Carlos Velloso, ex-presidente do Supremo, ironiza os detratores da urna eletrônica

Velloso lamenta o desconhecimento sobre a urna eletrônica

José Carlos Werneck

O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal, Carlos Velloso, afirmou, em entrevista ao podcast “Supremo na semana” deste sábado que a defesa do voto impresso mostra desconhecimento sobre o processo eleitoral.

Velloso, que atualmente exerce a advocacia, afirmou que a impressão do voto para posterior conferência não trará benefícios ao processo e ainda pode restaurar a contagem manual, que gerava fraudes nas eleições.

DESCONHECIMENTO – “Há 25 anos a urna eletrônica é utilizada sem indício ou evidência de fraude. Sem nenhuma evidência de fraude, sem nenhum indício sério de ocorrência de fraude. De maneira que eu penso que há um desconhecimento por parte de muitos. E esse desconhecimento pode gerar apoio a esse anúncio de voto impresso que não traz nenhum benefício. Ao contrário, nos faz retornar ao sistema antigo do voto de papel. Basta que se peça a conferência dos votos (eletrônicos) com os votos impressos para se restaurar a contagem manual de voto, aquilo que gerava mapismo (como era chamado o aproveitamento dos votos em branco), que gerava uma série de fraudes”.

Carlos Veloso, que se aposentou em 2006, era presidente do Tribunal Superior Eleitoral quando as urnas foram implantadas.

RETÓRICA PASSADA – Perguntado sobre se existe fraude no processo eleitoral e que, por isso, o Brasil precisa do voto impresso, ele afirmou:

“É uma retórica política atrasada. Os parlamentares precisam tomar conhecimento do que é o processo eleitoral e de como ele se desenvolve. É, na verdade, um dos melhores processos em matéria eleitoral do mundo. E a Justiça Eleitoral foi criada no Brasil justamente para resolver o problema, para tornar legítimas as eleições e cada vez mais legítima, portanto, a democracia que praticamos, que é a democracia representativa”.

Velloso considera positivas as explicações do TSE sobre o funcionamento do sistema e os mecanismos de auditagem.

ATUAÇÃO NA PANDEMIA – O ministro aposentado aproveitou a entrevista para elogiar a atuação do Supremo Tribunal Federal durante a pandemia da Covid-19, ressaltando o acerto da decisão que confirmou a competência concorrente entre União, Estados e Municípios para medidas de proteção à população.

Velloso também comentou sobre as mudanças no Supremo com a chegada do novo integrante que substituirá Marco Aurélio Mello. “Um ministro, quando chega, ele se incorpora logo ao espírito da Casa, que é um espírito de grandeza, que é um espírito de sabedoria e, muitas vezes, se orienta silenciosamente pela experiência dos mais antigos. E o Supremo vai construindo as suas tradições, vai honrando as suas belíssimas tradições libertárias, de porta onde aqueles que se sentem oprimidos podem bater a qualquer hora do dia ou da noite.”

7 thoughts on “Carlos Velloso, ex-presidente do Supremo, ironiza os detratores da urna eletrônica

  1. http://www.vocefiscal.org/

    Projeto inativo!
    O projeto não está mais funcional por já ter cumprido seus objetivos, ao realizar fiscalizações em duas eleições (2014 e 2016) e motivar a introdução de Códigos QR para facilitar a aquisição dos dados. Não pretendemos realizar fiscalização nas eleições de 2018, sugerimos utilizar um aplicativo independente para totalização paralela. Veja respostas a Perguntas Frequentes em site sobre segurança das urnas eletrônicas.

  2. Não condiz com a realidade o que disse Carlos Veloso no seguinte trecho: ”Há 25 anos a urna eletrônica é utilizada sem indício ou evidência de fraude. Sem nenhuma evidência de fraude, sem nenhum indício sério de ocorrência de fraude.”

    Ao contrário do que ele diz, há inúmeros casos relatados de fraudes nesse sistema de totalização no TSE dos votos das urnas eletrônicas.

    Inclusive um colega meu de trabalho, que se candidatou a deputado federal em 1998, ia acompanhando no computador a sua votação pelo site do TSE. Ele imprimia as folhas com os prints das telas de seus votos totalizados pelo sistema do TSE.

    Qual não foi a surpresa quando o número de votos dele foi diminuindo. Ele me mostrou as telas impressas, com os respectivos horários registrados nas telas. Fui então acompanhando junto com ele a divulgação pelo site do TSE. E a situação continuava a acontecer. O número de votos dele realmente ia diminuindo. Ora, num sistema informatizado, isso significa fraude.
    Recorreu, mas nunca lhe responderam.

    A partir dali, percebi a fragilidade de se ter um sistema fechado, em que não se divulga publicamente o código-fonte do programa, e em que não se pode contestar nem checar possíveis fraudes, como essa que relatei.

  3. Por que não uma impressão por amostragem?. Determinada urna, numa determinada seção eleitoral a ser definida teria todos os seus votos impressos. Aí é só comparar o resultado digital com o resultado físico.
    Acho que isso não seria tão dificil nem tão caro para ser realizado.

  4. Essa discussão sobre a insegurança dos votos eletrônicos surgiu nos USA com o idiota Trump. Desde então o nosso idiota tupiniquim, só para aparecer bem para o seu ídolo Trump, começou a fazer o mesmo aqui. Foi assim com o voto eletronico, com a cloroquina, com a negação do virus.
    Na moita, na moita, há leves especulações sobre uma empreitada de longo termo de um ditador poderoso para enfraquecer os aliados americanos e outros governos, como o mequetrefe governo brasileiro. Tu do começa com a bestificação do povo. No caso do Brasil o esforço para obter sucesso será pequeno, if you know what I mean.

Deixe um comentário para Ricardo sSales Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *