Candidatos em chuteiras

Carlos Chagas

Junto com os respectivos pedidos de registro, hoje, Jos Serra. Dilma Rousseff e os demais candidatos a presidente apresentaro ao Tribunal Superior Eleitoral um resumo de seus programas de governo. a lei que determina essa obrigao, certamente ainda no um detalhado plano de iniciativas, mas, ao menos, um elenco de concepes e promessas. ltimo dia de prazo para a apresentao das candidaturas, ambos cumpriro o ritual exigido pela legislao, iniciando-se formalmente as campanhas.

Os menos tolerantes diro tratar-se de uma farsa, porque candidatos Dilma e Serra j so h quase dois anos, encontrando-se em campanha por quase igual perodo. De qualquer forma, e coincidindo com a recente desclassificao do selecionado brasileiro na copa do mundo de futebol, a disputa pela presidncia da Repblica passa a ocupar todos os espaos no imaginrio popular. Daqui at outubro, crescero no eleitorado os debates, as especulaes e as definies a respeito de quem ocupar a presidncia da Repblica pelos prximos quatro anos.

Educao, sade e segurana pblica faro parte dos programas e das preocupaes dos candidatos, no apenas dos dois mais bem colocados nas pesquisas, mas de todos os demais. Reformas, tambm, como a poltica e a tributria.

Etapa importante do processo sucessrio comear em agosto, quando do incio do horrio de propaganda eleitoral gratuita pelo rdio e a televiso. Em suma, Robinho, Kak, Dunga e outros esto fora de campo. De chuteiras e prontos para apresentar grandes lances ou caneladas, esto os candidatos.

confuso, mesmo

Certos grotes da candidatura de Dilma Rousseff, l para os lados do PT, levantam a hiptese de uma conspirao pr-Serra entre alguns institutos de pesquisa e rgos da grande imprensa. Sustentam estar a candidata bem adiante do adversrio, em termos numricos, atingida apenas pelos percentuais manipulados que apontam empates tcnicos e at a prevalncia do ex-governador de So Paulo por um ou dois pontos. Pode at ser, em se tratando de atividades comerciais e do interesse de certas elites, mas de forma alguma deveria essa preocupao alimentar a parania de alguns companheiros.

Nem os institutos arriscam-se a ficar afastados da realidade, nem a mdia avanar tanto a ponto de no poder compor-se com o vencedor ou a vencedora. Para uns, a desmoralizao representaria a perda de futuros negcios e fregueses, porque novas eleies viro. Para outros, sempre haver o receio de ficar de fora do cada vez mais farto banquete publicitrio que todos os governos vem oferecendo.

O que acontece com as conflitantes e oscilantes pesquisas a confuso de metodologias e a insignificante amostragem feita atravs de trs mil consultados, dentro de um universo de 130 milhes de eleitores. Errar, para um lado ou para outro, muito mais fcil do que acertar nas tendncias populares. Acresce que desta vez no h um favorito escancarado, como aconteceu com Fernando Henrique e com o Lula.

Debate sobre o nada

Numa poca em que se fala tanto em debates sobre os candidatos presidncia, ainda no apareceu um veculo de comunicao disposto a promover um debate entre os candidatos vice-presidncia. Dificilmente aparecer, mas j imaginaram, frente a frente, Michel Temer e ndio da Costa? No se arriscariam a apresentar programas, que no podem ter, ou, sequer, iriam evoluir em torno dos programas dos titulares, que alm de no conhecerem, podero interpretar s avessas. Os dois deputados, ao menos at agora, mantm-se sombra. Alis, causada por tenebrosa nuvem pairando sobre suas cabeas, com nome prprio. A nuvem chama-se Leandro Maciel. Quem quiser que v pesquisar na crnica poltica nem to recente assim o acontecido com o indigitado cacique sergipano.

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