Caíram as máscaras

Carlos Chagas

Rebeliões fazem parte da História, sendo que boa parte delas só engrandece a Humanidade. Desnecessário se torna referi-las, foram e tem sido milhares. Só que com uma peculiaridade: são necessários motivos justos, até heróicos, para caracterizar rebeliões de verdade.

Esta semana rebelaram-se os senadores do PMDB e de outros partidos da base parlamentar do governo. Votaram contra a indicação de Bernardo Figueiredo para a Agencia Nacional de Transportes Terrestres. Fosse apenas por conta das gravíssimas denuncias do senador Roberto Requião contra o funcionário e ainda se justificaria a profilática votação.

O problema é que o estrilo do ex-governador do Paraná pesou pouco na decisão do Senado. Como mola mestra da rebeldia valeu mesmo a insatisfação dos senadores governistas diante de seus pleitos não atendidos pela presidente Dilma. No caso, nomeações variadas na administração federal e liberação de verbas para emendas individuais ao orçamento. Quer dizer: se obtivessem sucesso na aceitação de suas propostas fisiológicas, o controvertido cidadão teria sido aprovado, mesmo sob a acusação de haver desmontado e doado à iniciava privada, a preço de banana podre, toda a estrutura ferroviária de que dia o país dispôs.

Rebelião assim tem outro nome. Trata-se de chantagem, porque se a presidente usar a caneta para privilegiar seu pano de fundo parlamentar, não terá mais problemas no Congresso. Verá aprovados todos os projetos de interesse de seu governo, bem como todas as indicações. Convenhamos, caíram as máscaras.

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SUPLENTES ASSASSINOS?

Discutia-se na Comissão de Constituição e Justiça do Senado emendas capazes de regular a questão dos suplentes de senador, isto é, se deveriam ser dois ou apenas um, ou se devem substituir ou suceder os titulares. Foi quando o líder do governo, Romero Jucá, de Roraima, apresentou sugestão no sentido de que o suplente ficará proibido de assumir na hipótese de estar implicado no assassinato do titular.

Muitos senadores protestaram. Afinal, os últimos senadores assassinados foram Pinheiro Machado, no início do século passado, por um doido, e Kairala José Kairala, nos anos sessenta, este por coincidência um suplente, morto pelo tiro de um titular que não era de seu estado, o Acre, mas de Alagoas, Arnon de Mello.

A totalidade do plenário da Comissão exigiu de Jucá que retirasse a sua emenda, quando nada para não dar idéia a algum suplente tresloucado…

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MULHERES

Tendo assumido agora a presidência do Tribunal Superior Eleitoral, no final do ano que vem a ministra Carmem Lúcia estará presidindo o Supremo Tribunal Federal. Dirigirá o Poder Judiciário. Como a presidente Dilma chefia o Poder Executivo, voltam-se as atenções para a renovação da mesa do Senado no biênio 2013-14.

Se uma mulher presidir o Poder Legislativo, estará fechado o círculo da exaltação da Força Poder Feminina. E já existe uma candidata, a atual vice-presidente do Senado, Martha Suplicy. Em campanha discreta, a ex-prefeita de São Paulo trabalha para viabilizar seu nome, quando for a hora de suceder a José Sarney.

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“SENÃO, NÃO CHAMAVA VOCÊS”

Israel Pinheiro construía Brasília no mesmo ritmo de Juscelino Kubitschek. Não parava um só instante, cuidando de tudo, os transportes à distribuição de energia, do serviço de água ao saneamento. Foi quando convocou um grupo de agricultores japoneses, encomendando um cinturão verde em torno da capital, para abastecer a população de verduras, frutas, legumes e até cereais.

Mandou que eles primeiro examinassem o terreno para saber da viabilidade da proposta. Dias depois eles retornaram plenos de pessimismo. O solo era terrível, nada brotaria por aqui sem maciço investimento em adubos, agrotóxicos e irrigação. Desistiam, antes de começar.

Comentário de Israel Pinheiro: “Por que vocês acham que mandei chamá-los? Se a terra fosse boa eu não precisaria de japoneses!”

A historinha se conta a propósito de versão corrente em Brasília, a respeito da convocação de cada vez mais integrantes do Ministério Público para um mutirão federal visando combater o crime organizado no país. E se algum promotor responder ao ministro da Justiça ser quase impossível obter sucesso na empreitada, bem que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, poderia responder: “Por que vocês acham que estão sendo convocados?”

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