Cai por terra a falsa pacificação das favelas, “inventada” por Sergio Cabral

Carlos Newton

Como se sabe, o governador Sérgio Cabral jogou a toalha e pediu à Presidência da República o apoio das forças federais para conter os ataques em comunidades pacificadas. Ele anunciou a decisão na madrugada de sexta-feira, depois de se reunir com um tal “Gabinete de Crise”, convocado em caráter de urgência após ataques em três áreas com unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), ocorridos na noite de quinta-feira.

Para saber o que está acontecendo no Rio de Janeiro, é preciso lembrar o que está por trás da chamada Política de Pacificação das Favelas através das UPPs. Numa cidade conflagrada como o Rio de Janeiro, onde cada favela tinha “dono” e os traficantes mantinham milícias fortemente armadas que enfrentavam a Polícia Militar em situação privilegiada (de cima para baixo, como na famosa batalha de Monte Castelo), foi de estranhar que a “ocupação” de diversas favelas ocorresse sem que houvesse a menor resistência, nenhuma troca de tiros, nada, nada.

Era como se os traficantes subitamente tivessem desistido da criminalidade. E o governador se jactava, dizendo: “Dei o prazo de 24 horas para que os traficantes abandonassem as favelas do Cantagalo, Pavão e Pavaõzinho”. E eles, tremendo de medo, obedeceram. Era o que os jornais noticiavam, sem perguntar como Sérgio Cabral teria feito esse ultimado aos traficantes: se fora pessoalmente ou através de quem?

ACORDO COM O TRÁFICO

Na época, comentei com Helio Fernandes que essa situação era muito estranha, porque em todas as favelas o fenômeno se repetia, monotonamente, com os traficantes se retirando sem dar um só tiro. Helio Fernandes então saiu em campo, colheu informações e escreveu uma série de artigos na Tribuna, denunciando que Cabral havia feito um acordo com os traficantes, nos seguintes termos:

1) A PM ocuparia sem resistência as favelas.

2) Os traficantes desmobilizariam suas milícias, não haveria mais “soldados do tráfico” com suas máscaras ninjas (eles são precursores dos black blocs, digamos assim), não  exibiriam fuzis e metralhadoras, não haveria disparos e balas perdidas, os moradores das comunidades não seriam aterrorizados, a paz reinaria em cada favela.

3) Em troca, os traficantes poderia seguir suas atividades sem repressão, desde que o fizessem discretamente, através do sistema de entrega a domicílio (droga delivery).

A MÍDIA SILENCIA

As denúncias de Helio Fernandes, é claro, tiveram enorme repercussão, mas os grandes jornais e as emissoras de TV não se interessaram em ampliar a apuração desses fatos, por um simples motivo: a política de Cabral aparentemente estava funcionando. Apenas O Globo certa vez entrou no assunto, ao receber imagens da “venda livre” de drogas numa das favelas pacificadas. Fez duas matérias de página inteira, mas depois acomodou novamente e esqueceu o problema…

Os traficantes ficaram encantados com a ideia de Cabral, porque rapidamente aumentaram os lucros. Não precisavam mais gastar dinheiro para comprar armamentos e munições nem para pagar o grande número de “olheiros” e “soldados-ninjas” que protegiam suas atividades e impediam o acesso da Polícia Militar às comunidades.

SONHANDO ACORDADO

O criativo Sergio Cabral vivia nas nuvens. Já tinha como certo que seria eleito presidente da República, para aplicar no país inteiro sua “política de pacificação”. Sonhar não é proibido, lógico, mas o governador não contava com alguns variáveis que, pouco a pouco, iriam jogando por terra a farsa das UPPs.

1) Alguns policiais militares acharam absurda a “liberação” do tráfico e começaram a cobrar propinas dos traficantes. No bairro de Santa Teresa, por exemplo, três meses depois da “pacificação”, a própria PM prendeu um soldado corrupto, que estava com 13 mil reais no bolso.

2) O tráfico de drogas no Rio de Janeiro se caracteriza pela rotatividade de suas lideranças nas favelas. Os grandes traficantes não moram no morro. Pelo contrário, vivem nos bairros mais luxuosos, especialmente na Barra da Tijuca e no Recreio dos Bandeirantes, onde facilmente se misturam aos novos ricos em ascensão.

3) Começaram a ocorrer enfrentamentos entre novos milicianos do tráfico e os PMs que estão lotados nas UPPs, a grande maioria formada de soldados sem nenhuma experiência, recentemente recrutados.

