Brasilia desprezou o povo, abandonou o cidadão

Brasilia nasceu amaldiçoada pelo favoritismo, nada é de graça. Qualquer que seja o fato que se vote, lá está o patrocinio escuso, o beneficio enxertado, o privilegio contaminado pela mordomia irrecusavel. Brasilia não conheceu apenas a decadencia administrativa, representada pelos escandalos em serie, que não cansam de aparecer.

Não existe mais debate na Camara ou no Senado. Inventaram os longos e desnecessarios apartes a favor. O orador fica em pé na tribuna ouvindo por 5, 10 ou 15 minutos, “quero trazer o meu aplauso e homenagem pelo pronunciamento de Vossa Excelencia”. E sua Excelencia sem conseguir dizer o que pretendia. Pretendia?

As pessoas são cansativas, estereis, monotonas, sem o menor interesse. Todos concordam, a oposição nem se lembra que precisa se opor, os chamados situacionistasdominam inteiramente. menos quando aparece o multiplo e ecletico Romero Jucá, indispensavel.

Foi lider do governo FHC no Senado. Como reconhecem que é indispensavel, voltou como lider do governo Lula. E tranquilamente desobedecem a Constituição. Esta afirama que os “Poderes são harmonicos e independentes entre si”, então por que existe o lider do governo na Camara, no Senado e no Congresso? Três violencias e inutilidades, autorizadas.

Essas lideranças, violencias e inutilidades, desnecessarias, mas autorizadas. E ainda existem os lideres (?) dos partidos, que podem indicar 5 ou 6 vice-lideres, todos com direito a facilidades. O trabalho é maior do que no Rio?

Quando a capital era no Rio, os partidos tinham um lider, e olhe lá. No presidencialismo dos EUA (igual ao do Brasil) o governo não tem lideres na Camara ou no Senado. Existem o lider Republicano e o lider Democrata, e estamos conversados.

Nixon, no primeiro mandato, teve 3 candidatos a ministro (que lá não sse chama ministro, todos são juizes) vetados pelo Senado. Como era e é constitucional, o presidente não se revoltou, não tentou violar ou violentar o fato. Chamou para almoçar na Casa Branca os 2 lideres e os 2 presidentes dos partidos. Acabado o almoço, se retirou, disse: “Os senhores proponham uma formula que possa ser acertada”. A proposta ao presidente: “faremos uma lista de 7 nomes, o senhor pode escolher tres deles, serão aceitos imediatamente” (Constitucional e politico).

No Brasil, todos os cargos que precisam ser examinados pelo Senado, não sofrem restrição. São aprovados na hora, o governo não perde uma. Naturalmente, antes há o inevitavel “troca-troca”. Que Republica, essa de Brasilia. Insisto na parte politica e decisiva para a opinião publica, pois a questão dos escandalos, mordomias, verbas indenizatorias, passagens, celulares pagos sem limites, dezenas de diretorias, tudo isso depende de VONTADE, ou seja, da modificação da representatividade, mudança para autentica-la.

Fato libelo (na verdade um libelo indefensavel) deveria ter um tamanho tão grande quanto a voracidade dos que representam (?) o cidadão na capital. Lá, fizeram uma invenção fascinante: a renuncia para não ser cassado. E voltarem logo na primeira eleição.

Pois no Rio capital, na Camara, votaram a cassação de um dos seus mais notaveis membros: Carlos Lacerda. Não importa se gostavam ou não gostavam dele, significava o prestigio e a representatividade da Camara. Em 1957, Juscelino disse para os aulicos: “Não aguento mais a oposição de Lacerda. Vamos cassa-lo”.

Numa noite, o plenario e as galerias lotadas, começou o processo de cassação do futuro governador. No unico gabinete la de cima, havia até champanhe para comemorar. Lacerda não foi cassado, Juscelino derrotado. A mesma derrota que o então presidente inflingiu ao povo brasileiro, com essa mudança catastrofica e irreversivel.

Não vão diminuir o numero de deputados (513, no presidencialismo dos EUA com mais de 300 milhões de habitantes, são 425). Não reduzirão o tempo e o numero de senadores (Nos EUA, 100 senadores, 2 por cada estado, mandato de 6 anos sem suplentes). Quem sabe aqui ainda achem muito pouco em cada uma das “Casas”?

Não vão mudar nada. Dizem, quase unanimes: Não sabiamos que o Senado tinha 181 diretores. É uma caixa preta”. Tinham que saber, é logico, ou então não cumpriam seus mandatos efetivamente. E agora que sabem, estão amasiados com a realidade, consideram que cortar 50 diretores é suficiente? E os que criticavam o proprio Lula por dizer que não sabia de nada?

Logico, todos ficarão impunes, imunes e intocados. Sobre isso, nenhuma duvida, a tranquilidade é total, no plenario e fora dele.

PS – O cidadão-contribuinte-eleitor pode imaginar o que de pior pode passar pela sua cabeça, acontece em Brasilia. Não há restrição ao pensamento pois a realidade é mais dramatica e insoluvel.

PS2 – Na mudança, a nova capital foi, ao mesmo tempo, o pai e a mãe da inflação. 49 anos depois, (quase 50), não há nada parecido em materia de enriquecimento ilicito. Só que essa riqueza não chegou ao povo. A não ser através da “renda per capita”, que é apenas privilegio dos ricos.

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