Candidatos ao Planalto tentam esconder a dramática situação fiscal do país

Resultado de imagem para divida publica chargesRosana Hessel
Correio Braziliense

O desequilíbrio das contas públicas, que compromete a capacidade do governo de investir e desencoraja projetos do setor privado, é um dos principais problemas que terá de ser enfrentado pelo próximo governo para recuperar a saúde da economia. No entanto, nenhum dos programas apresentados pelos candidatos à Presidência da República detalha as medidas que devem ser tomadas para alcançar o ajuste fiscal, considerado inevitável pela grande maioria dos economistas. De acordo com analistas, o que mais há nas propostas dos candidatos são contas que não fecham. Além disso, o quadro é tão ruim que será impossível zerar o deficit primário da União em um ou dois anos, como alguns deles prometem — mesmo com aumento de tributos.

“Não tem aumento de imposto que dê conta do ajuste fiscal necessário para equilibrar as contas públicas”, afirmou Marcos Lisboa, presidente do Insper, que classifica os programas econômicos dos postulantes ao Planalto de “inconsistentes e contraditórios”.

PARA A PLATÉIA – “A maioria não toca, de fato, no problema fiscal. Os candidatos jogam para a plateia, apresentando medidas de pequeno impacto, como o imposto sobre grandes fortunas, e ignoram o tamanho do problema. Ele é grave e, se não for enfrentado, a crise vai voltar”, disse Lisboa. Para o economista, serão necessários amplos cortes de gastos e reformas, como a da Previdência, para que a economia recupere a capacidade de crescer.

Bráulio Borges, economista da LCA Consultores, também acredita que o próximo governo terá dificuldades para zerar o deficit primário em até dois anos, ainda que a carga tributária seja elevada. “A maioria dos programas está muito enxuta, apenas com diretrizes gerais. Os candidatos não detalham como pretendem fazer o ajuste fiscal para não virarem vitrine antes do primeiro turno. Não mostram que vão aumentar impostos, mas isso será inevitável”, frisou.

ESTELIONATO – Para o economista Samuel Pessoa, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), quem diz que não vai aumentar impostos está mentindo, e quem ignora o problema fiscal cometerá estelionato eleitoral em caso de vitória.

“Cortar benefícios tributários, como alguns admitem, equivale a aumentar tributos. Mas, é muito difícil para os candidatos detalharem suas propostas, porque ajuste fiscal machuca. É preciso ter corte de gasto e aumento de tributação. Não tem saída”, sentenciou.

Os especialistas observam que, nos programas dos partidos de direita, de centro e de centro-esquerda, há consenso sobre a necessidade do ajuste, que passa inevitavelmente pelas despesas obrigatórias, como Previdência e folha de pagamento, as que mais pesam no orçamento. Porém, faltam detalhes sobre como fazer o ajuste. As legendas da esquerda, por sua vez, ignoram o problema fiscal e adotam o discurso de que o governo precisa gastar mais, descartando a necessidade de reformas.

RISCO ECONÔMICO – Isso vem gerando preocupação no mercado. Os investidores têm reagido positivamente à liderança de Jair Bolsonaro (PSL) nas pesquisas, apesar das ideias polêmicas do candidato, porque consideram que Fernando Haddad (PT), que vem subindo nas sondagens, representa um risco para a economia. Haddad defende um programa estatizante e intervencionista, e indica que pretende interferir na autonomia do Banco Central, entre outras medidas.

A gravidade do desequilíbrio das contas públicas pode ser constatado nos dados do balanço da União de 2017 levantados pela Instituição Fiscal Independente (IFI), do Senado Federal. O patrimônio público federal está negativo em R$ 2,4 bilhões uma vez que os ativos, de R$ 4,9 bilhões, não são suficientes para cobrir o passivo, de R$ 7,3 bilhões. Em qualquer lugar do planeta, uma empresa que apresentasse números como esse estaria em situação de falência. A União registra deficit primário desde 2014 e, pelas estimativas da IFI, deve continuar no vermelho, pelo menos, até 2022.

DÍVIDA PÚBLICA – Não à toa, a dívida pública bruta chegou a 77% do Produto Interno Bruto (PIB) em junho, conforme dados do Banco Central. Pela metodologia usada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), porém, a proporção é de 85,5% — contra 48% da média dos países emergentes.  “Se a dívida chegar a 90% ou 100% do PIB, o país vai entrar em uma crise muito severa e a inflação vai voltar, porque o governo terá de emitir moeda para cobrir os papéis que forem vencendo”, afirmou Marcos Lisboa, do Insper.

