Brasil não decola em matéria de IDH (Desenvolvimento Humano), é um desastre, uma vergonha

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Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Pedro do Coutto

Os jornais de terça-feira publicaram com grande destaque a posição brasileira muito ruim em matéria de índice de desenvolvimento humano (IDH).  Estamos num lugar que reflete as nossas carências, que partem da distribuição de renda. É claro que não se pode responsabilizar o governo Jair Bolsonaro, que se instalou há quase um ano. Mas o problema vem de longe e deveria ter sido enfrentado positivamente pelos governos que se estenderam no percurso administrativo.

Administrativo só não, também na economia, saneamento básico, urbanização, saúde, na educação.

SEM ESGOTO… – Nosso país encontra-se numa posição ruim, apesar de sermos a oitava ou nona economia no mundo, com um PIB na ordem de 6 trilhões e 600 bilhões de reais.

Apesar do volume econômico que se acumulou na estrada do tempo, não conseguimos reduzir sequer o déficit crônico no setor de saneamento básico. Basta dizer que metade das cidades brasileiras não possuem sistema de tratamento de esgoto.

Vias públicas, principalmente nas áreas mais carentes vivem diariamente à margem de esgotos a céu aberto. Acredito que praticamente a metade das doenças que se registram tem sua origem na falta de saneamento adequado. Nesse ponto estamos falando de milhões de brasileiros. A vulnerabilidade causada pelas doenças contribuem dramaticamente para sobrecarregar a saúde pública.

UMA CALAMIDADE – Por falar no sistema de saúde pública, lemos todos os dias o estado de calamidade que se repete, sem cessar, nos atendimentos nos hospitais e centros de saúde públicos. Milhares de pessoas são alvo da incapacidade governamental. Não só do governo federal, mas também, em grande escala, da incúria dos governos estaduais e municipais.

A cada dois anos, em todas as campanhas eleitorais os candidatos prometem empenho para mudar esse quadro. Mas não acontece nada disso. Como no romance famoso, temos que mudar para tudo continuar como está.

MISTURA EXPLOSIVA – Inércia de mãos dadas com a corrupção, trata-se de uma mistura explosiva que responde em maior parte pela falta de desenvolvimento humano. Jamais poderemos combater a pobreza, se a renda não consegue se desconcentrar pelo menos numa escala capaz de abrigar uma etapa positiva que vá ao encontro da esperança que todos temos de virar a página sinistra próxima à escravidão, apesar de esta vergonha maior ter sido abolida no país há 130 anos.

A dependência dos grupos sociais de baixa renda permanece desafiando a consciência nacional, numa economia que não deslancha. E nem poderia, porque o país é atingido por uma taxa de desemprego impressionante. E só o emprego e o salário podem levar à solução do problema. Fora daí ingressa-se no reino encantado da fantasia teórica.

16 thoughts on “Brasil não decola em matéria de IDH (Desenvolvimento Humano), é um desastre, uma vergonha

  1. 1) “Brasil não decola”… e nem tão cedo vai decolar… é a fórmula do Capitalismo de Desastre…somos um país periférico… ultra concentração de renda…neocolônia…

    2) As elites (de centro, de direita e de esquerda) estão muito bem de vida e não querem mudar nadar

    3) Ver o livro da jornalista canadense Naomi Klein “A doutrina do Choque – Ascensão do Capitalismo de Desastre”.

    4) Como disse o falecido senador Darcy Ribeiro… “é um projeto” de poder, de política, estão cumprido há séculos. Não há novidade nenhuma.

  2. -Como um país cuja Suprema Corte dá aval para os ladrões continuarem a roubar os recursos públicos, originários dos nossos impostos, impunemente (e não é de hoje!), pode melhorar algum índice social, educacional e/ou humano?
    -Seria a mesma coisa que esperar que uma criança cheia de vermes fique gorda e saudável!

