Candidatura de Moro antecipou a corrida e as dúvidas sobre o presidencialismo brasileiro

Altamiro Borges: Semipresidencialismo e DNA golpista da elite

Charge do Amarildo (Arquivo Google)

William Waack
Estadão

Os fatos se adiantaram aos cálculos dos operadores políticos e eles tiveram de correr devido ao “efeito Moro”. Previam a largada para as eleições do ano que vem apenas em abril. O “grid” estará completo, porém, ainda antes do Natal – quase meio ano de antecipação, uma enormidade de tempo na política.

O “efeito Moro” se define pela velocidade e abrangência com que um dos competidores alcançou projeção especialmente nos grupos de formadores de opinião. O alarme entre os concorrentes soou devido a um fato do qual já se fala há tempos, mas que esse “efeito” tornou ainda mais evidente.

POTENCIAL DE VOTO – É a existência ou não de uma mistura (a proporção de combustível e ar no mundo dos motores) pronta para ser incendiada. Trata-se do potencial de voto em busca de quem não seja Lula ou Bolsonaro. A presença dessa larga camada é sabida há meses, e o mérito do “efeito Moro” até aqui foi demonstrar que, aparentemente, essa mistura está mais próxima de reagir à faísca do que se pensava.

Os operadores de várias forças políticas reagiram rápido ao “efeito Moro”, fato que reconhecem em público, mas não acham que seja necessário alterar outro cálculo: o de que decisiva mesmo nas próximas eleições é a formação de grandes bancadas.

É o que explica movimentos de fusão (como PSL e DEM) e a relativa facilidade com que o Legislativo driblou o STF e convergiu com o Planalto para aprovar matérias que garantem a irrigação de emendas, com transparência ou não, e fundos eleitorais. Grandes bancadas dependem de grandes verbas.

LÍÇÃO ÚTIL – Essa postura das raposas da política é uma útil lição para se entender o fundamental dos cenários pós-eleições. Emendas do relator e orçamento secreto não são outra coisa senão a expressão do avanço do Legislativo em suas prerrogativas – leia-se poder de fato.

Traduz um progressivo enfraquecimento da autoridade do presidente da República no uso de ferramentas como alocação de recursos via orçamento, iniciada com a incompetência política de Dilma Rousseff (competência que Temer demonstrou ao escapar de duas denúncias) e acelerada pela incompetência política de Bolsonaro.

MENOS PODERES – Está longe ainda do grande público a ideia de que o presidente que for eleito no ano que vem terá menos poderes frente aos parlamentares do que o presidente eleito em 2018.

Embalado pelo próprio “efeito” inicial, Moro tem repetido que a aliança entre forças aparentemente antagônicas (PSDB e PFL) nos idos de FHC é a fórmula de sucesso que ele acha possível reeditar.

É bom lembrar que FHC mandava mais, e do lado de lá tinha só um grande cacique.

12 thoughts on “Candidatura de Moro antecipou a corrida e as dúvidas sobre o presidencialismo brasileiro

  1. Eu não ficarei surpreso se Lula e Bolsonaro fizerem um pacto de mútuo apoio no caso de um dos de um dos dois tiver que disputar o segundo turno com Moro.
    Todos conhecemos os candidatos dos mais diversos partidos. Quem conhece Moro?
    Somente Bolsonaro e Lula.
    O que o fazia viajar quase todos os meses aos USA?

    • Luiz Inácio é produto da inteligência de Golbery, e isso não se discute. Pois só assim derrotaram Brizola com a ajuda do rato barbudo.

      A leve aparência de que o ex presidiário se difere de Bolsonaro não confirma -se, pois os fatos mostram que os dois são siameses, em quase tudo, e sobretudo, na ignorância, rispidez e covardia.

      Moro se mostra diferente em tudo em relação aos três, incluindo o Cangaciro, porque tem méritos inegaveis em sua profissão, amor pelo Brasil e não anda em roda.de matutos metidos a malandros.

      Moro leva essa no primeiro turno para honrar o povo brasileiro tão desonrado pelos outros três.

      Vamos deixar de blábláblá e exercitar o verbo “Mourar” .

      Já Mourou ou Mourarás?

      Levanta, anda, sai daí!

  2. O Moro que continue na dele, pisando em ovos, evitando bate boca desnecessário e, principalmente deixando a tarefa de acusar golpes para o mito e o Luladrão. A choradeira que fique para os demais candidatos, aqueles que só vão figurar na urna eletrônica.

  3. Moro não tem espaço para crescer. Teve 11% de intenção de voto numa pesquisa de um instituto criado 2 dias antes da divulgação dos resultados. Os caras nem disfarçam mais. Esta pontuação esta acima do teto dele. A tendência é manter isso por algum tempo e então começará a decrescer.

    • Moro tem espaço demais, e vai ganhar no primeiro turno.

      Será superior, ou já é, a Leonel Brizola em 1982 quando a imprensa mostrava que ele só tinha 2% dos votos e ganhar de Miro, Sandra e do Gato Angorá. Lembras?

      Moro é o único que não tem ficha suja, e o brasileiro não quer ouvir falar de gente corrupta, fraudulenta e covarde como Luiz Inácio, Bolsonaro é Cangaciro.

      Daria será seu grande aliado para barrar os três traiçoeiros.

      Saia da bolha e Venha Mourar!

  4. Será que Moro vai conseguir açambarcar os votos do norte e nordeste, ou isso é só opinião pessoal de jornalista do eixo São Paulo/Rio?
    Da minha parte acho que a maior parte dessas opiniões não foram combinadas com os russos.
    Um bacana desse já comentou que Lula votaria no Bolsonaro com raiva da cadeira que o Moro deu nele. Hehehe

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