Pelas contas de Samuel Pessoa, da FGV, apenas para zerar o deficit primário da União e estabilizar a dívida será necessário um ajuste de 4% do PIB, ou seja, algo em torno de R$ 300 bilhões, montante superior ao rombo da previdência dos setores público e privado em 2017, que atingiu R$ 268 bilhões. Para ele, o ajuste teria de passar por congelamento de salários, um nova regra do salário mínimo e pela redução de desonerações tributárias.

PODE SER PIOR – Os cálculos de Carlos Pedroso, economista sênior do Banco MUFG Brasil, são mais preocupantes.  “Para termos estabilidade da dívida pública, é preciso produzir um superavit primário de 6%, e, portanto, uma diferença de 8% a 9% do PIB é o tamanho do ajuste que precisa ser feito”, disse.

O diretor executivo da IFI, Felipe Salto, alertou para os riscos de um aumento de impostos. Como o país que já tem uma carga tributária elevada, isso pode prejudicar a retomada econômica. “O Banco Mundial publicou um estudo mostrando que aumento de tributos em países que já têm uma carga elevada é mais prejudicial ao crescimento, a curto prazo, do que cortes de gastos”, afirmou.

20 thoughts on “Candidatos ao Planalto tentam esconder a dramática situação fiscal do país

  1. A Contabilidade no Brasil é uma balbúrdia, principalmente a Publica. Sem um registro confiável não ha como organizar as contas dos Municipios, Estados e União. O s bens publicos são manipulados à vontade pelos corruptos que assaltam o Brasil.

    A escassez de profisionais versados em Contabilidade Pública é alarmante. Chegou-se a um descalabro tão grande, que os Orcamentos sao calculados sem utilizar um Plano Contábil para seu controle e execuçao.

    No Brasil criou-se uma hibridismo profissional. O ECONOJURISCONTÁBIL ( gênios superdotados, versados em Economia, Direito e Contabilidade) São os ministros do Tribunal de Contas.

    As Contas são para serem auditadas e não julgadas. Até hoje não tenho conhecimento de uma Conta encarcerada.

  2. Meu caro Wagner,

    Longe de mim querer estabelecer um debate econômico contigo. Reconheço a minha ignorância neste particular, pois economia prá mim ou é gastar ou poupar.

    No entanto, o New Deal, que criticaste, foi o plano instituído por Roosevelt, que tornou os Estados Unidos na potência de hoje, pois através das construções de estradas, pontes, túneis, viadutos, elevadas … retira do desemprego mais de 25 milhões de americanos!!!

    Quando a Segunda Guerra teve início, em 39, em escala mundial, os americanos estavam prontos para produzir armamentos, tanques, projéteis, canhões, veículos, capacetes, mochilas, coturnos, fardas, para ajudar os europeus, inimigos do nazismo.

    E, a partir do envolvimento direto dos Estados Unidos na guerra, em face do ataque dos japoneses em Pear Harbor, 7 de dezembro de 41, o país estava com a sua capacidade industrial a pleno, vibrante, simplesmente incomparável.

    Não fosse o New Deal, e os americanos somente iriam se recuperar durante a guerra, e teriam perdido batalhas importantíssimas contra os japoneses, certamente alongando a guerra, até mesmo para a pesquisa da bomba atômica, lançada em 45!

    Aliás, em razão dessa utilização dos milhões de desempregados, cerca de 28% dos trabalhadores, e centenas morreram de fome, foi a ideia que postei no blog para essa massa que temos de desesperados!

    Na razão direta que nossas construtoras maiores estão na Lava Jato, que o governo fizesse as licitações com empresas estrangeiras e, sem pagar um tostão, combinasse o ressarcimento através da exploração de pedágios por vários anos, ou seja, as empresas seriam empreendedoras no Brasil, e lucrariam muitíssimo com esta carência que temos em estradas de ferro e rodovias decentes!

    O ruim para os americanos foi a Lei Seca, onde nunca antes os americanos beberam tanto, mataram tanto, e exploraram o lenocínio da mesma forma, afora a jogatina!

    Mas, o New Deal, foi a salvação da “lavoura” como se diz, a meu ver, claro.

