Brasil não precisa de energia nuclear, mas necessita de radioisótopos na medicina, na agricultura e na indústria

Carlos Newton

O engenheiro Joaquim Francisco de Carvalho, licenciado em Física e mestre em Engenharia Nuclear, é um maiores estudiosos da questão energética no Brasil. Há anos acompanho seus artigos na imprensa. Recentemente, li um texto dele no “Diário do Comércio”, de Belo Horizonte, em que destaca o grande potencial hidrelétrico brasileiro e afirma que, ao contrário de muitos importantes países, o Brasil não necessitará de novas usinas nucleares.

De acordo com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o potencial hidrelétrico brasileiro é de 261 mil MW, dos quais 172 mil ainda não estão em aproveitamento. A Região Norte detém 65% do potencial a aproveitar.

Admitindo-se que os ambientalistas lutem para valer e consigam impedir o aproveitamento de 20 por cento desse enorme potencial, e os planos de expansão sejam reformulados para utilizar apenas 80 por cento, ainda assim (incluindo-se as pequenas centrais), o Brasil poderá adicionar uma capacidade hidrelétrica de 137,6 GW aos 71,2 GW já instalados, perfazendo uma capacidade hidrelétrica total de espantosos 226,5 GW. 

Na visão do especialista Carvalho, a interligação do sistema hidrelétrico com o sistema eólico (dos ventos) permitiria que parte da energia gerada pelas centrais eólicas fosse armazenada – isto é, acumulada na forma de água nos reservatórios hidrelétricos – de maneira semelhante às malhas termoeólicas de alguns países europeus, nas quais a energia das eólicas permite que se economize gás natural ou óleo combustível.

Este sistema poderia operar em sinergia com usinas termelétricas a biomassa, pois a colheita da cana de açúcar ocorre durante as estações secas, e a frota automotiva brasileira é em grande parte alimentada com etanol, forçando a produção de bagaço de cana em escala suficiente para alimentar termelétricas de pequeno e médio porte, totalizando, em conjunto, uma capacidade da ordem de 10 mil MW por volta de 2012.

“Como o esmagamento e demais etapas do processamento da cana para a produção de etanol ocorre ao longo de oito meses por ano, o fator de capacidade do conjunto das termelétricas a bagaço pode passar de 50%”, assinala Carvalho.

De acordo com o IBGE, a população brasileira deverá se estabilizar em 215 milhões de habitantes, por volta do ano 2040. Assim, o sistema integrado hidro-eólico-térmico (a bagaço) teria um potencial suficiente para oferecer à população, em termos per capita, eletricidade em níveis equivalentes aos de países de alto padrão de qualidade de vida e industrialização.

“Portanto, ao contrário de países como a França e o Japão, que não têm outra alternativa, o Brasil não precisa correr o risco de gerar em centrais nucleares a energia elétrica de que precisa ou precisará. Isso não significa que se ponha em dúvida a importância das aplicações de radioisótopos na medicina, na agricultura e na indústria. Mas isso nada tem a ver com as centrais nucleares de produção de energia elétrica”, assinala o engenheiro Joaquim Francisco de Carvalho, nos dando uma visão otimista e verdadeira sobre o potencial socioeconômico de nosso país.

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