Brasília em festa pelos 50 anos, (esquecidos os 4 anos de antes) o festival de hipocrisia e mordomia. O Rio de luto, pelo ostracismo imoral

Só se fala nos 50 anos de Brasília, nenhuma palavra sobre o infortúnio do Rio-capital, mais do que infortúnio de uma cidade, desgraça nacional. E mais grave ainda: falam nos 50 anos de Brasília, contando de 21 de abril de 1960 a 21 de abril de 2010, hoje.

Esquecem que Brasília foi oficializada nesse 21 de abril sempre trágico, (Tiradentes, Tancredo, Brasília, três tragédias históricas e inesquecíveis), mas começou a surgir em 31 de janeiro de 1956, com a posse de Juscelino. No mesmo dia em que chegou ao Poder, assinou o primeiro ato de transformação de Brasília numa realidade que seria asfixiante, deprimente, alarmante, e que poucos perceberam.

Esse 21 de abril de 1960 foi precedido e contaminado pelo temporal-devastação que teve um nome ruinoso, ruidoso, desastroso: Novacap. Foi ali que tudo se iniciou, se complicou, destroçou o que se chamaria de Nova Capital, que deu lugar a essa sigla amaldiçoada, sintetizada como NOVACAP.

De 31 de janeiro de 1956 (posse) a 21 de abril de 1960 (mudança), tudo se prostituiu. Durante esses 4 anos, 2 meses e 20 dias, o dinheiro do cidadão-contribuinte-eleitor voava (literalmente), enriquecendo empreiteiras, construtoras, intermediários, e todos que se acumpliciavam com essa construção, que ganhava o rótulo de SALVAÇÃO NACIONAL.

O lugar-comum mais badalado: a mudança da capital para o Oeste, seria a grande REVOLUÇÃO que libertaria o Brasil, iria transformá-lo em potência mundial, em país unido, respeitado e glorificado. E ninguém ousava contestar a afirmação, nem chamar a atenção para aquele deserto enorme, que seria dividido por milhares de aproveitadores, que se chamavam de DESBRAVADORES.

E realmente tudo teve início com a APROPRIAÇÃO da Novacap e a DESAPROPRIAÇÃO do deserto, que foi DOADO, (Ah! FHC) para aventureiros de todas as espécies, que começaram a transferência da capital que sempre foi, para um deserto que jamais seria.

Então, assombrosamente, surgiram as construções miraculosas, foi MILAGRE MESMO, negativo, mas não há outra palavra. Além de DOAR os terrenos desse deserto silencioso que passou a suntuoso, a NOVACAP providenciava tudo.

Terra, areia, tijolo, madeira, ferro, cimento, pedra, tudo, tudo era transportado de avião, que mais ou menos há 10 anos havia se imposto no mundo. Aqui a aviação mal “engatinhava”, mas transportava o imprescindível.

E água, até água ou a necessária água, era levada para o deserto de avião. E a propósito de água, não nos esqueçamos: Lucio Costa teve a percepção, a intuição e a satisfação de perceber que aquele deserto mataria por sufocação toda a possível população, ninguém resistiria. Teve então a ideia do lago. Em volta dele se fixariam os milionários da NOVACAP, mas salvaria a todos.

Jamais se saberá quanto custou Brasília. A NOVACAP contratava e enriquecia muitos, menos CONTADORES ou CONTABILISTAS. Como se saberá o que foi necessário jogar nessa fogueira que surgia (ou morria no nascimento) desse incêndio ético e perdulário que foi e é Brasília.

Depois desse tempo que citei, JK assinou no dia 21 de abril de 1960, a criação de Brasília como capital e o Estado da Guanabara como substituto do então Distrito Federal. E como Juscelino era visceralmente provinciano, compradesco e privilegiador, quem nomeou governador dessa Guanabara que surgia? Sette Câmara, seu chefe da Casa Civil, que fazia 40 anos naquele dia, diplomata de carreira, ministro de segunda, no mesmo dia promovido a ministro de primeira (embaixador quando vai para o exterior).

Aí começaram efetivamente os 3 ou 4 anos dessa “Ilha da Fantasia”. Brasília era um projeto de cidade, uma irrealidade em termos de construção, mas já se montava o esquema de corrupção que hoje completa 54 anos. E não se salvará jamais, não há forma de recuperar o que foi plantado indevidamente naquele deserto da maldição.

Então, veio a enganação geral. O mais comum: “Aqui será a Praça dos Três Poderes”, “ali será a CASA OFICIAL do presidente do Senado”, um pouco mais distante, “a residência do presidente da Câmara, do Supremo”.

Não esqueceram nem a extraordinária granja para o vice-presidente, para o ministro da Fazenda, e mais e mais.

(Em 27 de julho de 1963, cheguei preso a Brasília, bem antes do golpe de 1964. Seria julgado no dia 31, pediram 15 anos de prisão para mim, pela Lei de Segurança. O resultado ficou empatado em 4 a 4, era o julgamento do ódio contra a verdadeira liberdade. Só estou lembrando isso, o maior julgamento de Brasília até hoje, pelo fato de não haver espaço para coisa alguma, principalmente para decisão como essa).

***

PS – Disse que ninguém sabe quanto custou a construção de Brasília. E a manutenção diária desse delírio do desperdício? Quanto se gasta com as despesas de todas as “casas oficiais”, abertas graciosamente para café da manhã, almoço, jantar e o que quiserem?

PS2 – E os ANEXOS da Câmara e do Senado, quanto custaram para a construção e para a manutenção? Senadores mais prestigiados, têm até três gabinetes. os menos importantes, têm 2. Idem, idem para a Câmara.

PS3 – E as mordomias colossais, que a partir de 31 de janeiro de 1961 tinham como justificativa (?) atrair habitantes para Brasília, se transformaram em permanentes? Nem quero falar na CORRUPÇÃO colossal, essa é INAVALIÁVEL.

PS4 – No Rio-capital-Distrito Federal, não havia nada disso. Ninguém tinha casa oficial, a Câmara não tinha nenhum anexo, o Senado também, mas as sessões eram memoráveis. Nada de 12 funcionários para cada senador, praticamente a mesma coisa para deputados.

PS5 – Brasília nao tem salvação. Fora de Brasília não há solução. Como mudar uma cidade que não foi construída e sim soterrada? É a capital mais linda e mais inútil do mundo.

PS6 – Depois de 1964, Brasília ganhou ares de capital da corrupção, tudo se localizou ali. Mas na verdade, a COMEMORAÇÃO NÃO DEVIA SER HOJE E SIM NO DIA 31 DE JANEIRO DE 1961.

PS7 – Não adivinhei nada. Mas assim que Juscelino anunciou a MUDANÇA DA CAPITAL, rompi com ele. Dirigi sua campanha, um ano maravilhoso correndo o país todo, 1 mês com ele no exterior, sendo recebidos por presidentes, reis e rainhas, primeiros-ministros do mundo ocidental, passei imediatamente para a oposição. Nunca me arrependi, o próprio Juscelino não poderia dizer o mesmo.

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