Assim, de repente a “pacificação” foi desmoronando, as instalações das UPPs começaram a ser atacadas, soldados e oficiais da PM foram alvejados pelos novos traficantes, que não fizeram acordo com ninguém e agora lutam para ocupar territórios.

Esta é a realidade do Rio de Janeiro. E o que fará a Guarda Nacional? Vai ocupar as favelas, ficará eternamente lá? O Grande Rio tem 1071 comunidades consideradas favelas. Até agora, só existem 38 UPPs. Portanto, faltam apenas 1033 unidades pacificadoras.

17 thoughts on “Cai por terra a falsa pacificação das favelas, “inventada” por Sergio Cabral

  1. Quem vende munição para os bandidos ? O Brasil desarma o cidadão ao mesmo tempo que deixa que armem e municiem os bandidos. A ideia é desarmar o cidadão para diminuir a violência. Mas o que vemos é o contrário. Toda arma e toda munição podem ser rastreadas. Dá para se descobrir quem é o fabricante da arma, e para quem aquela arma ou aquela munição foi vendida. A falha no combate ao suprimento de armas e munição aos bandidos é a principal causa da violência. Sem munição não tem ataque a UPP.
    PS: O crime organizado da favela é uma mentira. Não há vida inteligente no meio daquela bandidagem que vemos sendo presa, na TV. São todos pés de chinelos, buchas, viciados com os cerebelos queimados pela droga.
    PS1: O crime organizado está infiltrado. Controlando tudo.

  2. Se. Newton, quem viu na TV, a policia subindo o alemão, e os bandidos armados, fugindo no cume do morro, é uma afirmativa material, que havia acordo; houve tiro de resistência, NÃO, houve prisão, NÃO, resultado: o “serginho desgovernador”, nos tachou de idiotas e palhaços!!. Um velho ditado diz: o que se planta, se colhe, infelizmente o “Zé Mané” é quem paga o pato, morando sub-humanamente, a mercê de bandidos e da mentira do governo.
    Resta uma pergunta: dia 05/10, alguém em sã consciência vai dar voto obrigatório a Cabral e camarilha!!?
    Zé, tome chá de vergonha na cara!!!, ou então vai continuar à pastar.

  3. Antes das UPP’s os policiais não faziam nada quando motociclistas iam denunciar que sua motocicleta tinha sido roubada. Comigo, em 2006, roubaram-me e ainda tive que pagar R$ 3 mil para resgatar a motocicleta, uma Suzuki, Bandit 1200, 2004. Registrei a ocorrência, mas tive que correr atrás sozinho para resgatar a motocicleta, porque os policiais não fizeram nada para recuperar a motocicleta que estava com certeza no morro do Borel. Depois de pagar o resgate voltei na 19ª DP para dizer que havia recuperado a motocicleta depois de pagar resgate, o policial disse que eu tinha feito o certo. Perplexo,solicitei que desce baixa na ocorrência e fui embora. Vendi a moto, o cara que comprou me procurou querendo me matar porque a moto era roubada. Provei que a moto não era roubada, e que provavelmente o policial não tinha dado baixa na ocorrência, por isso a moto estava como roubada no sistema. Fui na DRFA, na Francisco Bicalho, para dar baixa na ocorrência. Porque eu me lembrei disto ? Porque agora ninguém rouba mais moto na Usina da Tijuca como roubavam tempos atrás. Antigamente era escancarado. Menores do Borel e da Formiga roubavam motos e ficavam circulando pela região impunemente, usavam até o CIEP do Borel como estacionamento de motos roubadas. A polícia não fazia nada. Os tiroteios no Borel eram comuns, os policiais da 19ª DP escutavam os tiroteios e não faziam nada. No dia que fui registrar a ocorrência, o tiroteio no Borel ecoava na delegacia e os policiais agindo naturalmente como se nada tivesse acontecendo, um absurdo de omissão. Agora pelo menos isso acabou. Acabou porque os policiais não se omitem mais. É a velha estória do bode. botam o bode na sala do cidadão, depois quando tiram o bode ,que eles mesmos botaram, tudo melhora.

