Cadê a ficha limpa dos outros?

Vicente Limongi Netto

O STF carimbou a Ficha Limpa. No bom português, a Suprema Corte se esmerou na hipocrisia e fez bem o dever de casa para também aparecer bem nos holofotes da discutida opinião pública.

Será que todos os milhões de brasileiros que tiveram o árduo trabalho monitorados por algumas ONGs, podem ser chamados, sem medo de errar, de fichas limpas? Quando a justiça também entrará de sola nas centenas de estranhas ONGs que saciam seus apetites nos orgãos públicos e não prestam conta para ninguém?

Bandidos engravatados existem em todos os segmentos. Não é privilégio do meio político. A classe política não pode ser demonizada pelos exagero de uma lei cretina. Frutos podres também existem na medicina, na advogacia, no magistrado, no jornalismo.

A lei da ficha Limpa, que pretende acabar com todos os males brasileiros e servir de exemplo para o mundo, precisa, igualmente, a meu ver, alcançar patifes que atuam fora da política. Por acaso padre ou religioso pedófilo, que arruina famílias, vai para o céu com diploma de ficha limpa? O jornalista irresponsável, que distorce, que manipula, que insulta as pessoas, merece ir para o trono como ficha limpa?

A midia, que geralmente se julga dona do mundo, embora não olhe para o próprio umbigo, mais uma vez passa para a sociedade desavisada, a falsa impressão da Santidade.

Somos todos imaculados, menos os politicos. Que fazem as leis, que defendem a Constituição e que zelam pela democracia. Inclusive pelo meu direito de manifestar minha indignação ao monumento à empulhação que o país acaba de erguer.

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