Candidatos bolsonaristas no emplacam na disputa s prefeituras e encalham nas capitais

Charge do Duke (domtotal.com)

Gustavo Uribe, Ranier Bragon e Daniel Carvalho
Folha

Candidatos apoiados ou que tentam se associar ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tm enfrentado grandes dificuldades na disputa s prefeituras das capitais, o que indica, at o momento, uma perda de fora da onda antipoltica que marcou as eleies de 2018.

O principal receio que levou Bolsonaro a hesitar em apoiar candidaturas s eleies municipais deste ano, o de ligar o seu nome a fracassos eleitorais, corre o risco de se tornar realidade, mostram as mais recentes pesquisas.

APOIO- Em um primeiro momento resistente a entrar na disputa no primeiro turno, o presidente cedeu presso de aliados e anunciou apoios. Os nomes escolhidos por ele, no entanto, assim como outros que, mesmo sem o apoio, tentam colar suas imagens de Bolsonaro, enfrentam adversidades eleitorais.

Nomes que encampam um discurso antipoltica, vrios deles alinhados a Bolsonaro, tm amargado as ltimas colocaes em pesquisas do Datafolha e do Ibope, a maior parte delas lideradas por nomes j conhecidos do mundo poltico.

Os principais candidatos associados ao bolsonarismo em So Paulo, no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte enfrentam dificuldades. Na capital paulista, Celso Russomanno (Republicanos) tem perdido flego e j aparece numericamente atrs de Bruno Covas (PSDB).

CRIVELLA – No Rio de Janeiro, o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) est em disputa com outros dois candidatos para no ficar de fora do segundo turno. Luiz Lima (PSL), outro bolsonarista, est em situao ainda pior.

Eleito na onda antipoltica de 2018, o governador do Rio Wilson Witzel (PSC) est afastado do cargo e no tem candidato Glria Heloiza, que disputa pelo partido de Witzel, renega o ex-juiz. Lidera a corrida carioca o ex-prefeito e ex-deputado Eduardo Paes (DEM).

Na capital mineira, Bruno Engler (PRTB) est embolado com outros nanicos nos ltimos lugares da disputa, em larga distncia do favorito, o prefeito Alexandre Kalil (PSD), que tem 60%, de acordo com o Datafolha.

LTIMA COLOCAES – Candidato do governador Romeu Zema (Novo), outro que surfou na onda de 2018, Rodrigo Paiva (Novo) tem 1% das intenes de voto, numericamente pior do que Engler. Na maior parte das capitais, a situao mais comum a de bolsonaristas embolados nas ltimas colocaes.

Em So Lus, por exemplo, Silvio Antonio (PRTB) convocou aliados para o aeroporto a fim de recepcionar Bolsonaro, que visitou o Maranho na ltima quinta-feira (29). Depois, postou em suas redes sociais uma foto no meio da multido, cumprimentando o presidente, com a seguinte inscrio:

“Na recepo do presidente em So Lus no aeroporto Cunha Machado. ??Aconteceu o encontro entre Silvio Antonio e o presidente. @jairmessiasbolsonaro afirmou: ‘Eu Voto em voc’. ?Silvio Antonio responde: ‘Obrigado, presidente.’ Silvio Antonio no foi citado por nenhum dos entrevistados na ltima pesquisa Ibope. Procurado por meio de sua assessoria, ele no se manifestou.

ESCONDENDO VNCULO- No total, apenas trs bolsonaristas aparecem nas primeiras colocaes nas 26 capitais estaduais, o que inclui So Paulo e Fortaleza. Na capital cearense, apesar de liderar a disputa, Capito Wagner (PROS) tem escondido sua vinculao com o presidente. A outra Cuiab, mas l Ablio Jnior (Podemos) se esfora para tentar colar sua imagem de Bolsonaro.

Mesmo com o cenrio desfavorvel, o ncleo ideolgico do Palcio do Planalto tem insistido na necessidade de o presidente apoiar em pblico, pelo menos, nomes nas grandes capitais, na tentativa de garantir palanques fortes para sua campanha reeleio em 2022.

Em sentido contrrio, integrantes da cpula militar j defendem uma retirada estratgica, evitando que derrotas regionais desgastem a imagem do presidente e enfraqueam o governo federal.

VIRADA – Bolsonaro, contudo, no pretende seguir o conselho neste momento. Em conversa recente, disse que ir intensificar sua participao nas prximas duas semanas, na tentativa de estimular um movimento de virada. O presidente vinha apenas insinuando quem eram seus candidatos, sem citar nomes. Na sua live semanal da ltima quinta-feira, citou nomes e nmeros de alguns vereadores e de cinco prefeitos. Deixou de fora Capito Wagner, mas fez propaganda para seus apoiados em Manaus, Belo Horizonte, Santos, So Paulo e, ainda que timidamente, Rio de Janeiro.

Ao falar da disputa na capital fluminense, Bolsonaro disse que o nome que apoia “d polmica” e encerrou afirmando que “se voc no quiser votar nele, fique tranquilo, t certo, no vamos criar polmica, no vamos brigar entre ns por causa disso da, porque eu respeito os seus candidatos tambm”. No dia seguinte, recebeu Crivella no Palcio da Alvorada e gravou vdeo com ele. Aps a gravao, porm, voltou a falar sem empolgao do prefeito.

NA BALANA – “Se voc no quer votar no Crivella, no vamos brigar por causa disso. Voc pode encontrar virtude em outros candidatos, respeito, mas eu botei na balana, entre todos os candidatos ali, o que seria melhor para o Rio de Janeiro.”

Nos ltimos dias, Bolsonaro passou a usar a falta de recursos para viajar como argumento para no se envolver mais nas campanhas pelo pas. “Eu no posso me empenhar mais porque, para eu ir fazer campanha l, eu tinha que pegar um avio de carreira. No tenho recursos para isso, levar uns 30 seguranas ou contratar uns cem l porque a minha cabea est valendo alguma coisa no mercado”, disse a apoiadores nesta sexta-feira (30).

Em So Paulo, na semana passada, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e o chefe da Secom (Secretaria Especial de Comunicao Social), Fabio Wajngarten, participaram de agenda de Russomanno. Mesmo com o enfraquecimento do candidato, Bolsonaro deve ampliar a sua presena na campanha do aliado. Ele far novas gravaes nesta semana com Russomanno, repetindo a frase: “Agora chegou a nossa vez”.

REELEIO DE COVAS – “Acho que vai ter segundo turno no Rio, como em So Paulo. A gente vai ganhar nos dois municpios”, disse Bolsonaro na sexta. O presidente quer evitar a reeleio de Covas, candidato do governador de So Paulo, Joo Doria (PSDB), provvel adversrio na campanha nacional de 2022.

O marqueteiro de Russomanno, Elsinho Mouco, disse Folha acreditar que a presena de Bolsonaro tem um efeito diferente em So Paulo na comparao com outras capitais e que pode ajudar a consolidar Russomanno no segundo turno. “Em outras capitais, os candidatos no tm a mesma fora eleitoral do Russomanno. Ele entrou nessa campanha com 1 em cada 4 eleitores paulistanos. um bom aliado para o presidente l na frente”, afirmou Mouco.

No ms passado, Bolsonaro tambm anunciou seu apoio ao candidato Coronel Menezes (Patriota), em Manaus, e a Ivan Sartori (PSD), em Santos (SP). Os dois candidatos, no entanto, no aparecem entre os favoritos nas pesquisas eleitorais e no tm conseguido crescer mesmo com o apoio do presidente.

3 thoughts on “Candidatos bolsonaristas no emplacam na disputa s prefeituras e encalham nas capitais

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.