Brasil terá nova década perdida, diz José Márcio Camargo

Antonio Temóteo
Correio Braziliense

Na opinião do economista-chefe da Opus Investimentos, José Márcio Camargo, Dilma entregará o país para o próximo presidente em uma situação econômica pior do que quando recebeu o cargo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nas contas dele, entre 2015 e 2018, o PIB terá vai encolher a uma taxa média de 0,2% a cada ano. Com isso, o país vai lamentar mais uma década perdida, assim como nos anos 1980.

Para Camargo, os desequilíbrios que resultaram na disparada da inflação e na deterioração fiscal começaram no segundo mandato de Lula, quando o Executivo passou a interferir no mercado e deixou de fazer superavits primários adequado para evitar o crescimento da dívida pública. Dilma continuou com a mesma política e ainda tentou diminuir os juros na marra, o que fez a inflação subir.

Além disso, o governo tentou limitar taxas de retorno de concessões de infraestrutura e represou preços de energia elétrica e de combustíveis, desorganizando esses dois setores da economia. “Houve um conjunto de erros micro e macroeconômicos e as consequências apareceram agora”, disse.

PROCESSO LONGO E DOLOROSO

Camargo explicou que o país só voltará a crescer com a execução do ajuste fiscal, mas esse processo será longo, doloroso e requer um compromisso forte da equipe econômica. Ele tem dúvida, porém, se a correção de rumos sairá do papel.

“O fato de Banco do Brasil e Caixa anunciarem linhas especiais de crédito para o setor automotivo e sinalizarem que estenderão esses financiamentos para outros segmentos são uma clara sinalização de que a política econômica do primeiro mandato está de volta. O cenário se torna cada vez mais preocupante e a situação pode piorar ainda mais”, afirmou.

PREVISÃO: PIB ZERO

Para o economista-chefe da TOV Corretora, Pedro Paulo Silveira, na melhor das hipóteses, a média de desempenho do PIB entre 2015 e 2018 será zero. Ele ponderou que a retomada do crescimento passa pela disposição do setor privado em investir, o que não existe neste momento. De acordo com ele, os sucessivos erros dos últimos anos minaram a confiança do setor privado. “A percepção de risco em relação ao Brasil cresceu bastante nos últimos dois anos, e o processo eleitoral agravou esse cenário. Muitas decisões equivocadas foram tomadas no passado e isso se reflete em menor geração de riquezas”, comentou.

10 thoughts on “Brasil terá nova década perdida, diz José Márcio Camargo

  1. A análise do Economista-Chefe da OPUS Inv. JOSÉ MÁRCIO CAMARGO está correta, mas a meu ver, muito pessimista. Teremos 1/2 Década perdida, e mesmo assim é discutível dizer “Década Perdida ou 1/2”, para o tempo necessário de se corrigir erros Econômicos, praticados para ganhar a re-Eleição.
    O grande Fator de crescimento Econômico é o POVO. Com um POVO bem preparado, com CRIANÇAS bem ALIMENTADAS, cuidadas e intruidas, nunca mais “perderemos uma Década”. Não, que neste campo “Educação das CRIANÇAS”, não temos muito ainda por fazer, mas pelo menos já estão todas nas ESCOLAS.
    Diferentemente dos tempos do grande Presidente VARGAS (1930 ), quando +- 80% da População vivia no Campo, e a maioria em uma Agricultura de Subsistência movida a Tecnologia pré-Industrial (praticamente do tempo dos Romanos), e os +-20% Urbanos do Litoral, em uma Economia desIndustrializada, com um crescimento Populacional de +- 4%aa, hoje temos +- 80% da População Urbana, mesmo que +- 30% morando em Favelas( mas com Água Encanada e Eletricidade), os outros +- 20% Rurais ,muitos dos quais operando com uma Tecnologia de Ponta e são muito PRODUTIVOS, e o crescimento Populacional está em +- 1,5%aa, facilitando CUIDAR DAS CRIANÇAS.
    Apesar dos nossos problemas, Deficit Público causada por CUSTEIO, Deficit do Balanço de Pagamentos Internacional que descapitaliza nossa Economia NACIONAL, FALTA DE CAPITAL, etc, estamos numa situação bem melhor do que nos tempos do grande Presidente VARGAS, que Alfabetizou o Brasil, Industrializou o Brasil, integrou as diversas Regiões do País, especialmente o Interior/Amazônia, eletrificou, expandiu a Infra-Estrutura, etc, etc. mesmo que tendo feito tudo isso com um viés exageradamente ESTATAL.
    Portanto hoje, partimos de um patamar bem mais elevado, temos uma MASSA CRÍTICA de Empresários/Inovadores, Gente bem preparada, Técnicos, Operários Especializados, todo o POVO alfabetizado, +- 80% Urbanizados, e apesar de “chamuscada”, uma INDÚSTRIA que é a segunda maior das Américas, e que ainda responde por +- 25% da Economia Nacional.
    Re-equilibrado o Orçamento Federal e estabilizada a Dívida Pública, o que pela maioria dos prognósticos deve levar ainda +- 2 anos, 2015 e parte de 2017, temos as bases para ter uma Inflação no centro da Meta 4,5%aa, reduzirmos os Juros Básico e Comerciais correspondentemente, e voltaremos novamente a crescer nosso Potencial ( 1,5%aa crescimento População Economicamente Ativa + 2%aa de Produtividade) = 3,5%aa.
    Podemos dentro de 2 anos crescer ainda mais, se fizermos certas REFORMAS ESTRUTURAIS necessárias. Abrs.

