“Bravata”: Auxiliares convenceram Bolsonaro a recuar sobre ‘lista de países’ que comprariam madeira ilegal

Governo causaria problemas diplomáticos, isolando cada vez mais o país 

Gerson Camarotti
G1

O presidente Jair Bolsonaro recuou de apresentar uma lista de países que, segundo ele, compram madeira extraída ilegalmente do Brasil. Bolsonaro foi alertado por auxiliares do governo que não teria como manter a afirmação. E ainda causaria problemas diplomáticos, isolando cada vez mais o país internacionalmente no debate ambiental.

Ao mesmo tempo, a pressão interna – inclusive do setor do agronegócio – serviu de alerta para integrantes da equipe do presidente, que demonstraram preocupação com o episódio. Ao blog, um auxiliar do próprio governo chegou a classificar a fala como uma “bravata” que não teria como ser comprovada.

CORREÇÃO – Na live desta quinta-feira, dia 19, o próprio Bolsonaro teve que fazer uma correção de rumo na sua fala ao citar que eram empresas estrangeiras, e não mais países, que compravam a madeira ilegal. Quando prometeu mostrar a lista, no início da semana, ele havia falado em “países”.

Bolsonaro mencionou a lista em uma reunião dos Brics, na terça-feira, dia 17, com os presidentes da Rússia, Índia, China e África do Sul. Ele disse que divulgaria os países que criticam o desmatamento da Amazônia, mas importam madeira ilegal do Brasil.

Um grupo que reúne entidades ambientais e empresários do agronegócio e da indústria cobrou que o governo Bolsonaro assuma a responsabilidade pela fiscalização da madeira extraída no país. A Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura – que reúne 262 representantes -, afirma que o maior obstáculo a um modelo sustentável “é a insegurança jurídica causada pela falta de fiscalização e comando e controle pelo Estado.”

RESPONSABILIDADE – A estratégia inicial do presidente Jair Bolsonaro era de transferir responsabilidades da fiscalização do governo brasileiro para quem compra a madeira que é exportada.

“O presidente errou. Ao invés de reconhecer dificuldades internas e pedir colaboração dos países, preferiu partir para o ataque. O grande risco é de um isolamento cada vez maior do Brasil nesta questão ambiental”, reconheceu ao Blog um auxiliar do governo. Esse mesmo auxiliar lembrou que o vice-presidente Hamilton Mourão já havia adotado a linha de pedir cooperação com os países da Europa.

6 thoughts on ““Bravata”: Auxiliares convenceram Bolsonaro a recuar sobre ‘lista de países’ que comprariam madeira ilegal

  1. Ai ai ai, Camarotti!

    Puxa vida!

    Tava indo tão bem na matéria….

    Chegou na última frase e… vupt ! Catou cavaco !

    E deixou a casquinha de banana pros otários escorregarem também, né Camarotti?

    “Bolsonaro foi alertado por auxiliares do governo que não teria como manter a afirmação.” ———-> “O presidente errou. Ao invés de reconhecer dificuldades internas e pedir colaboração dos países, preferiu partir para o ataque. O grande risco é de um isolamento cada vez maior do Brasil nesta questão ambiental”, reconheceu ao Blog um auxiliar do governo.————————–> “Esse mesmo auxiliar lembrou que O VICE-PRESIDENTE HAMILTON MOURÃO já havia adotado a linha de pedir cooperação com os países da Europa.”

    • Repararam no pulo do gato (digo, do milico…kkkkkk xD)???

      Tudo que sugerir “ponderação”, “moderação” , “razão”, tem que ter o nome de algum militar envolvido…..

      Agrojornalismo na veia, bicho!

  2. Provérbio chinês milenar: “saber calar, para saber falar”.

    Isso não sabe fazer o “pangolim brasiliensis” …

  3. A pergunta pertinente sobre as impulsividades de Bolsonaro Zero Zero,é:

    1) Não tem ninguém que assessore o presidente para evitar esse “vai e volta”?

    2) Talvez,até tenha vários assessores tentando,mas tratando-se de Bolsonaro Zero Zero,atormentado, atormentante e portador da vaidade do defeito desde sempre é tarefa impossível de conseguir.

    PS-Enquanto isso,o tempo do mandato presidencial vai passando…e o vácuo de realizações e avanços é quase nulo.

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