Caças, foguetes e submarinos: Ministério da Defesa quer mais R$ 2,5 bi para bancar “projetos prioritários”

Pasta deve esbarrar em aval do Ministério da Economia

Vinicius Sassine
O Globo

O Ministério da Defesa quer ampliar em 37% o seu orçamento para investimentos no próximo ano para bancar projetos considerados prioritários, como a compra de caças, lançadores de foguetes e submarinos de propulsão nuclear. A proposta, em fase de elaboração, amplia a previsão de investimentos de R$ 6,7 bilhões, aprovada para 2020, para R$ 9,2 bilhões.

Dos recursos previstos para este ano, R$ 3 bilhões já foram pagos, segundo o portal de orçamento do Senado. Integrantes da pasta, porém, admitem que será difícil conseguir o aval do Ministério da Economia para a ampliação desejada. Esta é a verba que banca projetos como a compra de caças do projeto FX-2, que envolvem os Gripen suecos, pela Aeronáutica; de lançadores múltiplos de foguetes, pelo Exército; e de submarinos de propulsão nuclear, pela Marinha. Desde o começo do mandato de Jair Bolsonaro, as Forças Armadas vêm buscando — e conseguindo — ampliar seu orçamento.

“RIVALIDADE” – Na ofensiva mais recente, o Ministério da Defesa incluiu na Política Nacional de Defesa (PND) e na Estratégia Nacional de Defesa (END) a intenção de que o orçamento do setor chegue a 2% do PIB. Os textos foram enviados ao Congresso Nacional. Nos documentos, o governo passou a prever uma “rivalidade entre Estados” na esfera regional e relacionou essa “rivalidade” a uma necessidade de ampliação dos gastos militares.

O governo Bolsonaro já expôs suas divergências com o regime de Nicolás Maduro na Venezuela — não reconhecido pelo Brasil — e manifestou sua insatisfação com a eleição de Alberto Fernández para a presidência da Argentina. Não há citação específica aos países nos documentos.

Caso a regra desejada de se alcançar os 2% do PIB já estivesse em vigor, os gastos totais com as Forças teriam alcançado R$ 146 bilhões no ano passado, R$ 49,1 bilhões a mais do que foi efetivamente desembolsado. O Ministério da Defesa, sob Bolsonaro, já teve um aumento de gastos superior ao crescimento registrado em ministérios como Educação, Saúde, Agricultura e Relações Exteriores. O grosso dos gastos das Forças é com a folha de pagamento do pessoal da ativa e da reserva.

NA MÉDIA – O projeto do Orçamento da União para 2021 deve ser encaminhado neste mês ao Congresso. Apesar do pedido de mais recursos para investimentos, não há previsão de novos projetos, e os valores a mais seriam destinados aos que já estão em andamento. A pasta sustenta que o valor pedido seria condizente com uma média histórica. O orçamento de investimentos da pasta chegou a R$ 9,9 bilhões em 2017 e caiu nos dois anos posteriores, chegando a R$ 6,5 bilhões no ano passado.

Além do pedido por mais recursos, os materiais enviados ao Congresso citam formalmente a meritocracia como critério para capacitação de quadros militares e novas contratações. E uma estratégia para as Forças Armadas, também na área de formação educacional, prevê o desenvolvimento de programas que despertem um “sentimento de patriotismo”.

ATUALIZAÇÃO – A lei determina que PND e END — e o chamado Livro Branco, uma espécie de inventário da estrutura das Forças — sejam atualizados a cada quatro anos. Os textos são protocolares e genéricos, tidos como documentos de Estado, independentes do governo de ocasião. O Globo comparou o conteúdo atualizado em 2020 com os documentos atualizados em 2012 e em 2016, nas gestões de Dilma Rousseff e Michel Temer, respectivamente.

Na Estratégia Nacional de Defesa, no capítulo que trata de capacitação e dotação de recursos humanos, uma nova estratégia integra as diretrizes da defesa nacional: “Valorizar a meritocracia e a formação continuada”. O termo “meritocracia” não aparece nos documentos atualizados em 2012 e 2016.

A atualização das diretrizes feita no governo Bolsonaro também deixou explícito o desejo de promoção do “sentimento de patriotismo”. O termo aparece três vezes na END de 2020, enquanto é citado uma única vez no documento de 2016 e nenhuma no de 2012.

“PATRIOTISMO” – Uma nova estratégia surgiu no documento: “Fortalecer o sentimento coletivo, o patriotismo e a adesão da sociedade brasileira aos esforços de defesa do país.” Uma segunda foi adaptada. Antes, tratava-se de “contribuir para a ampliação de programas educacionais que visem à promoção da cidadania”. Agora, “contribuir para a ampliação de programas educacionais e desportivos, que visem à promoção da cidadania e do sentimento de patriotismo.”