  2. Amigos, precisamos analisar os fatos como eles são, sem entrar na histeria paranóica dos radicais. FHC obteve uma conquista da maior relevância que foi o controle da inflação, embora a inflação em 2002 tenha chegado a mais de 12%, e a dívida pública líquida estivesse em mais de 60% do PIB, além do dólar a R$ 4,00. Devemos ser justos. Lula fez uma política econômica ortodoxa no 1º mandato, chegando a União a fazer um superávit primário de 3% do PIB, tendo colocado as contas públicas em ordem. Teve sorte devido ao boom das importações chinesas de matérias primas brasileiras de soja e minério de ferro, tendo acumulado superávits comerciais que proporcionaram o incremento substancial das reservas internacionais brasileiras, excelente remédio contra eventuais crises cambiais. A melhora da situação tanto fiscal quanto no setor externo foi fundamental para que o Brasil enfrentasse de forma apropriada a crise de 2008. Temos de reconhecer que a gestão da economia de Lula foi bastante satisfatória, tendo havido profunda melhoria na distribuição da renda nacional devido à política de valorização do salário mínimo e às políticas sociais de transferência de renda, além de redução do desemprego, aumento da formalização do emprego, inflação sob controle e crescimento econômico de 7,5% em 2010. Outro efeito da política econômica nesse período foi o fato de que, tanto no mercado doméstico quanto no internacional, os brasileiros passarão a viajar muito mais a ponto de haver, no Museu do Louvre em Paris, folhetos explicativos em Português. O turista brasileiro entra num restaurante em Paris e encontra um menu em Português. Essas coisas a imprensa não fala. As coisas realmente começaram a desandar quando a Dilma, mesmo com boas intenções, resolveu intervir na economia fazendo três coisas que os economistas e os jornalistas econômicos sempre disseram que eram para serem feitas na economia, que são a redução do custo da energia, a diminuição da taxa de juros e a desoneração tributária, e no entanto os resultados foram desastrosos, talvez pela forma como tenham sido feitas, até hoje não entendi direito o que deu errado. Todo economista diz que a energia elétrica no Brasil é muito cara, que a taxa de juros é muito alta e que a carga tributária é proibitiva e escorchante. De qualquer forma, a pior barbeiragem da Dilma foi a deterioração da situação fiscal, que pode redundar na perda do grau de investimento e na maior dificuldade do Governo e das empresas brasileiras em se financiar no mercado.

  3. A década de 1980 ficou conhecida como a década Perdida.
    A década de 1990 focou conhecida como a década Esquecida,
    E a década 2010 será conhecida como a década PTirda.

  4. Prezado Prof. Dr. CARLOS FREDERICO ALVERGA,
    O senhor diz que não entendeu direito o que deu errado, na Teoricamente certa “Nova Matriz de Desenvolvimento” da Presidenta DILMA, ( baixa no Juro Básico Selic até um spread de 2%aa em relação a Inflação “Oficial”; Redução da Energia Elétrica, -45% Industrial/Comercial, -35% residencial, represamento de preço de combustíveis/Tarifas Públicas; Desoneração de Folha de Pagamentos, etc). Tecnicamente, tudo isso está certo. Por que não deslanchou a poderosa onda de INVESTIMENTO esperada? Os donos de Capital preferiram PERDER com LIQUIDEZ, do que INVESTIR.
    Nossa Opinião:
    1- Economia Política é +- 90% PSICOLOGIA e só +- 10% ECONOMIA. A Presidenta DILMA operou bem dentro dos 10%, mas esqueceu completamente os muitíssimos mais importantes +-90%. Foi uma questão de pura FALTA DE CONFIANÇA. A Presidenta DILMA nunca foi “tomar umas pingas junto com o Pessoal da FIESP, perguntar como anda a LUCRATIVIDADE das Empresas, quais seus principais PROBLEMAS, etc, etc”, demonstrar interesse enfim pela PRODUÇÃO, junto as devidas FEDERAÇÕES. Faltou DIÁLOGO entre as partes.
    2- O período da Presidenta DILMA, diferentemente do período anterior, coincidiu com uma Conjuntura Internacional RECESSIVA/Baixíssimo crescimento EUA/EUROPA/JAPÃO/RÚSSIA,e desaceleração na estratégica CHINA, desaceleração que continua apesar da boa Administração Chinesa. Abrs.

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