Cabral, disparado, pode vencer no primeiro turno

Pedro do Coutto

Pesquisa do Vox Populi, divulgada pelo Jornal da Band na noite de quarta-feira e pelo Globo do dia seguinte, revela que, se as eleições para governador do Rio de Janeiro fossem hoje, Sérgio Cabral estaria reeleito com 41% das intenções de voto. Em segundo, uma surpresa, Fernando Gabeira com 19 pontos e em terceiro Anthont Garotinho com 18. Francamente, achava que Gabeira estava mais baixo do que se encontra, tais as divergências em torno de sua candidatura, sobretudo em relação à chapa para o Senado. O deputado verde firmou acordo com César Maia (DEM) e com Marcelo Cerqueira (PPS), e afastou Aspásia Camargo de cogitações, embora ela seja do PV como ele. Mas não apenas isso. As idas e vindas de Fernando Gabeira, pensava eu, iriam criar uma confusão na cabeça dos eleitores. Posições inclusive contraditórias. A mais acentuada delas o fato de apoiar simultaneamente duas candidaturas à presidência da República: José Serra e Marina Dilva. Difícil viabilizar tal duplicidade. Afinal, Gabeira não é o personagem de Goldoni. O Arlequim de Dois Patrões, peça exibida com muito sucesso no Rio, tempos atrás, tradução de Millôr Fernandes. Ou um ou outra. Entretanto, este obstáculo não parece influir muito no posicionamento da classe média, cujo candidato preferencial, verifica-se, é o Partido Verde.

Sérgio Cabral desponta fácil, na frente. Hoje com base nas intenções de voto registradas pelo Vox Populi, a dúvida é se vencerá  no primeiro ou no segundo turno. Está seguramente na final. Se contra Fernando Gabeira ou se contra o ex-governador, eis a questão.

Situação ainda mais solida do que Cabral, só a de Geraldo Alckmim em São Paulo. O Vox Populi aponta para ele anda menos que 51% das intenções de voto, muito distanciado de Aloísio Mercadante, que alcança 19 pontos, de Celso Russomano que tem 12, e, no final,  o empresário Paulo Skaf, presidente da FIESP,com apenas 2%. Curioso é que, em São Paulo, a vantagem de Alckmim, PSDB, sobre Mercadante, PT, é maior que a de Serra sobre Dilma Roussef. Assim, constata-se que há uma parcela do eleitorado paulista que vota em Geraldo Alckmim e Dilma Roussef. Mas em relação ao plano federal, O Estado do Rio de Janeiro apresenta um ponto sensível: tanto Sérgio quanto Garotinho apóiam a ex-chefe da Casa Civil, a candidatura de Lula. Cabral exigiu exclusividade de Dilma. Porém o presidente nacional do PT, Eduardo Dutra, em declarações ao O Globo, quarta-feira, afirmou que ela subirá nos dois palanques. Um complicador a ser superado. Vamos ver o que acontece.

Um outro assunto. Meus artigos sobre pesquisas e eleições, neste site, têm recebido sempre comentários diversos de leitores. Entre eles os de Delmiro Gouveia, José Guilherme Schossland, Vicent Limmongi Neto, Sérgio Oliveira, José Carlos Werneck, Thiago e Marcos Anchieta. Werneck concordou com meu texto sobre declínio do nível dos políticos, hoje, em relação aos do passado. Sérgio Oliveira discordou da pesquisa do Vox Populi. Eu escrevi sobre os números que apresentou. Nem mais, nem menos. Outras pesquisas virão e poderemos então confrontá-las. Carlos Augusto Montenegro, presidente do Ibope, me informou na quinta-feira que a empresa vai concluir um novo levantamento nacional dentro de 10 dias. Estranhei um comentário do conhecido jornalista Vicente Limongi Neto, bastante conceituado. Eu não afirmei que Lula iria se afastar da PMDB e optar por uma outra coligação para o PT. Eu disse que, com base no Vox Populi, Lula passou a precisar mnos do PMDB do que antes de Dilma ultrapassar Serra. Apenas isso.

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