Antes do envio dos documentos ao Congresso, duas inovações já haviam se tornado públicas: a intenção de elevar o orçamento da área a 2% do PIB e a previsão de “tensões e crises” nas áreas vizinhas ao Brasil. Os militares levam em conta como próximas uma região chamada de “entorno estratégico”, que inclui a América do Sul e a extensão do Atlântico até a costa da África Ocidental.

20 thoughts on “Caças, foguetes e submarinos: Ministério da Defesa quer mais R$ 2,5 bi para bancar “projetos prioritários”

  1. Boa tarde , leitores (as):

    Senhores Vinicius Sassine ( O Globo ) , Carlos Newton e Marcelo Copelli , alguns meses esternei meus temores de que cedo ou tarde o Presidente Jair Bolsonaro iria forçar um ” INCIDENTE INTERNACIONAL COM A VENEZUELA ” , tal como o então Presidente da Argentina General Leopoldo Galierre fez contra a Inglaterra invadindo as Ilhas Malvinas , e agora aparece essa real possibilidade através da ” Previsão Orçamentária 2021 ” do Ministério da Defesa do Brasil .

  2. Boa tarde , leitores (as):

    Senhores Vinicius Sassine ( O Globo ) , Carlos Newton e Marcelo Copelli , alguns meses externei meus temores de que cedo ou tarde o Presidente Jair Bolsonaro iria forçar um ” INCIDENTE INTERNACIONAL COM A VENEZUELA ” , tal como o então Presidente da Argentina General Leopoldo Galierre fez contra a Inglaterra invadindo as Ilhas Malvinas , e agora aparece essa real possibilidade através da ” Previsão Orçamentária 2021 ” do Ministério da Defesa do Brasil .

  3. Submarino nuclear? Sério? Pra brigar com quem? Qual o inimigo potencial do Brasil? Argentina, Venezuela, Colômbia? O resto a gente pode enfrentar com pau e faca! Ou viver em paz, que é melhor.
    Paises que têm submarino nuclear: India, Rússia, França, China, United Kingdom, USA. Devido á situação geopolítica e estratégica no mundo, esses países têm razão de estar equipados com nuclear weapons.
    Tendo em conta nossos inimigos potenciais e a vasta costa, ter submarino nuclear é jogar dinheiro fora!
    Precisamos de caças e de meios de vigiar nosso litoral. Se pudéssemos desenvolver capacidade de produzir foguetes terra-ar e terra-terra com boa precisão já seria um bom passo. O resto é delírio de milico sem guerra a mais de 2 séculos!

  4. OS VELHOS CORONÉIS da velha política do café com leite, p.ex., custavam mais barato ao erário e ao lombo do contribuinte do que os novos coronéis da direita, da esquerda e do centro. E a conta não é difícil de fazer, é aritmética simples. Antigamente, os coronéis no período das eleições, como eles mesmos diziam, colocavam um pouco de sal nos coxos para os seus gados, davam a cada um deles antes das eleições um pé de botina, o pé direito, e só depois, se vencedores, entregavam o outro pé, o esquerdo, e assim ficava mais fácil e mais barato para cada coronel marcar e controlar o seu gado, inclusive durante a ditadura militar. E assim a cooptação assistencialista eleitoral ficava mais em conta para o erário e, sobretudo, para o contribuinte. Fato esse, indecoroso, que indignava profundamente as alas oposicionistas, ditas progressistas, cujo entendimento era o de ensinar a pescar ao invés de dar peixe pronto para o potencial eleitor comer. Todavia, com a chegada das alas ditas progressistas ao poder descobriu-se que na verdade só ideias, discursos e promessas não enchiam barrigas e que não seguram por muito tempo a fidelidade eleitoral. Foi ai que Sarney, Collor, Itamar e CIA, começaram a abrir a regulagem do assistencialismo eleitoral, até que FHC, finalmente, chegou ao topo do poder central da república e começou a liberar geral, fazer uma festa de arromba, virou mito, e de quebra, já na condição de dono da república, inventou até a reeleição para presidente, na cara dura, em benefício próprio. E dai veio o Lula, pisou fundo no acelerador do legado de FHC e tb virou mito, mais bem amado do que o próprio FHC, tornando a conta eleitoral muito mais salgada e até insuportável para o contribuinte, e só não instituiu a tri, tetra ou penta eleição, à moda Evo Morales na Bolívia, porque não quis. E agora veio o Bolsonaro, tb totalmente entregue ao centrão, e de quebra ao militarismo, ao crentismo, ao milicianismo e afin$, e, sobretudo, ao assistencialismo eleitoral às custas do erário, disposto a tudo pela sua reeleição, e que se dane as finanças públicas, a república e o fiofó do contribuinte. E viva a bandidocracia do militarismo, do partidarismo, politiqueiro$, e dos seus tentáculos, velhaco$. https://www.brasil247.com/blog/bolsonaro-vai-encurralar-a-oposicao

  5. Está deflagrada a campanha: PATRIOTISMO por centavo no HOLERITE.
    É chegada a hora de revisionar a performance do trio belipotente: na Guerra do Paraguai, participação da FEB na Itália, Guerrilha do Araguaia etc.
    Pois, lá fora, as histórias contadas sobre esses três episódios, têm desfechos diferentes!

  6. Mui patriota$, de araque, quinta-colunas, entregaram o Brasil aos interesses geopolíticos norte-americanos já instalado na base de Alcântara. Ademais, forças armada que têm bandidos de estimação não são forças armadas mas isto sim braços armados de bandidos, como já disseram.

  7. O Bozo quer superfaturamento para comprar caças, foguetes e submarinos e nos levar para uma guerra contra a Venezuela para agradar o States,

    Capacho, capacho, capacho.

    Bandido vira-lata.

    • Exatamente, Renato!
      Bom dia!
      Os gastos na área militar mais acobertados, menos transparentes, portanto.
      Certeza que sempre ocorreram desculpa e pouco temos acesso, devido à alegação de segredo, confidencialidade, ainda que não seja clara a necessidade. E o próprio desinteresse da mídia. Veja os gastos com compras de munições e equipamentos nas ações de GLO (pouquíssimo divulgado).
      Bolsonaro e os militares querem dinheiro – muitos desses tem participação em empresas do setor. Um forma do presidente comprar apoio da caserna.
      Isso não é Corrupção?

  8. O pior tipo de aparelhamento de instituição é o aparelhamento político-partidário das forças armadas, e isso está acontecendo no Brasil, infeliz e desgraçadamente, na cara de todo mundo.

  9. Piada essas nossas FAs. A maior parte do orçamento vai pra pagar benefícios e salários de marmanjo que se aposenta aos 46 anos com salário integral, mantido intocável (óbvio) por esse governo.
    Nosso ministro de minas e energia é um almirante cujo sonho é entregar a Eletrobras e fatias da Petrobras pra grupos estrangeiros. Que acabe com as FAs então, pelo menos economizaríamos umas boas dezenas de bilhões por ano do contribuinte.

  10. Por mais inconsequente que é Bolsonaro, além de estar cercado por assessores incompetentes e militares desgastados porque participam ativamente da política, não acredito que aparelhar mais e melhor as FFAA tenha como objetivo uma guerra contra a Venezuela.

    Nem pensar!

    Se o Brasil está capenga economicamente, desemprego em massa, recursos cada vez mais escassos, dezenas de milhões pobres e miseráveis, só mesmo um bando de loucos para deixar de lado os custos de um conflito internacional!

    Mais:
    se o Exército não é mais o mesmo que na minha época, e não tenha considerado que a Venezuela não lutaria sozinha conosco, seria de bom alvitre que os chefes militares levassem em conta essa questão.

    Lembro que somos o único país nas Américas que fala o português.
    Estados Unidos e Canadá, o inglês, parte do Canadá, o francês, e as demais nações do México até a Patagônia, o espanhol.

    Certamente muitos países sul-americanos estariam revendo suas relações diplomáticas com o Brasil, na eventualidade de essa guerra acontecer ou surgir possibilidade da sua realização.
    E precisamos cuidar de ajudas externas – fora desse continente – para os venezuelanos.
    China e Rússia, por exemplo.
    Estados Unidos conosco, SUPOSTAMENTE!

    Resultado:
    América dilacerada e dividida entre as três maiores potências militares do planeta!

    Logo, tirem da cabeça essa ideia, de entrarmos em guerra contra a Venezuela.
    Seria mais fácil eu ser eleito Papa pelo Colégio dos Cardeais, que o Brasil fomentar um conflito de consequências imprevisíveis, a não ser que seríamos mortalmente abatidos pelas nações que se aliariam à Venezuela!

    • Bom dia Chicão. certa sua análise, o momento e a nossa tradicional postura geopolítica não permitiriam qualquer aventura bélica, mas nos sabemos como os militares são infantis quando se trata de brinquedos bélicos e como o “Comandante Supremo” é oportunista e necessitado de apoio
      para continuar, não governando o pais, que isso ele deixa para Deus, mas na sua campanha eleitoral para 2022.
      Um conflito armado armado com o “Satã do Norte” seria um factoide interessante para deslumbrar mais alguns milhões de debiloides, mas…
      os inconvenientes, você os expôs.
      Abraço.

      • Moreno,

        Dependemos, então, que exista no comando das FFAA gente equilibrada, mente sã, que impeçam qualquer pensamento mais aventureiro, inconsequente e irresponsável por parte do Executivo.

