Carlos Lessa, presidente do BNDES: TODA VEZ QUE FINANCIAMOS A PETROBRAS, PAGAMOS 4% PARA O DINHEIRO ATRAVESSAR A AV. CHILE. E acabou com isso

Mas Lessa foi substitudo por Mantega, que restabeleceu os privilgios dos banqueiros nacionais e internacionais, proporcionando-lhes lucros gigantescos, atravs de intermediaes de emprstimos que no tinham o menor risco de inadimplncia

O economista Carlos Lessa, quando presidente do BNDES (de janeiro de 2003 a novembro de 2004), fez uma verdadeira revoluo no banco estatal e contribuiu, de forma decisiva, para que ocorresse a retomada do desenvolvimento no governo Lula.

Com apoio de seu vice, o engenheiro e consultor Darc Costa (um notvel nacionalista, que goza de invulgar prestgio nas Foras Armadas e durante 9 anos foi Coordenador de Estudos Estratgicos da Escola Superior de Guerra), Lessa teve que mudar tudo. Motivo: a partir da gesto de Collor, o BNDES FORA MERGULHADO NUMA FASE DE OBSCURANTISMO, agravada nos mandatos de FHC, que transformou a instituio num poleiro de tucanos privatistas e globalizantes.

Lessa deu uma virada histrica, recolocou o BNDES a servio do desenvolvimento nacional e acabou com os privilgios dos bancos privados, que agiam como intervenientes EM TODAS AS OPERAES DO BNDES.

Intermediao uma grande negociata

Rigorosamente verdadeiro: quando assumiu, Lessa soube que o BNDES, cujos emprstimos mais baratos so liberados taxa de 6% ano, pagava mais 4% para que as operaes fossem intermediadas por bancos privados.

Caramba, quer dizer que, toda vez que financiamos a Petrobras, pagamos 4% s para o dinheiro atravessar a Avenida Chile? ISSO UM ESCNDALO. Emprstimos para a Petrobras no tm o menor risco nem precisam de bancos privados como intermedirios. Vamos acabar com isso, desabafou Lessa, numa reunio da Diretoria.

E assim foi feito. Todas as operaes acima de R$ 10 milhes, que so corriqueiras na instituio, passaram a ser fechadas diretamente pelo BNDES, sem o pagamento de 4% aos bancos privados. Somente as operaes abaixo desse valor continuaram com intermediao, porque o BNDES no tem condies de levantar os cadastros e controlar os pagamentos das milhares e milhares de micros, pequenas e mdias empresas que recorrem s suas linhas de crdito, sobretudo ao Carto BNDES.

Nenhum jornal deu uma s linha a respeito. Os banqueiros ficaram quietos, no reclamaram do fim do privilgio. Mas comearam a manobrar, usando os grandes jornais e revistas para desestabilizar Lessa e conseguir sua demisso.

Sai Lessa, entra Mantega, o traidor da Ptria

Em novembro de 2003, Lessa ento foi afastado e Lula o substituiu por Guido Mantega, que era ministro do Planejamento e aceitou o aparente rebaixamento, porque na prtica o BNDES bem mais importante do que o Ministrio herdado pelo sindicalista Paulo Bernardo.

No dia de sua substituio, num ato pblico que reuniu mais de mil pessoas diante do BNDES, incluindo diversos parlamentares federais, como Chico Alencar e Jandira Feghali, Lessa fez um violento discurso e afirmou, desafiadoramente, que MANTEGA NO UM BRASILEIRO COM B MAISCULO.

Lessa sabia o que estava dizendo: uma das primeiras decises de Mantega foi justamente restabelecer a intermediao dos bancos privados em todas as operaes do BNDES. A medida, claro, foi tomada s escondidas, sem alarde, nenhum jornal divulgou.

Os banqueiros abriram champanhe tambm s escondidas, na calada da noite, sem estardalhao. E assim o brasileiro (nascido na Itlia) Guido Mantega se tornou um dos homens de confiana dos banqueiros nacionais e estrangeiros.

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PS -Foi com essas credenciais que se habilitou a substituir Antonio Palocci no Ministrio da Fazenda, formando com Henrique Meirelles a dobradinha dos sonhos dos banqueiros, que continuam mandando e desmandando neste pas, onde o Poder sempre sonegado aos brasileiros com B maisculo. Como Carlos Lessa e Darc Costa, por exemplo. Que Repblica.

PS2 E o presidente Lula nem pode alegar que no sabia de nada, porque, antes de ser demitido, Lessa pegou um avio, foi a Braslia e fez um longo relato (durou 4 horas) ao chefe do governo, que, estrategicamente, fingiu no ter ouvido nada.

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