  4. Senhores,

    Segue um artigo sobre o assuntos, do jornalista Carlos Newton, só para relembrar…

    “TRIBUNA A IMPRENSA, 24 de dezembro de 2010.
    Carlos Newton

    É admirável a coragem do excelente advogado José Folena, que em recente artigo publicado aqui na Tribuna da Imprensa demonstrou sua preocupação com a atuação das Forças Armadas em atividades meramente policiais, possibilidade que a Constituição não admite. Só podem acontecer quando ficar demonstrado que as autoridades estaduais realmente perderam o controle.
    Folena não está em dúvida. Ele acha que as autoridades estaduais ainda não haviam esgotado todas as suas possibilidades. E tem toda razão. Afinal, as autoridades não afirmam ter “dominado” a situação nas 14 favelas onde hoje existem UPPS (Unidades Policiais de Pacificação)? Por que não poderiam “dominar” também o Complexo do Alemão?
    Tudo é estranho, muito estranho. E agora não tem mais volta. O povo quer as Forças Armadas atuando no combate aos traficantes. Portanto, defender a retirada dos militares significa contestar a opinião pública, mas Folena, corajosamente, o fez. Se os militares se retirarem, será uma decepção. Alguém tem dúvida? Mas ninguém deve esquecer também que eles podem se banalizar e até se desmoralizar no serviço meramente policial.
    Em meio a essas intrigantes questões, o mais importante é que, pouco a pouco, a realidade sobre os atentados no Rio de Janeiro começa a vir à tona. Às vezes, esta verdade flui dos próprios protagonistas, como é o caso do animador cultural José Júnior, criador do AfroReggae.
    Em entrevista ao jornal “Publico”, de Portugal, José Júnior admitiu que tinha conhecimento prévio de que ocorreriam os ataques. Foi informado por seu amigo Rogério Menezes, que trabalha com ele no AfroReggae. E os dois, que não escondem o fato de serem ligados ao governador Sérgio Cabral, então foram procurar os traficantes, para conseguir que eles não fizessem os ataques antes da eleição (3 de outubro).

    Vamos então conferir esse importante trecho da reportagem de Alexandra Lucas Coelho para o “Público”, com perguntas realmente muito precisas:
    ALEXANDRA- Por que não fizeram os ataques na campanha eleitoral? Não seria mais eficaz como protesto?
    JOSÉ JÚNIOR – Rolaram algumas mediações para que isso não acontecesse.
    ALEXANDRA – Com o Governo?
    JOSÉ JÚNIOR – Não. Mediações com pessoas para evitar os ataques. Por isso é que não aconteceu. [Pausa] Vou te falar a verdade: não aconteceu, porque nós mediamos para não acontecer no primeiro turno. Não foi a pedido do Governo, não. Fizemos isso porque quisemos. A gente sabia, e entrou no circuito para não acontecer.
    ALEXANDRA – Então você mediou…
    JOSÉ JÚNIOR – Nós. Do AfroReggae. Não sou eu.
    ALEXANDRA – Ok, um grupo. Liderado por você, presumo?
    JOSÉ JÚNIOR – Mas o Rogério [Menezes] participou também. Outras pessoas participaram. Inclusive a informação [de que poderia haver ataques em preparação] chegou para o Rogério e o Rogério falou para mim. Não estou falando isso porque sou generoso, mas porque é verdade. ALEXANDRA – A iniciativa partiu de quem?
    JOSÉ JÚNIOR – De nós.
    ALEXANDRA – E foi feita com quem?
    JOSÉ JÚNIOR – Ah, não vou te falar.
    ALEXANDRA – Com o Complexo do Alemão, com a Penha?
    JOSÉ JÚNIOR – Também não vou te falar. Você tem suas fontes, eu tenho as minhas, se eu te revelar minhas fontes, elas podem morrer. E as fontes são desde traficantes a pessoas que não têm nada a ver com o crime e sabem o que está acontecendo. Fizemos essa mediação para que não acontecesse no primeiro turno. Tinha outro período em que eles queriam fazer também [ataques], no início do ano. Tinha várias situações.
    Nós trabalhamos nos presídios [onde estão muitos traficantes, e de onde partem ordens de ataques]. O AfroReaggae tem 75 projetos. Trabalha em Bangu II, Bangu III, Bangu IV, Bangu VI, Talavera Bruce [nomes de cadeias]. Então, fazemos trabalho em diversos presídios, diversas favelas e diversas facções do narcotráfico. Temos um projeto que encaminha ex-presidiários e ex-traficantes para trabalhar em empresas privadas, inclusive tem uma pessoa que foi de cada facção trabalhando aqui, encaminhando. Tem ex-traficante do Terceiro Comando, do ADA [Amigos dos Amigos], do Comando Vermelho, e essa semana agora começa a trabalhar um cara que foi da milícia. Era PM [Polícia Militar], foi preso, voltou para a milícia e saiu da milícia. Começa essa semana a trabalhar.
    Essa parte da entrevista de José Junior explica muita coisa. Ele foi sincero quase o tempo todo, mas não há dúvida de que tentou “proteger” o governo estadual. Ninguém pode acreditar que ele, pessoalmente, tenha tomado essa iniciativa de TRANSFERIR OS ATENTADOS PARA DEPOIS DAS ELEIÇÕES, sem se comunicar previamente com o principal interessado, o governador Sergio Cabral, seu amigo pessoal. Portanto, agora ficou claro que Cabral sabia que os ataques aconteceriam depois do segundo turno, porém nada fez para impedi-los.