        Lançarmo-nos em uma aventura fratricida e genocida, pois afirmo que deveremos ter um líder insano e, muito mais ainda, um povo idiota e imbecil, se aprovasse a ideia belicosa.

        Ainda bem que Bolsonaro não é Hitler; muito menos somos o povo alemão; não temos um partido que usa da violência para doutrinar e ameaçar o cidadão; da mesma forma não perseguimos e colocamos em guetos outras etnias.

        Em consequência, afirmo que Bolsonaro não teria “café no bule” para esse tipo de empreitada ou que seja o “gás da Coca-Cola” ou o “último biscoito do pacote”.

        E, se internamente, Bolsonaro tiver militares que o apoiem nessa intenção, de guerra contra a Venezuela, teríamos a influência internacional impedindo que se concretizasse essa loucura!

        Abração.
        Saúde e paz.
        Te cuida, meu, pois estamos beirando 100 mil mortos por uma tal de gripe, apelidada de gripezinha pelo nosso presidente!

  11. Bolsonaro tenta compensar o desleixo que seus antecessores deixaram as FFAA, tanto em termos de armamentos quanto em soldos.

    O problema é que três décadas de abandono é muito tempo, para ser resolvido em um só mandato! E no pior momento da nossa economia, em consequência para o país e povo.

    Evidente que as castas estão asseguradas em seus proventos milionários, legislativo e judiciário.
    O aumento substancial nos salários dos militares os alçou à mesma categoria que os dois poderes que citei.
    Se quiserem me questionar, respondo que as FFAA cumprem com suas obrigações apenas em meio expediente.

    Iniciam na segunda-feira à tarde, e encerram sexta-feira ao meio dia.
    O fim de semana é composto de três dias integrais.
    Logo, pelo trabalho feito pela metade, e conforme vencimentos atuais, os militares chegaram lá.

    Nada contra, afirmo.
    Pelo menos as FFAA fazem algo de útil, volta e meia. Poderia ser bem mais. Bastaria uma organização mais meticulosa e planos de colocar em ação os mais de 220 mil militares que temos na ativa, e verificando a possibilidade de o civil participar na administração das casernas, que o desemprego diminuiria, e haveria maiores ocupações durante o espaço vazio das tardes diárias.

    O mal de qualquer força militar no mundo é que age através de ordens.
    Não há iniciativa alguma com relação ao povo e país.
    Nosso caso, por exemplo:
    Tem sido incalculáveis os roubos que os poderes têm praticado contra o cidadão.
    No governo do PT foi um passeio, copa franca.

    Houve algum movimento vindo das casernas de descontentamento ou de protestos?
    Nada.
    A corrupção foi instituída no Brasil.
    As FFAA alguma vez se manifestaram contrárias a essa chaga aberta permanentemente?
    Nada.
    A violência abunda no país.
    Assaltantes, traficantes, milícias, possuem armamento de militares.
    O Exército alguma vez apresentou um plano para enfrentá-los?
    Nada.
    Recebo vídeos inacreditáveis do Rio de Janeiro, onde em alguns bairros os traficantes andam livres pelas ruas portando fuzis automáticos modernos ou andando em carrocerias de camionetes como se fossem árabes e suas diversas correntes políticas!!
    Alguma ação militar contra essa manifestação explícita de medo à população?
    Nada.

    Concordo que as FFAA sejam mais bem equipadas e modernizadas, afinal das contas temos uma enorme área para proteger.
    Agora, de nada adianta um belo aparato militar, se o desprezo e a negligência para com a nação possibilitarem o crescimento de milícias e de bandos que traficam armas e drogas!

    Ora, assim como um pneu com baixa calibragem, a pressão interna aumenta a ponto de estourar conforme o atrito ao solo em viagens, o mesmo poderá acontecer conosco, se ainda não se deram por conta!
    Um país sul-americano que apenas perderia para o ultra moderno e aparelhado sistema de defesa dos Estados Unidos, porém à mercê de maus elementos internamente!

    Às vezes fico pensando o que ocorre na Escola Superior de Guerra.
    Esses assuntos são abordados?
    Cogita-se, pelo menos, onde as nossas falhas são maiores e mais perigosas?
    Comenta-se o que fazer para impedir e diminuir a violência exacerbada, que permite armas de grosso calibre nas mãos de milhares de pessoas no Brasil?!

    Os caras têm até lança-rojão ou bazuca!
    Mais um pouco, e terão ate canhões de 55mm ou 75mm!!!

    Dito isso, muito bom que as FFAA estejam recuperando terreno perdido.
    Porém, que estejam atentas para não perder o território que supostamente defenderiam contra invasões estrangeiras, mas perderem o controle do pais para alguns brasileiros!

    Lamentavelmente, observo um grande desequilíbrio nesse particular, que poderá ser o nó górdio em seguida!

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