Brasil rejeita a malandragem dos potentados

Carlos Chagas

Na Espanha, a presidente Dilma está comprovando a certeza de que crises econômicas não se resolvem com redução de salários, aumento de impostos, demissões em massa no serviço público e nas empresas privadas, privatizações e supressão de direitos sociais. Essa receita, tão a gosto dos países e das comunidades financeiras que controlam o planeta, vem determinando de Norte a Sul a reação dos explorados.

Tanto em Cadiz como em Madri, as multidões em protesto tumultuaram e até impediram a passagem de comitivas estrangeiras empenhadas em impor a fórmula dos ricos e dos especuladores sobre as massas que, como sempre, vêem-se condenadas a pagar a conta das falcatruas de quantos as dirigem.

Desde o início da crise que a presidente brasileira insurgiu-se contra a solução das elites, infelizmente ainda dominante. Foi bom que ela assistisse ao vivo e em cores a demonstração do esgotamento e da falência do modelo que rejeitou desde o primeiro momento. Terá reforçadas suas convicções.

Ainda que no Brasil não se repita o amargo quadro registrado na Europa, importa à presidente brasileira ficar alerta, repetindo lá fora a única formula aceitável para evitar o caos: convulsões econômicas só se resolvem com o crescimento. A recessão nos outros pode ser ideal para a Alemanha e os Estados Unidos, mas para Espanha, Portugal, Grécia, Irlanda, França, Itália e penduricalhos, vem sendo fatal aos seus regimes, suas culturas e seu domínio.

O povo foi e ficou na rua, na Península Ibérica e no resto do velho continente. A certeza é de que enquanto os neoliberais não retornarem ao poder, o Brasil rejeitará a malandragem dos potentados. Com mensalão e tudo na mochila, melhor para nós permanecermos abrindo outras avenidas.

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FARSA OU PANTOMIMA?

Será farsa ou pantomima a retomada, amanhã, na Câmara dos Deputados, da discussão sobre a reforma política? Já foi comédia, virou tragédia, transformou-se em espetáculo circense, mas não empolga mais a platéia cada vez menor. Também, pedir à raposa que estabeleça as novas regras de comportamento do galinheiro, não dá.

Os legisladores chegaram ao máximo em matéria de reformas ao aprovarem a lei da ficha-suja. Não avançarão mais um milímetro na revisão de suas prerrogativas e benesses. Nada de diminuição do número de pequenos partidos, muito menos do financiamento de campanhas com dinheiro público. Sequer a supressão da figura dos suplentes de senador ou a extinção da reeleição para prefeitos, governadores e presidentes da República. Não passarão a proibição das coligações partidárias nem o fim das medidas provisórias. Sobra a coincidência das eleições todas num mesmo dia,sejam municipais, estaduais ou federais.

Se estivesse entre nós, Nelson Rodrigues escreveria que toda reforma é burra…

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