    Aceito humildemente as correções que achares que deves fazer sobre meu relato.

    Grande abraço, meu caro.

    • Wagner,

      Li o artigo, pois interessante e elucidativo.

      No entanto, não fala de Roosevelt e do New Deal!

      Aborda a questão mercadológica, mas as medidas levadas a efeito para empregar milhões de americanos na miséria plena, o artigo omite essas informações.

      Lembro que tais providências foram aplicadas de 33 a 37, ao suceder o seu antecessor.

      O New Deal trouxe o emprego de volta, diante das construções que citei, além de hospitais, escolas, barragens, e colocando os americanos em posição de destaque quando a Segunda Guerra explodiu!

      Nesse meio tempo, a Alemanha, que teve no mesmo período da primeira grande recessão econômica, em 21, teve a maior inflação do planeta, a ponto que emitiu a maior nota sonante até hoje, cem milhões de marcos, e se comprava um pãozinho!!!

      Hitler foi o primeiro a adotar para o país que iniciara a governar, igualmente em 33, a construção das autobahn, cujo nome em alemão é Bundesautobahn, que se traduz como “autoestradas federais”.

      Assim, tirou do desemprego em face da inflação e depressão alemãs, milhões de desempregados.

      Roosevel não copiou essa medida, não vou dizer isso, mas, a chance de dar emprego imediato é na construção civil, logo, o seu plano ou Novo Acordo, levantou os Estados Unidos!

      Outro abraço.

    • Hipólito, meu caro,

      Obrigação minha, diante da gravidade porque passa a nossa economia.

      Ainda bem que o Wagner se dispôs a esclarecer a questão, e nos informar em que pé estamos para o futuro, ali adiante.

      Um abraço.

  3. Quatrocentos bilhões de reservas câmbiais , superavit nas transações comerciais , inflação baixa ,
    o cenário definitivamente não é escuro como dizem , apesar do nefasto desgoverno de Temer e sua corja . Puro terrorismo .

  4. Apesar de falarmos o mesmo idioma não estamos nos entendendo.

    Eu me refiro AO EMPREGO, que o New Deal trouxe para os americanos ou, por acaso, tal medida não foi como os livros de história registram?!

    Deixo o mercado de lado, a recessão, e abordo a queda do desemprego com este acordo de Roosevelt com os trabalhadores.

    Então, te pergunto:
    Estou certo ou errado, que abrir rodovias, ferrovias, construir pontes, elevadas, hospitais, escolas, túneis .. . foram decisivas para tirar a população americana do desespero naqueles anos trinta (33/37)??!!

    Mais um abraço.

  5. Igualar os governos irresponsáveis do PT com os ensinamentos keynesianos aplicados no new deal ou nos paises nórdicos é ERRO BRUTAL. O PT se apoderou do “estado” em benefício próprio e de seus membros. Aparelhou o estado de Cabo e rabo com gente incompetente e desonesta para enriquecer seus membros e permanecer no poder indefinidamente.

  6. A constituição brasileira em um dos seu artigo , determina a auditoria nas dividas externa e interna do país . É importante salientar , que durante o governo lula , a divida externa ( em dólar ) foi praticamente eliminada , restando somente , a divida interna , financiada pelos fundos de pensões , gerenciados por Ex. dirigente sindicais . Durante o governo Dilma , a taxa Selic , indicador que reajusta esta divida , subiu ao seu maior patamar , elevando esta divida à valore astronômicos , como é de conhecimento. Pura agiotagem , crime de lesa – pátria. Esta divida , não foi realizada e convertida para Real , para beneficiar o social e a nação . Ela foi realizada e convertida para Real , com intuito de financiar o governo nefasto de Dilma e seus culundriados e remunerar os verdadeiros senhores e assaltantes da nação , o sistema financeiro .

  7. Antonio procure acompanhar e ler outras fontes de in formação . Os fatos relatados feitos por mim , são reais e tem como base , estudos e comentários feito por especialistas do setor. Procure se informar melhor . Quanto a abobrinha , se masturbe com ela , de repente você G ….

  8. Antonio , invista parte de que tu ganhas , em livros revista e com isto , não se limite ao gratuito , pois , a maioria das coisas gratuitas , não presta . Elas servem somente , para criar seres alienados e apequenados como você . Se não contentares com o tamanho da abobrinha , se masturbe com um mourão .

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