    -Nao existe fórmula mágica para a civilidade: povo sem educação/conhecimento, é povo atrasado. E isso exige gastos e esforço. Do Estado e do cidadão.

    Abraços.

    • Corretíssimo!
      Observe-se que os socialistas /esquerdistas estiveram governando nos últimos 24 anos daí serem diretamente responsáveis com o baixo IDH.
      Também o método do educador paulo freire desastroso para o sistema educacional do Povo.

    • Humm. Somente de 2009 a 2016 foi alterado o entendimento do STF. E agora em 2019. Supervaloriza-se o efeito da prisão após segunda instância, num simplismo impressionante.
      Não, não é esse o motivo de estarmos estagnados.
      E não, não é só a educação que alavanca o desenvolvimento de um país.
      Soluções simplistas para problemas complexos são inúteis.

      • Prezado, o Supremo sempre defendeu bandido. O que mudou nos últimos anos foi que passou a fazê-lo ostensivamente, desavergonhadamente.
        A prova é a quantidade de corruptos presos, nos últimos 100 anos, pela pomposa Corte.
        Abraços.

  3. O Mapa da Mina bom, do bem, alvissareiro, que convém a todos, positivo, é O Mapa da Mina do sucesso pleno do bem comum do povo brasileiro, o livro que propõe o milagre da multiplicação dos pães, dos peixes e das oportunidades, em todos os rincões do Brasil, com a reinvenção do Brasil, à moda confederação europeia, o resto, infelizmente, é apenas enxugar gelo, mais dos me$mo$, mais perda de tempo versus tempo perdido, com os EUA, a China, a Ásia e a Europa galopando lá na frente à moda cavalo puro-sangue com o Brasil correndo cada vez mais atrás à moda pangaré, na corrida mundial das nações . Mas quem é que quer saber do Mapa da Mina do bem comum ? O sistema podre e seus operadores, dominantes, não enxergam outra coisa senão a própria Mina, o erário, aqui e agora, onde garimpam à vontade, não querem saber do trabalho de decifrar o Mapa para chegar até Mina, preferem o peixe pronto, assado ou cozido, à base da lei do menor esforço, daí deu nisso aí, como resultado dos últimos 130 anos de Brasil, no formato de república tipo 171, à moda saco sem fundo, não há dinheiro que de conta de saciar a fome da dita-cuja, que funciona apenas em função do IDH dos seus próprios operadores, com o IDH do resto relegado às calendas gregas, tendo em vista que o socialmente desejável encontra-se condicionado ao economicamente possível, inapelavelmente.

  4. O nosso IDH ainda é considerado de país com desenvolvimento elevado, colocando-nos no 79° lugar do ranking dos países.

    Se levarmos em conta que em 1980 esse índice era de 0,545, houve uma evolução considerável, embora nos últimos anos tenhamos estagnado e retrocedido em relação a alguns países.

    Mas se for adicionada a desigualdade para compor tal índice, o IDHAD, então estaríamos com um índice bem menor: 0,550.

    O coeficiente de Gini é outro indicador importante que explica o o porquê dessa diferença. Nos anos entre 1970 e 1990 esse índice manteve-se acima de 0,6. A partir daí, caiu para os 0,5 de hoje.

    Mas o índice Gini de renda está em 0,625 em 2019. Entre os dez mais altos do mundo.

    A renda per capita de um país não leva em contas tais números e ela pode esconder o quão desigual é um país. Para ficarmos na região da AL, a mais desigual do mundo, o Chile com a renda maior renda per capita do continente, tem um índice de Gini de 0,5. A Argentina e Uruguai em torno de 0,4.

    Portanto, há muita coisa para pensar, para fazer. Um projeto de desenvolvimento inclusivo é necessário, mas isso é o que deve ser feito. Essa é a parte mais fácil. O como fazer é sempre a parte mais difícil e complexa. Muitos dão ideias com uma profundidade tal que uma formiga atravessa a água pelas canelas, como alguém já dizia.

