Braslia em frangalhos

Carlos Chagas

Salvo adiamento ou pedido de vista, o plenrio do Supremo Tribunal Federal decide hoje sobre o habeas-corpus do governador Jos Roberto Arruda. A liminar foi negada h uma semana pelo ministro-relator, Marco Aurlio Mello. Para manter a priso, h o argumento de no se ter encerrado, ainda, o inqurito policial que investiga a lambana do mensalo do DEM. O governador acusado de haver tentado embaraar as diligncias, oferecendo dinheiro a uma das testemunhas. Para a libertao, alegam seus advogados, existe o fato de que Arruda no foi ouvido nem teve direito de defesa, antes de ser preso.

Qualquer que seja o desfecho de mais esse captulo na longa novela de horror encenada no Distrito Federal, a informao de que Jos Roberto Arruda no renunciar. Sendo assim, fora da cadeia, reassumir o governo, evento digno daquelas histrias do Drcula e do Lobisomem.

Com o presidente Lula no exterior e o vice Jos Alencar submetendo-se a exames num hospital de So Paulo, fica ainda mais difcil imaginar quem manter os servios administrativos bsicos, a segurana e a ordem pblica, ou seja, as instituies funcionando, em Braslia. O prprio Arruda? Seu atual sucessor, Wilson Lima, que presidia a Cmara Legislativa, caso o governador opte por ficar ainda alguns dias licenciado, recuperando-se da hospedagem na Polcia Federal?

Soluo cirrgica existe: que tal o Supremo antecipar a deciso sobre a interveno federal na cidade? Previa-se que apenas em maro a mais alta corte nacional de justia se pronunciaria a respeito do pedido do Procurador Geral da Repblica, mas problemas novos geralmente exigem novas solues.

Uma coisa parece certa: voltando Arruda ou permanecendo Wilson Lima, Braslia est e mais ficar em frangalhos. Recuper-la, aos 50 anos, no vai ser fcil.

Razes da renncia de P.O.

No h como engolir a explicao do ex-vice-governador Paulo Octvio para sua renncia, doze dias depois de empossado. Por no ter conseguido apoio poltico na Cmara Legislativa? Ora bolas, comeando a governar, logo os partidos se comporiam com ele, indicando secretrios, presidentes de empresas pblicas e nomeando a mais no poder, especialmente num ano eleitoral.

Teria o indigitado renunciante percebido a rpida aprovao de seu impeachment pela maioria dos deputados distritais? Ou verificado ser uma questo de dias a decretao da interveno federal em Braslia?

Quem sabe, em ltima hiptese, teria sido chantageado por adversrios, na base da ameaa de divulgao de seu envolvimento no mensalo local?

De qualquer forma, sai muito mal da poltica do Distrito Federal, inserindo-se no rol de outras tristes figuras, como Lus Estevo, Joaquim Roriz, Jos Roberto Arruda e outros.

Apenas mais um indcio

Correto, mesmo, foi o diagnstico do Procurador Geral da Repblica, Roberto Gurgel, a respeito da renncia de Paulo Octvio: mais um indcio da falncia generalizada das instituies no Distrito Federal.

Autor do pedido de interveno federal em Braslia, o procurador sustenta a necessidade de um servio completo, ou seja, junto ao Executivo e ao Legislativo locais. A gente no sabe como se far a interveno na Cmara Legislativa, pois tudo depender do decreto do presidente da Repblica. Quem sabe estabelecendo o recesso dos deputados distritais, remunerado ou no?

O trilho

Nmeros festejados pela equipe econmica do governo: nossas reservas internacionais superam em quatro vezes e meia nossa dvida externa. timo, ainda que os bilhes depositados l fora beneficiem muito mais os bancos estrangeiros, ou seja, a especulao, apesar de renderem pequenos juros.

O problema, no relacionado por Meirelles, Mantega e Companhia, refere-se dvida interna. Vai a mais de um trilho, por conta dos juros astronmicos pagos a investidores e a especuladores.

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