Brizolismo não tem herdeiro, apenas o próprio legado

Carlos Frederico Alverga

Muito se fala no herdeiro de Brizola. Mais importante que o herdeiro é o legado. E o  legado de Brizola é de probidade, patriotismo, nacionalismo, defesa da economia e soberania nacionais, prioridade absoluta para a escola pública de tempo integral, realização da reforma agrária, entre outras características positivas da sua biografia política de mais de cinco décadas.

Claro que cometeu sérios erros, tinha defeitos, mas seu saldo é amplamente positivo, se comparado aos políticos atuais, um bando de estelionatários que ingressam na vida pública para engordar seus patrimônios pessoais e enriquecer.

O trabalhismo é um ideário que tem postulados muito importantes e que devem sempre ser lembrados, principalmente nesses tempos neoliberais em que os governos europeus estão cortando as aposentadorias e pensões para ter dinheiro para pagar juros e amortizações aos banqueiros. Esses postulados podem ser sintetizados na necessidade de haver a preponderância do fator de produção trabalho sobre o fator capital, na regulação pública do capitalismo, que produz a eficiência alocativa, mas também causa a injustiça distributiva.

A intervenção do Estado na economia é crucial para equilibrar a oferta e a demanda agregadas, sempre não coincidentes, devido ao eterno desajuste entre as expectativas dos empresários e a realidade econômica. As políticas fiscal e monetária são exercidas pelo Estado e pelo Governo para tentar atenuar as conseqüências do desequilíbrio intrínseco entre a oferta e a demanda no capitalismo, um problema crônico, responsável pelos ciclos econômicos de inflação e desemprego de que padece nosso sistema econômico.

São de suma importância as próximas eleições na Europa, que serão a eleição regional espanhola a ocorrer na Andaluzia e a eleição presidencial francesa. Por mais conservadores que tenham sido os governos social democratas europeus nos últimos tempos, novas vitórias da direita européia podem ser fatais no sentido do enfraquecimento do fator trabalho e no fortalecimento do fator capital.

O Estado do Bem Estar Social nunca esteve tão ameaçado. Será muito deprimente assistir à vitória dos banqueiros sobre os trabalhadores, que sofrem com um desemprego cada vez maior, ao passo em que a ganância dos banqueiros não tem limites.

 

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *