Candidatos limitarão os debates?

Carlos Chagas

Começa hoje nova rodada de debates entre os candidatos presidenciais, agora apenas com os dois primeiros colocados. Até a realização do segundo  turno, dia 31, estão programados mais   quatro encontros entre Dilma Rousseff e José Serra. Depois da TV-Bandeirantes, esta noite, seguir-se-ão a Rede-TV, a Folha de S. Paulo, a TV-Record e a TV-Globo.

Já soltamos aqui litros do nosso protesto e indignação diante da presunção e da arrogância de nossas emissoras de televisão e congêneres, cada uma pretendendo-se mais importante do que as outras e imaginando-se dona não apenas da audiência televisiva, mas dos próprios candidatos, obrigados a obedecer suas conveniências. Investem contra o cidadão comum, mesmo sabendo que a proliferação de debates prejudica o processo político.  Bastava um, no segundo turno,  transmitido em pool por quem se habilitasse. No máximo, dois. Cinco, quem sabe até mais, configura um atentado à paciência nacional.

Posto o preâmbulo, agora o principal: as assessorias dos dois candidatos, em pé-de-guerra permanente, poderão fumar um diminuto cachimbo da paz nas próximas horas  e decidir que não cumprirão as ordens nem se subordinarão aos interesses das redes de televisão. Além do debate de hoje, só mais um,  a que compareceriam  seus candidatos. Resta saber onde, mas a exigência seria de sinal aberto para todas as emissoras interessadas na transmissão.

Caso esse grito de independência seja dado, com a concordância mal-educada  e o inevitável estrilo dos barões das telinhas, será possível prever que no próximo governo, qualquer  que seja seu ocupante, as emissoras e redes de  televisão deverão ficar de olho. Poderá interromper-se esse período de dominação da mídia eletrônica sobre valores constitucionais desde 1988 ignorados. A proibição de oligopólios, por exemplo. Ou a regulamentação do artigo 220, que determina à lei complementar a  criação de dispositivos  capazes de defender o cidadão e sua família dos excessos da programação televisiva. Nada de censura prévia, é claro, mas quem sabe punições a posteriori, como pesadas  multas, suspensões e até cassação da licença de certas  empresas funcionarem?

Quem sabe estará  sendo escrito,  ainda que por via transversa, um novo capítulo no relacionamento do poder público com a mídia, que se pode muito, não pode tudo…

NOVOS TEMPOS?

Com todo o respeito, mas não há de ser com José Sarney, do PMDB,  na presidência do Senado,  e  com Candido Vacarezza, do PT, na presidência da Câmara, que algo de novo acontecerá no Congresso, na Legislatura a se iniciar ano que vem. Ambos, com as devidas homenagens, são egressos dos longos anos de acomodação do Legislativo aos interesses de seus integrantes. Deles não se poderá esperar, por exemplo, que Câmara e Senado trabalhem de segunda a sábado, que mordomias variadas venham a ser suprimidas ou que senadores e deputados continuem vivendo um regime onde trabalhar só é permitido em causa própria.

A renovação não chegou   à metade das cadeiras nas duas casas do parlamento nacional, mas seus novos integrantes chegam conduzidos por um sentimento contrário á rotina das benesses e facilidades verificadas há décadas.

Dada a divisão das forças tradicionais que dominam o Legislativo, é possível que os novos busquem unir-se em favor da mudança de hábitos e costumes viciados. Por que não Aécio Neves, Pedro Simon ou alguém capaz de inverter as práticas usuais no Senado, para presidi-lo? Na Câmara, apesar de Tiriricas e Romários, elegeram-se deputados da renovação, até o proporcionalmente mais votado no país, Antonio Reguffe, que por quatro anos,  na Câmara Legislativa de Brasília,  implodiu o fisiologismo e a bandidagem ao recusar todas as vantagens inerentes  ao cargo de deputado distrital?

Sonhar ainda não foi proibido, mesmo sonhos de noite de verão ainda na primavera. Senão os nomes aqui lembrados, por que não  outros  com  propostas semelhantes?  

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