Canadá e EUA mantêm estatais da energia, mas o Brasil é ‘moderninho’ e vai vender a Eletrobras

Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Rosana Hessel
Correio Braziliense

A oposição da Câmara dos Deputados vai buscar todos os instrumentos possíveis para obstruir a votação da Medida Provisória que trata da privatização da Eletrobras, a MP 1031/2021. A matéria, aprovada ontem pelo plenário do Senado Federal, será votada na próxima segunda-feira (21/06), de acordo com o relator da proposta na Casa, Elmar Nascimento (DEM-BA).

“Vamos usar todos os instrumentos que nós temos de obstrução para evitar que esse absurdo seja aprovado”, informou o deputado federal Alessandro Molon (PSB-RJ), líder da oposição, em entrevista ao Blog, nesta sexta-feira (18/06). O parlamentar, que está no Rio, antecipou o retorno a Brasília para participar da votação presencialmente na segunda-feira.

LEVAR AO SUPREMO – O parlamentar disse que o partido já estuda com os assessores jurídicos judicializar a questão, recorrendo ao Supremo Tribunal Federal (STF). Ele contou que os líderes dos partidos da oposição também estão se articulando para convencer os parlamentares indecisos a votarem contra a medida.

“Espero que caia a ficha entre os deputados em relação aos argumentos que estamos colhendo e que eles tenham o sentimento cívico para evitar prejuízos para a população”, acrescentou.

A MP da Eletrobras precisa ser aprovada até a próxima terça-feira (22/06) para não perder a validade. De acordo com Molon, o governo e a sua base aliada devem “fazer o possível e o impossível” para tentar evitar que a medida caduque. “Vamos lutar como nunca para impedir essa MP. Ela é muito grave para o país”, afirmou.

VÁRIOS JABUTIS – O texto da MP aprovado na primeira rodada pela Câmara, em maio, continha vários jabutis — emendas não relacionadas ao tema principal da proposta –, como reserva de mercado para Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e usinas térmicas a gás nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, na contramão do programa de diversificação da matriz energética mais focada em energia renovável, como eólica e solar.

E, para piorar, o relatório do senador Marcos Rogério da Silva Brito (DEM-RO), aprovado ontem, incluiu mais jabutis e aumentou o prejuízo para o consumidor, ampliando a reserva de mercado para as térmicas a gás, incluindo a região Sudeste e ainda passou a prever a construção de um linhão de transmissão ligando o estado dele ao resto do país, sem a necessidade de licenças ambientais.

De acordo com especialistas, como não há gasoduto nas regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste ligando as usinas existentes e as que precisarão serem construídas, o custo para a construção dessa infraestrutura, em torno de R$ 20 bilhões, vai acabar pesando na conta de luz.

PREJUÍZO GIGANTESCO – O impacto das medidas incluídas na proposta do Senado não foram apresentados pelo relator e esse foi um dos motivos de a votação de quinta-feira ter ficado apertada.

Pelas estimativas da União pela Energia, o prejuízo para os consumidores com os jabutis da MP será de R$ 84 bilhões, conforme dados divulgados pelo Canal Energia ontem.

O governo prevê arrecadar R$ 60 bilhões com a capitalização da Eletrobras, ou seja, menos do que o custo que os consumidores residencial e industrial precisarão arcar na conta de luz.

CANADÁ E EUA – “A privatização da Eletrobras vai dar um prejuízo de R$ 24 bilhões aos brasileiros”, frisou Molon. “O mundo inteiro caminha para a energia solar e eólica e o governo quer continuar proteger interesses privados e apostar em fontes de energia mais poluentes”, lamentou o líder da oposição. “Nenhum país do mundo com planta energética baseada na hidroeletricidade privatizou seu sistema, nem Canadá, nem Estados Unidos”, acrescentou, lembrando que o Brasil “é o terceiro maior produtor de energia hidrelétrica”

Na primeira votação pela Câmara, em maio, a MP 1031/2021 por 313 votos favoráveis a 166 contrários. O deputado Elmar Nascimento contou que, “a priori” pretende preservar o texto do Senado, mas pretende dialogar com Marcos Rogério, governo e líderes.

9 thoughts on “Canadá e EUA mantêm estatais da energia, mas o Brasil é ‘moderninho’ e vai vender a Eletrobras

  1. Mas a premeditação é essa mesma: manter as empresas deles protegidas, com status de Estatais, e corromper os políticos das republiquetas, para que entreguem as estatais de suas pátrias a eles, EUA e Canadá.

