Cálculo sobre quem elegeu mais prefeitos pode ser ilusório

Pedro do Coutto

Reportagem de Felipe Luchete, Folha de São Paulo, apresenta um balanço de forças destacando os governadores que elegeram mais prefeitos e aqueles que elegeram menos. Acontece que o número nem sempre condiz com o eleitorado da cidade e com seu peso político. A cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, é mais importante que a soma das outras cidades fluminenses. A cidade de São Paulo a mesma coisa. Ocorre que Sérgio Cabral teria perdido 31% dos municípios. E Geraldo Alckmin apenas 14%.

Cabral e Alckmin no perde-ganha

Mas a capital do RJ representa 45% do eleitorado. Sérgio Cabral venceu. Alckmin perdeu em São Paulo. O eleitorado da capital paulista significa um terço dos eleitores de todo esse estado. A derrota do atual governador paulista, sob este aspecto, foi muito grande. A vitória do governador fluminense, em contrapartida, lhe valeu muitos pontos e influência. Tudo é relativo. O mapa dos votos também.

Antonio Anastasia, Minas Gerais, teria perdido 9,5%. Mas venceu em Belo Horizonte. Ao lado de Aécio Neves, no apoio à reeleição do prefeito Márcio Lacerda. Portanto, há vitórias e derrotas, umas mais importantes do que outras. Uma espécie de média resultante de pesos variados. Mas nenhum resultado serve de base para projeções futuras, pois o voto para governador e presidente da República depende de fatores muito mais amplos. Em nosso país tem sido sempre assim.

De qualquer forma, verificou-se um crescimento do PSB lançando o governador Eduardo Campos no plano político nacional. Uma força a ser considerada no quadro da futura sucessão presidencial. Nem tanto como presidenciável, porém como apoio importante para qualquer candidatura. Sob a ótica de hoje, os nomes são Dilma Rousseff, para reeleição, e Aécio Neves pela oposição. Mesmo perdendo, tornar-se-á mais conhecido junto ao eleitorado. Coisas da política.

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VALÉRIO AGIA NO BC

O ministro Joaquim Barbosa, que vai assumir a presidência do Supremo Tribunal Federal, determinou abertura de inquérito para apurar denúncia de que, além do mensalão, o publicitário Marcos Valério teria agido para favorecer os Bancos Rural e Econômico junto ao Banco Central.

Impressionante – confirmada a informação – até que ponto chegava a influência do titular de uma agência de publicidade. Tal influência estaria voltada para a ajuda financeira aos dois estabelecimentos de crédito. Os titulares do Rural e do Econômico negam. Através da advogada Sonia Rao, o controlador do Econômico, Calmon de Sá, refuta a versão. O Banco Central, por sua vez, acentua que em 2005 enviou à Comissão Parlamentar de Inquérito o procedimento adotado em relação ao Econômico que estava em liquidação extrajudicial.

Marcos Valério, tornou-se personagem de uma trama, como bons filmes de mistério, sobre quem recaem todas as acusações. Temendo ser condenado solitariamente, pois pode ser essa a estratégia de outros acusados, ele ameaça falar o que diz saber. E quer ser incluído na lei de proteção as testemunhas. Cria-se assim uma situação curiosa, ele é acusado e testemunha de acusação ao mesmo tempo. Não deseja, no final da ópera, ser o único punido de fato, uma vez que as condenações contra ele se acumulam.

Marcos Valério sentiu o clima e o panorama. Está tentando sair de ambos. Não vai ser fácil. Se o desfecho final, pelo reflexo junto à opinião pública, exigir um punido, certamente será ele. O que, claro, não deseja. Mas dificilmente conseguirá livrar-se.

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