Camargo Corrêa revela cartel que dominava os metrôs de sete estados e do DF

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Charge do Latuff (Brasil 247)

Andreia Sadi e Marcelo Parreira
G1 Brasília

Uma das empresas investigadas na Lava Jato, a construtora Camargo Corrêa revelou ao Conselho Administrativo de Defesa Economica (Cade) um megaesquema de cartel em obras de metrôs de 7 estados e do Distrito Federal, que teria operado durante 16 anos no país. As revelações constam do acordo de leniência assinado entre a empresa e o conselho no âmbito da Lava Jato.

A Camargo Corrêa apresentou ao Cade indícios ou comprovação de condutas anticompetitivas que ocorreram, entre 1998 a 2014, em obras de transporte de passageiros sobre trilhos nos estados da Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo, além do Distrito Federal.

IMUNIDADE – O acordo de leniência é uma espécie de delação premiada das empresas. O efeito dela para o beneficiário (no caso, a Camargo e as pessoas que assinam o acordo) pode ser até mesmo a imunidade administrativa e penal. As demais empresas serão processadas normalmente. O acordo beneficia o primeiro que se oferecer para colaborar.

Nesta segunda-feira (18), está sendo assinado o despacho que abre o processo administrativo para investigar os fatos relatados pela Camargo Corrêa. O acordo do Cade será assinado em conjunto com o Ministério Público Federal de São Paulo, que investiga a parte criminal envolvendo o cartel.

Batizado pelos próprios integrantes do cartel de “Tatu Tênis Clube”, o grupo formado por Camargo Corrêa, Odebrecht, Andrade Gutierrez, OAS e Queiroz Galvão atuou em, pelo menos, 21 licitações, com resultados diferentes (leia ao final deste post o que dizem as construtoras).

CONTROLE TOTAL – O cartel consiste em fixações de preços, condições e vantagens, divisão de mercado entre os concorrentes e troca de informações entre as empresas que têm interesse na obra.

No relatório ao qual a Globonews e a TV Globo tiveram acesso, a empresa relatou três fases de operação do cartel. O primeiro período vai de 1998 a 2004 e é chamado de “fase histórica”. Neste recorte, dividiam as obras Andrade Gutierrez, Odebrecht e Camargo Corrêa.

Segundo a Camargo Corrêa, a concorrência permanente e a proximidade teriam motivado a associação entre as empreiteiras.

‘TATU TÊNIS CLUBE’ – A segunda fase ocorreu de 2004 a 2008, quando o cartel foi batizado de “Tatu Tênis Clube”. Formaram o grupo cinco das maiores construtoras do país: além das três primeiras, OAS e Queiroz Galvão se juntaram ao grupo, também chamado de “G5”.

Entre 2008 a 2014, relatou a Camargo Corrêa aos investigadores, aumentou o volume des obras, mas, simultaneamente, surgiu concorrência por parte de empresas estrangeiras.

Para conseguir operar as obras nos estados, o relatório cita que, entre 2009 e 2013, executivos de alto escalão das empresas brasileiras se reuniram pelo menos 27 vezes para trocar informações sensíveis para os acordos. A partir dos encontros, as empresas se organizavam para fazer propostas maiores ou mesmo abriam mão de apresentar propostas para evitar disputas.

ATUAÇÃO DO CARTEL – Das 21 licitações em que o chamado “Tatu Tênis Clube” operou, a Camargo Corrêa citou indícios de acordo entre as empresas em seis concorrências. Além disso, a empreiteira revelou que, em oito licitações, não houve acordo por motivos alheios à vontade do grupo.

Em outras cinco concorrências, declarou a construtora ao Cade, o grupo tentou atuar, mas não concluiu o processo licitatório. E em dois casos específicos a construtora aponta a realização de acordo com sucesso.

O relatório do Cade cita a participação de agentes públicos que foram envolvidos nas operações do cartel, no entanto, o documento oculta esses nomes. Apenas ao final da investigação, se comprovados todos os requisitos exigidos pelo Cade, é que se confirma a leniência e se extingue a pena. As demais empresas podem confessar e colaborar, em um acordo chamado TCC, mas sob pagamento de multa.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Como dizia o genial Tom Jobim, é a lama, é a lama, é a lama... (C.N.)

6 thoughts on “Camargo Corrêa revela cartel que dominava os metrôs de sete estados e do DF

  1. Há quem propague a liberação do uso de drogas, face a dificuldade que o estado tem em combater o tráfico e consumo destas substâncias.
    Ao tornar proibido o consumo, só faz é crescer a procura pelos entorpecentes e a consequência é que a criminalidade passa gerir o negócio ilegal e que descamba para a luta armada entre os grupos, pelo domínio do comercio.
    No Brasil, o mesmo se dá com o furto, o roubo e principalmente a corrupção propineira, que corre solta em todos os setores da vida econômica nacional.
    Baseado na vontade dos arautos da legalização das drogas, pergunto também, se o estado não consegue conter os crimes contra o patrimônio, seja público ou privado, também não estaria em questão a descriminalização desta modalidade tão
    praticado no Brasil, qual seja, a apropriação da propriedade alheia, haja visto que o estado também é incompetente em reprimir a prática.
    Até nem peço que o roubo passe a ser legal, afinal é acompanhado de alguma violência, mas o furto e o recebimento de “comissão” pelo agente público que faz o negócio em nome do contribuinte, poderia até sofrer um afrouxamento,
    ficando o estado com um percentual do que foi furtado, ou recebido a título de “molha a mão”.
    Nem em mil anos, vamos acabar com a roubalheira, mesmo que se tire os ladrões de plantão, os que os substituirão farão suas adesões a prática. É praxe, esta no DNA do nosso povo.
    Para que o estado também fature, a justiça não tenha que trabalhar tanto e cadeias não se encham de pobres, pretos e putas, até porque os do foro privilegiado continuarão a se-lo e não ficam muito tempo por lá, faço a presente sugestão. Ah, a propósito o Marcelo Odebrecht, amanhã se despede do sistema prisional, para nunca mais voltar a vê-lo.
    No Brasil roubar só é crime porque esta na lei, mas se for retirado, continuará a ser o que sempre foi, o pais da roubalheira.

  2. Pois é, para apurar a corrupção que ocorre há mais de 20 anos no Metrô de SP (PSDB), o Ministério Público não move uma palha, assim como o Judiciário. Só um néscio não percebe a óbvia politização da Justiça, que deixa prescrever o mensalão do Azeredo na lentidão da tartaruga, e quer julgar o Lula com a rapidez da lebre. E o Azeredo também tem mais de 70 anos. Justiça caolha, que só enxerga com o olho esquerdo.

  3. Fôssemos um país que tivesse pelo menos um pingo de vergonha na cara, não só o Lula não seria mais candidato a presidente, e a coisa nenhuma, como não existiria mais eleições nos moldes impostos pelo partidarismo eleitoral, pelo golpismo ditatorial e pelos seus tentáculos, velhaco$, que perfazem o $istema político podre, corrupto, depois de tudo que restou comprovado na Lava Jato. O duro é combinar isso com a viúvas do Lula, do FHC-Aécio-Serra-Alckmin, e do conjunto da obra inteiro de porteira fechada, que é o $istema político podre, que impõem a todos a plutocracia putrefata que ai está com jeitão de cleptocracia e ares fétidos de bandidocracia, mal e porcamente fantasiada de democracia só para enganar a distinta freguesia, conivente ou songamonga, aliás nada exigente, e que, por sua vez, se diverte com qualquer paixão que lhe joguem no peito, nem que seja os me$mo$ e velhos peixes podres vendidos pelos me$mo$.

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