Candidatura Garotinho soma votos para Dilma

Pedro do Coutto

Mais um fato indiretamente contrário a José Serra na campanha pela sucessão presidencial. A liminar do ministro do Tribunal Superior Eleitoral Marcelo Ribeiro, suspendendo a decisão do TRE, permite a candidatura de Anthony Garotinho ao governo do Rio de Janeiro que, sem dúvida, soma votos para Dilma Rousseff. Se prevalecesse o entendimento do Tribunal Regional, a ex-chefe da Casa Civil contaria apenas com uma base política no estado: a do governador Sérgio Cabral. Agora, conta com duas: a de Sérgio e a de Garotinho. E Fernando Gabeira está apoiando ao mesmo tempo – fato inédito – José Serra e Marina Silva.

A mais recente pesquisa do Ibope apontou 41 pontos para o atual chefe do executivo, 24 por cento para o ex-governador. Gabeira em terceiro com doze. Cabral é, sem dúvida, o favorito, porém com 24 pontos Anthony Mateus reúne em trono de si um potencial superior a dois milhões de sufrágios. Parcela nada desprezível para a candidata do presidente Lula.

Não fosse a interpretação – aliás correta – do ministro Marcelo Ribeiro, esses votos iriam para quem? Pode-se admitir que uma parte para o governador atual, outra parte poderia se perder no vazio. Fosse qual fosse a transferência parcial, muito melhor para Rousseff a transferência total para si. O estado do Rio de Janeiro possui 11, 4 milhões de eleitores, o que coloca na posição de terceiro maior colégio país. Dois milhões de votos é uma fração imensa, podendo inclusive tornar-se decisiva se projetada na sucessão presidencial.

Mas não é só isso. É preciso considerar a perspectiva, nada impossível, de Garotinho crescer mais na campanha carioca e fluminense, Dispõe de bases populares sólidas – caso contrário não teria 24 por cento e vocação direcionada para campanhas eleitorais. Pode conduzir as eleições no Rio de Janeiro para o segundo turno, desfecho entre ele e Cabral, já que Fernando Gabeira, fraco com 12 pontos nas pesquisas, encontrará dificuldade de conquistar o eleitorado ao lado de José Serra ou ao lado de Marina Silva, e muito mais ainda ao lado de ambos como o Arlequim de Goldoni, peça exibida no Teatro Ginástico, tempos atrás, tradução de Millôr Fernandes.

A candidatura Garotinho vai até às urnas. Dificilmente o TSE julgará o mérito da ação até outubro. O ex-ministro José Dirceu – constato – tinha razão ao prever que Dilma Rousseff teria mesmo os dois palanques estaduais. O que certamente não agrada a Sérgio Cabral, mas agrada ao Palácio do Planalto.

Um outro assunto. O Jornal da Band anunciou na noite de terça-feira o resultado da pesquisa concluída no final da semana passada pelo Vox Populi. Coincide integralmente com a do Ibope: 40 para Dilma, 35 para Serra, 8 para Marina. Na quarta-feira, o melhor comentário foi do repórter Daniel Bramati, O Estado de São Paulo. Contém um dado importante de análise: a redução do número de eleitores indecisos e daqueles que dizem que vão anular o voto.

À medida em que declinam as duas frações, avança o índice de Dilma, como o Ibope também havia assinalado. Caiu de 19 para 16 por cento. Vai descer ainda mais e, acredito, parar em 6 ou 7 pontos. Serra não está absorvendo estes votos. Tenho a impressão de que vai estagnar e permanecer praticamente no mesmo percentual de 2002 quando perdeu para Lula. Vamos conferir.

PS – Hoje, divulga-se que Garotinho teria desistido da disputa pelo governo e seria candidato apenas a deputado federal. Mas seu partido, o PR, continuará apoiando Dilma Rousseff.

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