    Em outra parte da entrevista, também muito importante, José Júnior admite que nenhum bandido do Complexo do Alemão estava disposto a enfrentar a polícia e os militares. Ou seja, não havia a menor possibilidade de confronto.
    ALEXANDRA – Voltando à negociação no Alemão. Você lá foi no sábado [véspera da invasão militar]. O que é que aconteceu?
    JOSÉ JÚNIOR – Me pediram para ir lá, eu fui. Sugeri que não fossem para o confronto, que abandonassem as armas, que se entregassem. Mas o mérito todo é da polícia, do governador. A gente só sugeriu.
    ALEXANDRA – O que é que eles responderam?
    JOSÉ JÚNIOR – Tinha gente querendo se entregar, tinha gente… Ninguém queria ir para o confronto. Ninguém. Não teve um que falou: “Ah, vamos partir para dentro.” Ninguém falou isso.
    ALEXANDRA – A ordem para os ataques que puseram o Rio em pânico veio do Alemão? Isso é claro?
    JOSÉ JÚNIOR – Não sei se é claro. A confusão de Vila Cruzeiro com o Complexo do Alemão é muito grande. Se você fizer um google e colocar Vila Cruzeiro, vai ver que várias matérias dizem “Vila Cruzeiro, no Complexo do Alemão”, quando a Vila Cruzeiro é no Complexo da Penha. Então, se [a ordem] partiu do Alemão ou da Penha, não posso te afirmar. Seria leviano. O que posso te afirmar é que esses ataques partiram de um poder central.
    ALEXANDRA – Eram uma retaliação contra as UPP [Unidades de Polícia Pacificadora, que ocupam já 13 favelas]?
    JOSÉ JÚNIOR – Acredito que sim. Quando você bota uma UPP, atinge os interesses deles. Imagina, você tem uma locadora de filme [clube de vídeo]. Aí chega o Blockbuster e acaba com as locadoras de todo o mundo. A UPP é a Blockbuster.

    Afinal, a que “poder central” José Júnior estava se referindo? Seria mesmo a facção que domina os complexos da Penha e do Alemão, o Comando Vermelho? Ou já haveria um “poder central”, fruto de uma aproximação entre Comando Vermelho, Terceiro Comando e Amigos dos Amigos?
    Resumindo. Agora várias coisas ficam evidentes, com toda certeza:
    1) José Júnior é o representante de Cabral junto aos traficantes.
    2) Júnior sabia que haveria os ataques.
    3) Então, o governador Sérgio Cabral também sabia, mas nada fez para evitá-los, só queria ganhar a eleição.
    4) Da mesma forma, Júnior e Cabral sabiam que não haveria confronto no Alemão.
    5) Os traficantes foram liberados para fugir na véspera da “invasão”.
    6) A tal “invasão” do sábado, portanto, foi apenas uma grande encenação.
    Concluindo. Chega de intermediários. Vamos nomear logo José Júnior para a Secretaria de Segurança, ficar numa boa com os traficantes, e deixar a vida nos levar, no estilo Zeca Pagodinho.

    E pensar que o Rio de Janeiro já foi uma cidade séria, hein?”

  5. Acontece, meu caro niteroiense, que aqui era o Estado da Guanabara, os Golpistas enfiaram o estado do rio na cidade do rio aumentando as demandas por infraestrutura de nossa cidade. Nós cariocas somos vítimas da fusão meu caro niteroiense porque aqui ninguém pediu para ser a capital do rio. O certo mesmo era acabar com essa fusão que empobreceu e acabou com a qualidade de vida do povo carioca . Duvido muito que algum bandido saia do Borel para niteroi. Eu acredito no contrario. Os bandidos estão voltando de onde vieram. Quando atravesso a ponte só vejo favela,quer dizer que os bandidos daquelas favelas vieram do rio. Não vieram não porque os crimes que ocorrem aí do outro lado da ponte são cometidos por gente daí. Vamos parar com essa mania de culpar a cidade do rio por tudo que é de ruim que tem neste estado do rio.