  5. Inicio com uma observação:
    um país da dimensão do nosso, quase um continente, poderia se desenvolver sem o seu povo ter um Ensino/Educação adequados?

    Como seria uma nação onde somente existisse o analfabetismo absoluto e funcional?

    Teria condição de pensar, panejar, estabelecer um plano de governo e de desenvolvimento?

    Não podemos esquecer que, Japão e Alemanha, que foram arrasados na Segunda Guerra (1939-1945), se reergueram graças a fatores econômicos, políticos e até culturais.

    Os dois países derrotados contaram também com grande ajuda estrangeira para se reerguer. Japão e Alemanha receberam polpudos auxílios das potências capitalistas vitoriosas, preocupadas em evitar o avanço do socialismo pela Europa e pela Ásia. Entre 1949 e 1952, a Alemanha Ocidental recebeu dos Estados Unidos quase 30 bilhões de dólares em valores atualizados.

    Boa parte dessa verba fazia parte do Plano Marshall, um programa patrocinado pelos Estados Unidos para reabilitar a economia da Europa após a guerra. Já o Japão recebeu um auxílio de 16 bilhões de dólares. Outro ponto importante na recuperação é que os dois países já tinham ÓTIMOS SISTEMAS EDUCACIONAIS, capazes de formar técnicos e cientistas qualificados para ajudarem as nações a se reerguer após a derrota.

    Dito isso, eu mencionando a educação pífia que nossos governantes oferecem às crianças e à juventude brasileiras, o fator que dividiria a causa de nossa pobreza e miséria reside no poder legislativo!

    Altamente dispendioso – 40 bilhões de reais ao ano -, corrupto, desonesto, incompetente, perdulário, legislando em causa própria, tem sido o segundo maior obstáculo para o nosso desenvolvimento.

    Aliás, diga-se de passagem, que o povo brasileiro aceita a sua situação vexatória, humilhante, de ser desprezado pelos governantes, justamente pela sua falta de ensino/educação, pois lhe faltam condições de saber quais são os seus direitos e deveres, logo, as castas e as elites se aproveitam da ignorância da população para se locupletarem de maneira desonesta, mas obtendo a impunidade porque o sistema precisa se manter!

    Sinceramente, discordo veementemente do meu conterrâneo Vidal, respeitosamente, quando afirma ” … não é só a educação que alavanca o desenvolvimento de um país.”
    Então como explicar que os melhores índices de IDH do planeta pertencem às nações quase zeradas no analfabetismo?!
    Os países escandinavos, Alemanha, Japão, Austrália, Canadá …seriam as potência que se transformaram sem um excelente nível educacional?
    Não acredito.

    Muito menos teriam também criado oportunidades de crescimento individual e coletivo às suas populações, caso tivessem consigo um parlamento traidor, altamente dispendioso, corrupto, desonesto e ladrão, e um Judiciário que protege e defende a política deletéria e deplorável, pois o sistema deve ser preservado a qualquer custo, e uma dessas maneiras é através da impunidade!

    Resumindo:
    Sem educação não se chega a lugar algum.
    Permanecemos estagnados e, a cada ano, nossa situação educacional e econômica, em consequência – e não ao contrário! -, se deterioram.

  6. Onde falta pão todos gritam e ninguém tem razão assim acontece numa casa socialista, que por isso mesmo, com a imposição excessiva de regulamentos e impostos absurdos, com uma máquina estatal gigantesca e corrupta, é impossivel o progresso, a produção e empregos, que existem em países verdadeiramente capitalistas com grandes IDHs.

  7. Pedro do Coutto, excelente artigo. Parabéns.

    Francisco Bendl, comentário perfeito, indo até a raiz do problema: a educação. Também penso assim.

    O Brasil, infelizmente, perdeu o bonde da evolução cultural através da educação.

    A corrupção e a impunidade, instaladas no centro do poder, arrasaram o Brasil.

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