Brasil vai mal na vacina! Em relação ao total de habitantes, está lá no 78º lugar…

Como agendar 1ª dose da vacina da COVID-19 no sistema de xepa?

As estatísticas têm de levar em conta a população do país

Matheus Magenta
BBC News Brasil

Praticamente todos os dados que tratam da situação do Brasil na pandemia de coronavírus são questionados, comparados, recortados ou distorcidos desde que a doença chegou oficialmente ao país, em fevereiro de 2020. Como as quase 500 mil mortes são atualmente incontornáveis, as críticas ao governo de Jair Bolsonaro e os contrapontos têm se concentrado no desempenho brasileiro na vacinação.

Afinal, o Brasil vacina pouco ou muito? Se a comparação considerar apenas o número total de doses que cada país aplicou, o Brasil aparece em quarto lugar no ranking global de dados oficiais compilados pela Universidade de Oxford, no Reino Unido. Um patamar esperado para o sexto país mais populoso do mundo, com 212 milhões de habitantes.

EM 78º LUGAR… – Mas quando a comparação do total de doses aplicadas leva em conta o tamanho da população de cada país, o Brasil aparece em 78º entre 190 nações e territórios.

A comparação pode ser feita também com o próprio Brasil. O Ministério da Saúde afirma que o país tem capacidade instalada de vacinar 2,4 milhões por dia. E já chegou a vacinar 18 milhões de crianças em campanha contra a poliomielite. Mas desde 17 de janeiro de 2021, o Brasil só superou dez vezes a marca de 1 milhão de vacinados em 24h.

Os dados brasileiros, descentralizados, costumam ter ligeiras diferenças a depender da fonte: governo federal, secretarias de saúde, pesquisadores independentes ou consórcio de veículos jornalísticos. As comparações abaixo se baseiam nos dados mais recentes de cada país e coletados no portal de Oxford.

COM UMA DOSE – Até o momento, 840 milhões de pessoas receberam pelo menos uma dose contra a covid-19 ao redor do mundo, equivalente a cerca de 11% da população.

Que porcentagem da população recebeu pelo menos uma dose? Até o dia 02/05, o Brasil havia aplicado pelo menos uma dose em 21% da população brasileira. Isso coloca o país em 72º lugar no ranking de 190 nações e territórios.

Na América, o Brasil figura em 15º lugar. O país mais bem posicionado do continente é o Chile, que aplicou pelo menos uma dose em 55% da população. E mesmo com o avanço expressivo da vacinação por lá, o país sul-americano também tem enfrentado desafios graves no sistema de saúde, o que indica que a contenção da pandemia precisa ser associada a medidas eficazes de distanciamento social e uso universal de máscaras capazes de evitar a infecção.

COM DUAS DOSES – Com exceção da vacina da farmacêutica Janssen, todos os imunizantes precisam de duas doses para atingir a máxima eficácia contra o coronavírus. Em geral, uma pessoa pode ser considerada completamente imunizada duas semanas depois de receber a segunda dose.

Alguns países decidiram ampliar o período entre as duas doses, a fim de garantir logo a imunização parcial de uma fatia maior de sua população, como o Reino Unido.

No ranking da proporção da população que recebeu duas doses, o Brasil (10,4%) aparece em 74º no mundo e 18º na América.

E A VELOCIDADE??? – No quesito velocidade de doses aplicadas diariamente por cada 1 milhão de habitantes, o Brasil (3.561) aparece em 89º no mundo e 13º na América. O ritmo tem caído: em meados de maio o Brasil aplicava 4.207 doses por cada 1 milhão de habitantes. E desde fevereiro, o Brasil leva de 12 a 14 dias para aplicar 10 milhões de doses contra a covid-19.

Como dito acima, o Brasil tem uma enorme capacidade instalada por trás de um programação nacional de vacinação reconhecido mundialmente, mas a falta de vacinas impede o país de atingir os níveis de imunização de outras décadas. Na pandemia de H1N1, por exemplo, o Brasil imunizou quase 80 milhões de pessoas em três meses.

Na pandemia atual, o governo federal distribuiu de 17/01 a 02/06 quase 97 milhões de doses para Estados e municípios, mas apenas 68,2 milhões tinham sido aplicadas, segundo dados do Ministério da Saúde. A diferença entre o número de doses distribuídas e aplicadas no Brasil se explica em parte à necessidade de reservar uma quantidade como segunda dose.

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