Cabral abandonou Ermenegildo Zegna e mudou de grife

O governador do estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, anda em bicicleta do projeto de transporte público parisiense Velib em frente à prefeitura de Paris (França). (Foto: Carlos Magno/Ccs) *** DIREITOS RESERVADOS. NÃO PUBLICAR SEM AUTORIZAÇÃO DO DETENTOR DOS DIREITOS AUTORAIS E DE IMAGEM***

Cabral só comprava seus ternos sob medida em dinheiro vivo

Bernardo Mello Franco
Folha

Até pouco tempo, deputados e senadores recebiam o chamado auxílio-paletó. O agrado era depositado todo fim do ano, como se fosse um presente de Natal. Alegava-se que suas excelências precisavam de ajuda para comprar ternos, traje obrigatório na vida parlamentar.

Sérgio Cabral, o ex-governador do Rio, parece ter criado sua própria versão do benefício. Ela poderia ser chamada de Bolsa Ermenegildo Zegna. Enquanto o Estado caminhava para a falência, o peemedebista torrou R$ 258 mil para se vestir com roupas da grife italiana.

As compras foram pagas em dinheiro vivo, segundo documentos reunidos pela Lava Jato. Os investigadores afirmam que Cabral usou “produto do crime” para renovar o guarda-roupa. Ele é acusado de cobrar propina nas obras do Complexo Petroquímico do Rio, um dos projetos mais ambiciosos da Petrobras.

FIGURINO – O ex-governador começou a investir nos ternos italianos em 2011. Em julho do ano seguinte, fez sua maior aquisição: R$ 89.950, quitados “por meio de 11 (onze) operações bancárias de depósito em dinheiro, fracionadas em valores inferiores a R$ 10.000,00 (dez mil reais)”.

O objetivo do parcelamento, segundo os procuradores, era “ocultar a origem e a natureza criminosa dos valores oriundos dos crimes”. Toda compra acima de R$ 9.999,99 precisa ser informada ao Coaf, órgão do Ministério da Fazenda que fiscaliza movimentações suspeitas.

A grife preferida de Cabral é citada 83 vezes na denúncia que o acusa de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no petrolão. No mês passado, os policiais que visitaram seu apartamento encontraram uma vasta coleção de ternos da marca. As etiquetas eram personalizadas com o nome do político e a inscrição “su misura” (sob medida, em italiano).

Desde que se mudou do Leblon para Bangu 8, o peemedebista foi obrigado a adotar um novo estilo. Agora só é visto em trajes na cor verde, com a assinatura da grife Seap.

12 thoughts on “Cabral abandonou Ermenegildo Zegna e mudou de grife

  1. O povo está esperando a justiça cobrar também de Sergio Cortes, Júlio Lopes e os outros que estiveram na tal comemoração em Paris, ainda falta para que o povo do Rio veja a justiça ser feita.

  2. Como o carnaval já se aproxima, sugiro ao Cabral e outros, que formem um bloco la na carceragem onde estão e cantem uma marchinha antiga de 1954 do Raul Moreno, que tem por título, A FONTE SECOU.
    Outra coisa, a exigência mais esdrúxula que possa existir num pais tropical como o nosso, é o uso do terno e gravata.
    É a coisa mais sem sentido que possa haver. Gastam para confeccionar a roupa e depois tem também que gastar para refrigerar o ambiente, senão morrem torrados pelo calor.
    “Macaquear” os europeus já poderia ter saído de moda inclusive agora no natal, com aquele ridículo traje de papai noel.
    Bermuda e camiseta, deveriam ser considerados traje formal aqui nos trópicos ou vamos obrigar as mulheres a andarem vestidas feito um pinguim também. Ou não somos todos iguais?

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