Câmara vai colaborar com investigações sobre desaparecimento de Rubens Paiva

Carolina Gonçalves
Agência Brasil

A Câmara dos Deputados vai ajudar nas investigações sobre o desaparecimento do corpo do deputado federal cassado Rubens Paiva. Preso pelo regime militar em janeiro de 1971, desde então, Paiva nunca mais foi visto. O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), diz que é preciso apenas que os líderes decidam se os trabalhos serão conduzidos por comissões permanentes ou por uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) criada especificamente para tratar do assunto. 

O compromisso ficou acertado depois que Alves recebeu do coordenador da Comissão Nacional da Verdade (CNV), Pedro Dallari, o relatório preliminar sobre o desaparecimento do parlamentar. A intenção de Dallari foi envolver o Legislativo no caso para tentar ouvir, novamente o general José Antônio Nogueira Belham.Apontado como um dos autores do crime, Belham negou envolvimento no caso no primeiro depoimento prestado na CNV, mas análises de documentos administrativos revelaram contradições entre os registros e as declarações do general, como o fato de que ele estaria de férias no período. Belham, que hoje mora em Brasília, recusou-se a prestar outro depoimento ou a fornecer mais informações sobre o caso.“Com a mobilização da Câmara, espero que o general se sensibilize porque esse assunto já extrapolou a esfera do direito”, disse Dallari. Ele ressaltou que o principal resultado dessa investigação conjunta será a descoberta do local onde o corpo de Paiva foi deixado.

Belham e o tenente Antônio Hughes de Carvalho foram apontados pela CNV como responsáveis pela morte e ocultação do cadáver de Rubens Paiva. Os integrantes da comissão concluíram há quase um mês as análises de documentos e testemunhos.

O general Belham era comandante do Destacamento de Operações e Informações (DOI), onde Paiva esteve preso e, segundo relatos, foi alertado, mais de uma vez, sobre o risco de morte do ex-deputado, mas não tomou qualquer providência. Um dos depoimentos analisados pela comissão revelou que Amilcar Lobo, que na época era tenente-médico, atendeu Paiva na madrugada do dia 21 de janeiro de 1971 e constatou hemorragia abdominal, por ruptura hepática. Mesmo com a recomendação médica, ele não foi hospitalizado.

Rubens Paiva era deputado pelo PTB e foi cassado após o golpe militar de 1964. O ex-parlamentar ficou exilado por um período e quando retornou ao Brasil, em 1971, foi preso e transferido para o DOI. Paiva morreu no dia 21 de janeiro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGÉ claro que o general não vai aceitar convite para depor na Câmara. Como os demais torturadores militares, ele foi beneficiado pela Lei da Anistia (da mesma forma que Dilma Rousseff e todos os participantes da luta armada). Enquanto não revogarem a Lei da Anistia, nada feito. (C.N.)

One thought on “Câmara vai colaborar com investigações sobre desaparecimento de Rubens Paiva

  1. O general negou-se a prestar declarações. Que justiça é esta ? O José Dirceu está preso. O Genoíno se quiser ir ao médico é privilégio. Agora um general que comandou órgão torturador se acha acima da lei. Ainda bate no Bate no peito diz : Eu combati os comunistas. Mas aí fica a pergunta: O Engenheiro Rubens Paiva era comunista ? Não era. Rubens Paiva era deputado que não se corrompeu com dinheiro da CIA. Ele se opôs ao golpe. Foi torturado até morte, dizem que teve o corpo arrastado por carro, botaram a boca do engenheiro no cano de descarga do carro. O Engenheiro Rubens Paiva morreu porque não era corrupto. São pequenos detalhes que revela a verdadeira face corrupta da ditadura. Mataram um não corrupto e se aliaram com corruptos. Aí está a herança deles. Um país dominado por corruptos.

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