Brasil melhora técnica e taticamente

Pedro do Coutto

Felizmente parecia outro time a Seleção Brasileira que derrotou a Costa do Marfim e enfrentou a violência dos adversários do que aquela que venceu a Coreia do Norte numa atuação fria, medíocre e até de dar sono.  Especialmente no primeiro tempo. A Coreia é uma equipe fraca e nós não marcamos nem a saída de bola deles. Decepcionou e nos preocupou quanto ao futuro próximo. Escrevi na ocasião, entretanto lembrando meu amigo Nelson Rodrigues, para ressalvar uma verdade eterna, no futebol e na vida: todas as vitórias são santas.

Mas o panorama mudou domingo. Marcamos a saída de bola, trocamos poucos passes para chegar à área africana, não nos intimidamos com o estilo violento e traiçoeiro da Costa do Marfim. Todos viram na televisão o que aconteceu. Galvão Bueno, na Globo, Luciano do Vale, na Band, narraram com a emoção e a qualidade de sempre.

A Seleção de Ouro evitou com muita competência o sistema defensivo contrário e Dunga, justiça se faça, articulou as jogadas ofensivas abertas leteralmente pelos flancos direito e esquerdo. Lembrei a final entre Alemanha e Holanda, na Taça de 74, quando, para enfrentar o carrossel da laranja mecânica, como era chamado o time holandês, a equipe alemã abriu os pontas ao máximo. Os holandeses atuavam quase todos onde estava a bola e vinham vencendo todo mundo. Ganharam do Brasil, por exemplo, por dois a zero. Mas com os pontas abertos o carrossel mágico não podia funcionar, uma vez que a deslocação para os lados assegurava brechas muito grandes pelo meio. Foi assim que a Alemanha derrotou a equipe do lendário Cruyff por dois a um. Manteve a melhor posse de bola e neutralizou o sistema que não mais se repetiu.

Contra a Coreia do Norte, trocávamos uma série enervante de passes para o lado, não ocupávamos o campo coreano, penetrávamos quase nada nas linhas adversárias. Estávamos esperando o quê? Nada. O tempo ia passando e a nossa lentidão – claro – facilitava a marcação adversária que jogava excessivamente recuada na tentativa de nos surpreender com um contra ataque. Nos salvou um lance isolado de Robinho, que aliás não vinha bem na partida, retendo demasiadamente a bola e passando dos limites nos chutes a gol de longa distância. Porém esse pesadelo passou.

O Brasil foi brilhante na vitória contra a Costa do Marfim. Passava com rapidez ao campo africano, trocou passes curtos , não jogou para os lados de maneira conformista. Ao contrario, graças a Deus, partiu em frente enveredando pela estrada que leva ao hexa. A única restrição que se pode fazer da bela jornada de domingo é ao técnico Dunga que deveria ter substituído Kaká a partir do momento em que ele, cassado deslealmente em campo, com freqüência impressionante, passou a se irritar e descontrolar. Resultado, todos vimos, foi expulso e não joga sexta-feira contra Portugal.

Logicamente deve entrar Julio Batista, cujo estilo mais se aproxima do dele. Como estamos classificados, e não precisamos do jogo, o episódio pode permitir uma recuperação física melhor do craque do Real Madrid, que inclusive começou a recuperar o ritmo ajustado a seu estilo claro, simples e objetivo, além de brilhante. Quando, é claro, está em plenas condições.

Enfim viramos mais uma página da história de nosso futebol. Somos pentacampeões do mundo. Com firmeza e decisão vamos partir para conquistar mais um título imortal: o hexa.

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