    • Quanta besteira, preconceito e falta de conhecimento. Uma boa aula de história talvez lhe faça bem. Em nenhum momento falei sobre o Estado do Rio, apenas comparei as cidades do Rio de Janeiro com a de Niterói antes e depois das UPPs. Aproveite para ver os índices de IDH das duas cidades, se é que você sabe do que se trata, e compare-as sem arroubos emocionais.

  6. Se não tivesse o apoio da Rede Globo, o Cabral já teria rodado a muito tempo.
    Sr. Mike, a grande diferença, se é que é possível comparar um governo com o do Cabral, que é sem dúvida o mais corrupto da história do RJ, com o governo do Brizola, que era voltado para a Educação e a defesa dos Direitos Humanos, é que o do Cabral tem a “blindagem” da Globo e o do Brizola, teve uma perseguição odiosa da mesma rede e por isso essa “notícias” a que o Sr. se refere chegou á população, e FELIZMENTE, poucas pessoas como o Sr. levou em consideração.

    • Não, o senhor não leu (ou não soube ler) o texto do Carlos Newton, onde ele afirma que Cabral fez um pacto com a bandidagem. Ora, esta é uma afirmação que não tenho como comprovar, visto que não moro no Rio como o autor, então nada mais lícito que perguntar. O mesmo se dá, ou melhor, se deu com Brizola. Também não pude verificar as notícias à época. Pior, não existia uma forma rápida e barata de contatar a editoria das Organizações Globo; cartas demorariam semanas, telegramas sairiam caríssimos.

      Mas voltemos ao tema. Não há referência alguma a Educação, Direitos Humanos, Corrupção e que tais. O que existe é notícias de conchavo entre o Estado e o não-Estado (i.e. a bandidagem). Na época de Brizola o busílis era o jogo, para o qual Brizola fez vistas grossas. Dizem — e não sou eu que diz isso — que o tráfico de hoje nasceu da leniência de Brizola para com o jogo; atribuem a ele (Brizola) até a frase referências à frase “No meu governo a polícia não sobe o morro”, ou coisa assim.

      Bom, e daí? Bom, daí que você até poderia argumentar que há uma grande diferença entre jogo e tráfico, e há! Esta foi a única razão de gastar o pouco que sei do Latim. Finalizando, não são assim tão poucas as pessoas que pensam mal de Brizola. Ele pode ter sido isso ou aquilo, aqui ou acolá, mas por onde passou ele jamais voltou.

      • Deixa de ser ignorante, Mike. No RJ foi governador por 2 vezes, sem reeleição! Como justificar sua frase de que “por onde passou ele jamais voltou”? O problema é que os brasileiros de fora do RJ aprenderam a ler pela cartilha dos Marinho e ainda hoje repetem a mentira que se travestiu de verdade.

  7. O projeto original de UPP tinha tudo pra dar certo, mas, infelizmente, a preocupação com as eleições de 2014 desvirtuou essa política de segurança. Além do policial miojo – formado instantaneamente – mudou-se todo cronograma de instalações de UPPs. Nesse primeiro trimestre, por exemplo, o complexo de favelas da Maré, a Zona Portuária, seria contemplada por ser uma área estratégica para o tráfico, pois lá é entrada de drogas via Baia da Guanabara, mas devido o aumento de roubo e homicídio na Baixada Fluminense, em Niterói, em São Gonçalo e na Zona Oeste, criou-se a companhia destacada – subproduto da UPP- para dar satisfação aos moradores dessas regiões, visto que são locais da região metropolitana que podem decidir uma eleição no estado do Rio de Janeiro por serem superpovoados. Com a ajuda da mídia, as ocupações nada mais são que um jogo de cena, mais tarde, essas companhia destacadas mostrará sua fragilidade devido a falta de contingente. Sem falar que é um projeto caríssimo, e o Estado não tem esses recursos financeiros necessários para mantê-lo. E cada vez que o secretário Beltrame diz numa comitiva de entrevista “que os criminosos não terão chance” mais vai se aproximado a uma caricatura, parecendo com aqueles apresentadores de programa de reportagem policial, de níveo sensacionalista, sem credibilidade, onde é feito toda uma performance viril com jargões, tentando passar uma imagem de indignação com a violência e o delinquente.

  8. Sem dúvida nenhuma, eu não investiria em área de risco. Deixa passar a copa e as olimpíadas que tudo será como antes, os bairros que sofriam com a violência voltarão paulatinamente e conviver com ela.
    Removeram as favelas ? Não ! Prenderam os bandidos ? Não ! Então, o que fizeram de concreto ?

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