  2. Senadores dizem que MP da privatização da Eletrobras é ‘tratoraço’ e permite contratação de ‘energia suja’
    Posted on 17 de junho de 2021

    Para Eliziane Gama, proposta da Câmara que já era ruim ‘prejudicava o Nordeste e encarecia a energia’; ‘inconstitucional na forma e imoral no conteúdo’, diz Alessandro Vieira (Foto Marcos Oliveira/Agência Senado)

    A bancada do Cidadania no Senado se posicionou, nesta quinta-feira (17), contra a aprovação da Medida Provisória da privatização da Eletrobras (MP 1.031/2021), que está a menos de uma semana de perder a validade e enfrenta resistências da maioria dos parlamentares. O relatório da MP apresentado pelo senador Marcos Rogério (DEM-RO), já com três versões, só foi conhecido pelos senadores no final da tarde desta quarta-feira (16).

    “É profundamente lamentável. Estamos tratando de forma superficial um assunto complexo, com impactos relevantes na vida das pessoas e na economia brasileira. É tratoraço mesmo”, afirmou o líder do partido na Casa, Alessandro Vieira (SE).

    “Inconstitucional na forma e imoral no conteúdo. Escândalo é pouco”, completou parlamentar, com base em definição da senadora Simone Tebet (MDB-MS) sobre a proposta.

    Para a senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA), o relator da MP ‘teve o dom de multiplicar os jabutis’, temas alheios à proposta original.

    “O texto da Câmara que já era ruim, que prejudicava o Nordeste e encarecia a energia, ficou ainda pior. O relator reforça a obrigação de contratação de energias sujas. Não há como votar favorável ao projeto”, postou a parlamentar na rede social.

    Em linhas gerais, o relatório da MP ‘exige que empregados demitidos da estatal sejam realocados em outras estatais, prorroga subsídios para a geração de energia térmica a carvão, garante uma indenização milionária ao Piauí pela venda de sua distribuidora e acelera a migração dos consumidores para o mercado de livre de energia’.

  3. Sra Rosana e Deputado Molon;
    Só chegamos nisto, porque os vocês nunca protestaram contra a gigantesca diferença de proventos, estabilidade e aposentadoria entre Empregados das Estatais Brasileiras e Empregados Comuns.
    Lá nas Estatais dos EUA e USA, estas diferenças não existem.

    • Essas benesses são somente para as áreas mais altas dessas estatais (diretores, políticos demagogos, etc).

      O trabalhador comum NÃO tem esses privilégios.

      Essas privatizações (na verdade entregas) não tirarão as benesses desses burocratas que compõem as direções dessas estatais.
      Esses burocratas continuarão até mesmo nos seus postos sem ser tocados.

      Com a entrega da Eletrobrás, se prepare para uma onde de apagão que teremos devido a esses 2 idiotas chamados Paulo Guedes e Bolsonaro.

    • Além da grande diferença salarial, ainda gozam os felizes servidores das estatais de mordomias, tais como, participação nos lucros da empresa, auxílio financeiro que vai da creche até a universidade para os amados filhos e otras cositas mais, tudo pago pelo otário do contrubuinte.

  4. Felipe Quintas (via Facebook)

    A conta de luz não vai subir por causa do que a mídia chama de “jabutis”, e sim porque o objetivo central da Eletrobrás, como de qualquer outra empresa sob controle privado, passará a ser a remuneração dos principais acionistas.

    Eles são os chamados gestores de ativos (BlackRock*, Vanguard, State Street etc.), lavanderias de dinheiro do crime organizado em nível mundial, que produzem bolhas especulativas para legalizar o dinheiro ganho com atrocidades mil. Eles também estouram as bolhas quando querem reestruturar o mundo corporativo, quebrando algumas empresas e inflando outras, além de tirar dinheiro da sociedade e transferir para eles, arruinando famílias e países.

    Imagina entregar a energia, que literalmente move o país, para bandidos comuns, mas ricos o bastante para se fazerem parecer empresários e investidores. É isso o que está acontecendo.

    *BlackRock e Itaú significam a mesma coisa (Pedra Preta), um em inglês e outro em tupi-guarani. Qualquer semelhança…

    https://www.facebook.com/felipe.quintas.1/posts/1608223106041604

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