutamente eficaz, a passagem da defesa ao ataque rápida, como deve ser, ocupávamos o espaço aberto pelos holandeses entre seus homens de frente e sua retaguarda. Estava aberto para nós o caminho da vitória. Nosso time – aí o seu maior erro – saboreava a perspectiva do êxito que não veio. Viramos na frente, estava tudo correndo bem.

No segundo tempo, modificação total. Entramos confiantes demais, calçamos o salto alto em vez das sandálias da humildade, de que tanto falava Nelson Rodrigues, e não conseguimos suportar psicologicamente a falha da defesa que levou ao empate. A Holanda recebeu a igualdade como um presente do céu e cresceu no jogo. O Brasil se inibiu e retraiu. A equipe adversária passou a comandar a partida, a começar pela ocupação tática dos espaços do campo.

O técnico Dunga perdeu a serenidade que deve prevalecer no comportamento dos treinadores, esquecendo que seu nervosismo acaba se transmitindo aos jogadores. Nervoso o técnico, nervoso fica o time. Veio o segundo gol, a exemplo do primeiro, conseqüência de bola cruzada pelo alto. A excitação nervosa impediu que a defesa subisse bem no momento do lance, esquecendo que estava de frente para a bola. A bola? Acabou no fundo da rede de Júlio Cesar. O descontrole tornou-se visível. Felipe Melo, expulso, confirmou o fenômeno.

Claro, não se pode vencer sempre. No futebol, como na vida. Mas há derrotas e derrotas. A nossa, de ontem, foi bastante triste porque, no fundo, perdemos para nós mesmos. A Holanda não conquistou a vitória apenas por suas qualidades e méritos, que aliás são muito significativos. Não. Nós nos derrotamos mais do que eles nos ganharam. Facilitamos nosso fracasso. Abrimos para o oponente a estrada que o conduziu à semifinal de terça-feira.

Não podemos culpar alguém individualmente, exceto Felipe Melo que, ao pisar o holandês, se autoexpulsou do gramado. O comportamento do técnico Dunga influiu irritando-se demais com o juiz e com os jogadores do outro time. Passou ao mesmo tempo raiva e temor da derrota a nossa equipe. Ela encontrava-se em momento difícil na disputa eliminatória e precisava contar com ânimo que  só o treinador poderia passar. Em vez disso, sem se dar conta, Dunga partiu justamente para o movimento inverso.

Foi uma página triste na história do futebol brasileiro. Acrescenta-se aos insucessos de 50, 54, 66  e 74, além das derrotas de 82,86, 90, 98 e 2006. Que fazer?

Nesta hora, resta curtir a realidade eterna de que a seleção de Ouro é a única pentacampeã do mundo, título que somente poderá ser igualado daqui a quatro anos, na Copa de 2014 que terá o Brasil como cenário. Vamos em frente. Levantar a poeira e dar a volta em torno da derrota que está nos marcando em 2010. Outras Taças virão, outros sucessos e outras decepções. A vida não para. O treinador e os jogadores de hoje passam. Vão passar, como é natural. Dunga inclusive já anunciou sua demissão. O futebol brasileiro fica.

Para sempre.

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